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A ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL

agosto 10, 2009

Depois de Palmares (na verdade uma federação de vários agrupamentos com uma população de pelo menos 20 mil negros) os escravos não conseguiram reproduzir qualquer coisa parecida. Os senhores de terra e os governantes cuidaram para que o estrago não se repetisse. E mesmo depois da abolição da escravatura os negros nunca mais deram uma demonstração de sua capacidade de organização, disciplina, planejamento, bravura, que derrotou até o exército imperial mais de uma vez.
A verdadeira história dos quilombos ainda está para ser bem pesquisada e escrita mas já é certo que o número d quilombos foi grandemente exagerado pelas autoridades do Império. Com raras exceções os quilombolas não chegaram a ser uma ameaça ao regime escravista. Na sua maioria, os grandes quilombos ficaram perdidos no alto das serras, distantes da sociedade que detinha o poder de manter escravos.
Os escravos fugidos, amiúde, viviam próximos a engenhos, fazendas, lavras, vilas e cidades, plantando, colhendo, trocando e vendendo para os brancos, de quem recebiam até armas e munições.
Os amocambados também assaltavam viajantes nas estradas, tornando-as às vezes intransitáveis. De raro em raro atacavam fazendas, para roubar bens e recrutar escravos, mas nunca foram organizados para isso: também plantavam, colhiam, casavam, faziam família.
Em alguns casos, de um modo ou de outro, conseguiam ganhar o suficiente para comprar a alforria, passando de negros fugidos a negros libertos.
No Brasil escravista, segundo Alberto da Costa e Silva, alguns negros chegaram a ter seus próprios escravos e não foram poucos os que se tornaram traficantes, enriquecendo com o tráfico atlântico.
Sheila de Castro Faria informa que a essa prática não eram estranhas as mulheres negras, o que fica bem claro no título da sua tese: Sinhás pretas.
Gilberto Freyre escreveu que a nossa escravidão foi mais adocicada que a norte-americana, mas só olhou para a casa grande e não para a senzala. Nenhum historiador negou a violência do escravismo, em qualquer tempo ou lugar.
Um dos aspectos que merece maior pesquisa e documentação é o das fazendas que empregavam negros sabidamente fugidos. Esses coiteiros de quilombolas eram preferidos como senhores por seu trato mais humano e pelo objetivo básico de otimizar a produção.
“De qualquer forma, isolados ou integrados, dados à predação ou à produção, o objetivo da grande maioria dos quilombolas não era demolir o edifício da escravidão”, como escreveu João José Reis, “mas sobreviver em suas fronteiras e, se possível, viver bem”.
Não há provas de que a idéia dos quilombolas fugidos fosse recriar a África no interior do Brasil, com o objetivo de construir uma sociedade alternativa à escravocrata. Mesmo aqueles africanos natos, que usaram tradições africanas para se organizarem, raramente imaginavam “criar uma África no Brasil”, assim como poucos tinham o sonho de voltar à África. É que a necessidade de mesclar culturas aceitar valores brancos foi um imperativo da sobrevivência, um exercício de sabedoria.
Johan Nieuhoff, que visitou o Brasil em 1640 escreveu que os negros “retêm algo do culto religioso dos portugueses, mas têm seus peculiares sacerdotes e juízes”. Escravos e quilombolas foram forçados a mudar coisas que não mudariam se não estivessem submetidos à pressão escravocrata. Mas foi deles mesmos a direção e intensidade dessas mudanças.
Não se pode negar que os quilombos contribuíram, muito, para melhorar a qualidade de vida dos que continuaram nas senzalas. Principalmente no sentido de diminuir a crueldade típica do tempo colonial, quando os negros fujões tinham o tendão de aquiles cortado e até uma perna amputada.
Outro tema a ser investigado e discutido é o suicídio. O suicido, certamente, era um ato de resistência individua. Mas a teoria do banzo e da saudade da África não pode ser levada a sério porque as poucas pesquisas já demonstraram que a taxa de suicídio era maior entre os crioulos, isto é, entre os negros nascidos no Brasil. É certo, no entanto, que entre os africanos natos havia uma teoria do retorno, segundo a qual o suicídio propiciava a volta à terra natal e aos antepassados, através da Kalunga, o mar-oceano.
A historiadora Mary Karash estudou particularmente o grupo banto, vindo de Angola, Congo e Moçambique, confirmando a crença do retorno pelo suicídio. A tese não existia entre os yorubás (nagôs), hauçás, e jejes, entre outros., vindos do Golfo do Benim. Para os nagôs, por exemplo, o suicídio era uma morte “não natural”, isto é, em desacordo com a Natureza. Segundo o pesquisador nigeriano Isola Olomola, suicidas não podiam receber as cerimônias fúnebres adequadas e teriam dificuldades na outra vida.
O que é certo é que entre os índios escravizados nos primeiros tempos da colônia a freqüência de suicídios era grande. Segundo as leis portuguesas, os gentios da terra eram livres. Mas a realidade não era esta. Os portugueses não admitiam como próprio para eles o trabalho braçal, escravizando os índios ou, pelo menos, tentando escraviza-los.
Os índios dispunham até de meios legais para recorrer contra as injustiças de que fossem vítimas. E deles lançavam mão. O problema era que a legislação que os assistia era cheia de meandros e exceções, o que dava origem a complicados litígios. Por exemplo: índios que fossem capturados em guerras ou “ações de resgate consideradas justas”. Mas quem podia afirmar isso eram as tropas que participavam dessas ações e isso tornava quase impossível verificar se a afirmação era verdadeira ou mentirosa.
Os índios podiam protestar no Juízo das Liberdades mas o processo era longo, demorado e custoso. Além disso, as sentenças desse Juízo podiam ser revogadas pela Junta das Missões, pelo voto dos ministros religiosos. Eles deveriam ser os defensores da liberdade e não da escravidão dos gentios da terra, mas é sabido que eles também mantinham escravos, principalmente os padres e os jesuítas.
Segundo Joseph Miller, da Associação Americana e História e um dos maiores especialistas em escravidão, a história da escravatura no mundo clássico não tem coisa alguma em comum com a escravidão moderna, produto do desenvolvimento comercial do Atlântico. Pouca gente percebe que os africanos controlavam a escravidão na África e que os brancos europeus permaneciam no mar fazendo o tráfico. Foi um momento em que houve oportunidade de crescimento para a economia comercial, um crescimento maior do que em qualquer outra ocasião e lugar.
Os escravos eram comprados a prazo, o que exigia a existência de uma autoridade pública e financeira para tratar das questões legais que esses créditos envolviam. Nos séculos 16 e 17 fez-se a legislação que definiu a escravidão moderna como instituição pública legal e a escravidão passou a ser objeto do direito comercial, civil e político não só no império português, mas na França, na Inglaterra e na América do Norte.
É quase certo que o número de escravos da África desembarcados nas Américas tenha passado dos 11 milhões, sobreviventes dos 12 milhões e 500 mil embarcados. Desses, mais de 40% vieram para o Brasil, a maioria vinda da Grande Angola (que se estendia do Gabão ao Brunei). Em torno de 20% vieram da chamada costa Mina, a África Ocidental.
Um mito já derrubado é o da cachaça, jeribita para os negros. Originalmente eles não bebiam e nem conheciam bebida destilada, só tomando cerveja doméstica, vinho de palma. A demanda foi criada pela oferta dos negreiros.
No Brasil, escravos e café tiveram a mesma origem: a África. Natural das montanhas da Etiópia, o café era originalmente comido em pasta. No mundo árabe é que passou a ser torrado, reduzido a pó e lançado em água fervente. Essa fórmula de café, chamado café turco, ao ser introduzido na Europa (através da Itália) passou a ser filtrado.
Há divergências, mas ainda há quem diga que as primeiras mudas de café chegaram ao Brasil clandestinamente. Teriam sido dadas pela mulher do governador da Guiana Francesa, por volta de 1720, ao português Francisco Palheta que as plantou no Pará.
O certo é quepPara o Rio vieram mudas de Goa, na Índia.
Cem anos depois o Brasil já era o maior produtor de café do mundo, principalmente na parte fluminense do Vale da Paraíba: Vassouras, Valença, São João Marcos, Rezende, Piraí, Paraíba do Sul. Desses municípios saíram os chamados barões do café, os ricos cafeicultores escravagistas do período imperial. Nem todos os barões do Império tinham escravos, mas quase todos os ricos cafeicultores foram barões. Homens ricos, eles viam no título prestígio social. Em momento algum, no Brasil a nobreza foi hereditária e a troca de favores entre os barões do café e os imperadores ajudou a Monarquia a se manter no Brasil por 67 anos.
De1808 a 1821 D. João VI concedeu 119 títulos; D. Pedro I deu 134 e Pedro II 1.065 títulos. Originalmente o baronato era para os proprietários rurais que se projetavam pela riqueza e pela boa vontade em colaborar com o Tesouro imperial. Raríssimos atingiram a elite da política imperial, reservada para os condes e os marqueses. Assim como poucos chegaram a ser ministros do Império. Nem mesmo delegados de polícia, vereadores ou juízes, porque a maioria nem sabia ler e escrever.
A segunda geração, no entanto, foi alfabetizada, viajou para a Europa, civilizou-se e formou-se, principalmente em Medicina e Direito, mudando os hábitos da família. Ela, por exemplo, deixou de comer na cozinha, o que fez as casas ganharem sala de jantar e mesa compridas para 10, 12 e até 18 cadeiras.
Mas antes disto em todas as casas não faltava um piano que, curiosamente, era franqueado também aos escravos. Nas fazendas não era incomum ver escravos músicos, formando conjuntos com outros escravos para animar os saraus, símbolos de distinção e refinamento.
A Abolição da escravidão foi o fim de muitas fazendas do Vale da Paraíba (onde hoje só uma fazenda continua produzindo café) e dos barões, assim como o fim do Império.
Poucas vezes, em todos os anos da escravidão no Brasil, os negros se revoltaram e usaram a força contra os brancos. A maior revolta ocorreu, coincidentemente, num 13 de maio, em1833, no distrito de Carrancas da vila de São João d’el Rei, comarca do Rio das Mortes (atualmente Cruzília) em várias fazendas da família Junqueira., os senhores mais abastados do sul de Minas.
Donos de muitas terras, de numerosa escravaria, com as maiores e mais bem estruturadas fazendas da região, também eram famosos, todos da família, pelos excessos na violência com que tratavam seus negros. Dizia-se que, donos de cavalos, de gado e de porcos, matavam os escravos fujões, que eram esquartejados e dados aos porcos para comer.
A rebelião começou com a morte do filho do deputado Gabriel Francisco Junqueira, assassinado a golpes de porrete na cabeça. Passaram para a fazenda Campo Alegre e foram para a Bela Cruz, onde mataram oito da família de José Francisco Junqueira, inclusive três crianças e ele próprio. Um grupo foi para a fazenda Bom Jardim onde João Cândido da Costa Junqueira estava bem armado, resistiu e matou os líderes Ventura Mina, João Inácio, Firmino, Matias e Antônio Cigano.
Os escravos dispersaram , foram para o mato e, aos poucos, acabaram sendo presos por uma força de 40 soldados, mandado às pressas. Os rebeldes cativos foram julgados e 16 deles condenados à morte por enforcamento e executados em praça pública em dias alternados em São João d’el Rei. Outros quatro foram condenados a açoite e ferros e dez absolvidos “por não terem participação direta nas mortes”. Foi a maior condenação à pena máxima aplicadas a escravos no Império. Basta dizer que ao fim da Revolta dos Malês, em Salvador, foram fuzilados quatro escravos.
Todos os condenados foram executados, menos um, Antônio, que se ofereceu para ser o carrasco. Preso, fugiu da cadeia de Ouro Preto em 1835. Em 1848 voltou a ser preso e morreu na cadeia, tuberculoso.
A revolta contou com escravos de várias origens, crioulos, angolas benguelas, minas, bantos, nagôs. E é curioso que com tanta diversidade étnica e cultural, os escravos tenham esquecido seus conflitos e disputas para articular, planejar, organizar e executar a chamada Revolta de Carrancas.
Curiosamente, os processos foram levados sem o depoimento dos acusados, além da confissão dos crimes. E esta é uma característica da sociedade escravagista, que não ouve o escravo.
É bem verdade que o negro africano via o branco, o mulato e até o crioulo enbranquecido culturalmente como inimigo. Era natural que desconfiassem de qualquer curiosidade do opressor e das questões que ele, eventualmente, lhe propusesse.
Até entre os abolicionistas, que se saiba, não houve manifestação de muito interesse, por exemplo, no passado do escravo, por aquilo que ele fora antes do cativeiro, pelo lugar da África onde nascera. O escravo, mesmo para os abolicionistas, era um selvagem, um bárbaro sem cultura e sem passado articulado. Assim, não era objeto de estudo.
Muito raros, raríssimos, segundo Alberto da Costa Silva, foram aqueles que como José Bonifácio, Antônio da Costa Peixoto, Luis Antônio de Oliveira Mendes e Francis e Castelnau sentaram-se ao lado de um escravo, lápis e papel na mão, para registrar o que ele tinha a dizer, principalmente sobre o vocabulário de sua língua materna, a história de um reino africano ou o enredo da sua vida.
Castro Alves chega a ser ridículo na sua falta de informação sobre a África Negra que, para ele, era o norte desértico e arenoso do Saara…
Também é curioso ler os visitantes estrangeiros que passaram pelo Rio, registrando que a língua portuguesa, na capital do Império, não era a mais ouvida nas ruas. É que conservar a própria língua era crucial para os africanos, pois significava manter a identidade, a cultura, o conhecimento que tinham, sua forma de olhar, sentir, pensar.
Segundo o recenseamento de 1849, na parte urbana da Corte, nada menos de um terço era de africanos. A semelhança entre algumas línguas da família banto facilitava a comunicação. O quimbundo, o quicongo e o umbundo tinham muito em comum. Havia uma espécie de língua franca, comum, que permitia trocar idéias, praguejar e servir como instrumento de solidariedade e resistência.
O yorubá acabou formando uma língua geral em Salvador, o nagô até hoje usado no candomblé.
Nina Rodrigues foi o primeiro a estudar as línguas africanas, especialmente o yorubá, o ewe, o fon, o huaçá, comparando-as e tentando organizar um dicionário.
Para o branco, essa línguas (que ele não entendia e nem queria entender) eram línguas malditas, bárbaras, dissonantes, que inspiravam medo e, por isso mesmo, foram reprimidas ao máximo, mesmo nos ambientes rurais.
No entanto, essas línguas malditas influenciaram fortemente o modo de falar e escrever no Brasil, sobretudo em termos de vocabulário e pronúncia, mas também em termos de sintaxe.
Mais do que a língua é inegável a participação dos negros na cozinha brasileira, na música, na dança, nos folguedos populares.
Um velho ditado popular carioca diz que sapato em pé de negro indica a liberdade. Mas não bastava o sapato para ser livre: era preciso parecer livre. E este era o desafio dos negros nascidos livres ou que ganhavam a alforria na segunda metade do século 19. Para abrir caminho naquela sociedade exigente, competitiva e racista, e se fazerem aceitos ou pelo menos tolerados, lembra Sandra Sofia Machado Koutsouros, os negros precisavam “construir a sua imagem a partir de comportamentos tomados emprestados” dos brancos.
Em geral copiavam o modo de vestir, pentear, os gestos e as atitudes ditados pela moda européia, especialmente a francesa. E era importante que tivessem uma foto com a imagem de distinção e liberdade. Para um negro alforriado uma foto com os símbolos bem colocados era uma espécie de passaporte que legitimava a nova condição social. Qualquer estigma da escravidão, evidentemente, devia ser ocultado e é notável o cuidado que tinham os fotografados com os nós das gravatas e com os sapatos…
Em um país em que preto não entrava em igreja de branco, o pensamento abolicionista não se baseou na religião nem a Igreja Católica esteve empenhada na causa, antes pelo contrário. Padres e ordens religiosas eram coniventes e cúmplices da escravidão. A Bíblia, argumentavam eles, não proibia a escravidão e se o que importava era a alma livre do pecado e não a liberdade do corpo, os negros que cuidassem da própria salvação.
Um detalhe, no entanto, tem passado ao largo dos observadores: os padres, no Brasil, sempre foram empregados do Estado, cujos interesses tinham muita dificuldade de contrariar, segundo informa José Murilo de Carvalho.
Mais ainda, depois da abolição não houve qualquer ação digna de nota nos campos da educação, dos direitos políticos ou do acesso à propriedade da terra. Nada foi feito pelo Estado ou pela Igreja, ou por particulares, com pequenas exceções, para absorver na sociedade aquela enorme quantidade de pessoas que, livres, não tinham qualquer perspectiva de futuro.
Uma dessas raras pessoas preocupada com o futuro dos negros e do Brasil foi André Rebouças, mulato, baiano, filho de escravos, um dos abolicionistas mais radicais e que apresentou projetos importantes para garantir o futuro do negro como cidadão e como pessoa. Mas que foi sistematicamente derrotado.
Rebouças, que na memória carioca não passa de um túnel e na paulista é simplesmente uma avenida, liderou o primeiro movimento de opinião no Brasil.

André Pinto Rebouças nasceu em 1838, em plena Sabinada, a insurreição baiana contra o governo da Regência. Seu pai era Antonio Pereira Rebouças, um mulato autodidata que advogava sem ser formado em Direito. Rábula, ganhou o direito de advogar, foi deputado federal pela Bahia em diversas legislaturas e chegou a Conselheiro do Império. Sua mãe, Carolina, era filha do comerciante português André Pinto da Silveira.
O mais velho de sete irmãos, era mais ligado ao Antônio, um ano mais moço. Em fevereiro de 1846 a família veio para o Rio de Janeiro. Antônio se tornou seu grande companheiro na maior parte dos projetos profissionais. Alfabetizados pelo pai, estudaram no Colégio Militar. No Exército, ambos fizeram parte do Corpo de Engenheiros e foram complementar os estudos na Escola de Aplicação da Praia Vermelha., de onde saíram formados em Ciências Físicas e Matemáticas em 1859. No ano seguinte conquistaram os diplomas de engenheiro militar. Com bolsas de estudo foram à Europa, onde passaram quase dois anos.
De volta, comissionados pelo Estado, foram trabalhar na vistoria e aperfeiçoamento dos portos e fortificações do litoral brasileiro.
Na Guerra do Paraguai André e seu irmão sentaram praça como voluntários no 1° Batalhão de Artilharia a Pé. Serviram como engenheiros militares, de maio de 1865 a julho de 1886, quando André voltou ao Rio por motivo de saúde. Foi quando, preocupado com o futuro do país e sua modernização, fez uma série de projetos de estruturação de empresas privadas e tentou captar recursos em bancos para financiá-los. Mas não foi muito bem sucedido.
Bons projetos aqui no Rio foram os de abastecimento de água para a cidade, o das docas D. Pedro II e a de construção das Docas da Alfândega (onde ficou de 1866 até 1871).
Dava aulas e organizava debates com políticos e ministros. Professor da Escola Politécnica, conseguiu levantar dinheiro para Carlos Gomes voltar à Itália. Secretário do Instituto Politécnico e redator da sua revista, era do Clube de Engenharia e o encarregado de receber as visitas, por ser fluente em francês e inglês.
Participou da Associação Brasileira de Aclimação e defendeu um melhor acondicionamento para os produtos agrícolas que o país exportava, para enfrentar a concorrência no mercado internacional. Inventor, foi responsável pela seção de máquinas e aparelhos na Sociedade Auxiliador da Indústria Nacional.
Foi em 80 que André Rebouças se engajou na campanha abolicionista, aliando-se a Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Aristides Lobo para lançar um Manifesto da Confederação Abolicionista. Redigiu os estatutos da Associação Central Emancipadora.Ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão e publicou muitos artigos contra a escravidão e a favor da reforma agrária dando terras para os negros.
Em 82 e 83 esteve na Europa procurando apoio para a campanha abolicionista. Mas não queria simplesmente a abolição e sim garantir o futuro dos escravos, principalmente através da educação.
Quando a República foi proclamada, acompanhou por sua vontade o Imperador no exílio. Ficou dois anos exilado em Lisboa, como correspondente do The Times, de Londres.
Em 1892, com problemas financeiros e perseguido pelos republicanos que não aceitavam suas críticas que a República estava criando um Brasil de segunda classe, aceitou um emprego em Luanda, Angola, onde ficou por 15 meses.
Deprimido, mal de saúde, debilitado, fixou-se no Funchal, na Ilha da Madeira, em meados de 1893. No dia 9 de maio de 1898 matou-se, pulando em um penhasco próximo do hotel em que vivia, deixando trabalhos inéditos sobre a reforma agrária que considerava indispensável para receber a mão-de-obra dos escravos libertos. Morreu na miséria.
Além de promover o primeiro movimento de opinião no Brasil, André Rebouças compreendeu bem que vivíamos um bloqueio estrutural para a emergência de indivíduos livres. E que a liberta~ção dos escravos, por si só, não seria suficiente. Ele entendia a abolição como o primeiro passo ao qual deveria seguir-se a eliminação do monopólio da terra com a transformação do ex-escravo em pequeno produtor independente Rebouças escreveu e fez muitos discursos tentando convencer os políticos e as autoridades de que o único caminho de libertação dos homens pobres, pretos ou brancos, ex-escravos ou imigrantes, era a reforma agrária.
Ele apontou vários caminhos e soluções, apresentando inclusive um projeto de imposto territorial progressivo para financiar os primeiros passos da reforma agrária. Tentou fazer a refundação nacional, por temer uma guerra civil, mas não foi entendido. Mesmo sendo monarquista convicto, não podia aceitar que a princesa Isabel fosse retratada nos jornais da época como a santa redentora dos escravos. Criticava essa visão que os pintores insistiam em mostrar, com Isabel entronizada, cercada por negros descalços e ajoelhados, como se estivessem rezando para abençoar a padroeira. Ele sabia que essa imagem era falsa: a Redentora erecta, olhando para o céu, e os negros curvados, humildes, servis e subservientes. Era péssima imagem essa lição de cidadania, como diz Lilia Schwarcz: “a liberdade combinada com humildade e servidão, distante das noções de livre-arbítrio e de responsabilidade individual”.
Em 1889, um grupo de negros libertos da região de Vassouras, no Vale do Paraíba, mandou ao ministro Ruy Barbosa uma carta na qual exigia instrução pública para os seus filhos, como um direito. Dizendo-se republicanos, afirmavam que eles e não a Princesa Isabel foram os verdadeiros protagonistas, autores da abolição.
Ruy não se dignou a responder, até porque, conservador como era, acreditava que a escravidão fora resolvida pelos homens esclarecidos, categoria que, certamente, par ele, não incluía escravos libertos. O que ele entendia por homens esclarecidos é discutível: basta dizer que Ruy havia mandado, como ministro, destruir toda a documentação referente à escravidão…

Em 1903 já estava circulando O Baluarte, que se anunciava como “órgão oficial do Centro Literário dos Homens de Cor” e dedicado “á defesa da classe”.
O jornal pretendia levantar a classe e prepará-la para as lutas da vida, ensinando-os a serem cidadãos no mais estrito senso da palavra…
Antes, que se saiba, foram dois os jornais de negros para negros: A Pátria, em São Paulo, em 1889 e O Exemplo, de Porto Alegre, criado em 1892.
O espaço na grande imprensa reservado em todos os jornais para cobrir os assuntos da comunidade negra era praticamente nenhum. E quando saia qualquer notícia, geralmente era negativa. Daí a chamada imprensa negra que começou a cuidar de dar voz, articular idéias e fazer reivindicação política de um segmento da população brasileira que não era ouvida: O Alfinete, O Kosmos, Tribuna Negra, Progresso, A Cruzada, A Revolta, Liberdade, Getulino, O Clarim da Alvorada.
Entre 1889 e 1930 é possível dividir a história da imprensa negra em duas fases, segundo Petrônio Domingues, sendo a segunda fase, a partir de 1920, predominantemente política e não de registro social.
A imprensa dos pretos para os pretos sempre teve circulação restrita, com muita distribuição gratuita, nas associações negras. Nenhum diário, havia os semanais, os quinzenais, os mensais e os que saiam em ocasiões especiais. Só O Clarim da Alvorada, do jornalista negro Jayme de Aguiar chegou a alcançar 2 mil exemplares.
Muitos tiveram vida curta. Só com o título O Quilombo, foram 13. As tipografias que imprimiam esses jornais eram artesanais, quase sempre instaladas na casa do editor, que tirava dinheiro do próprio bolso para financiar a edição. Raríssimos eram os anunciantes. Os colaboradores eram, quase todos, homens porque mesmo para os negros a missão da mulher era ser esposa e mãe…
A princesa Isabel era uma unanimidade como “redentora da raça negra”, o modelo de cultura era o francês, o discurso era puritano, de combate à vadiagem, aos jogos de azar, à vida boêmia e ao álcool. Virtudes eram o trabalho, a honestidade, a moral e os bons costumes. Todos os jornais davam espaço para a publicação de contos e de poesia. A herança cultural e religiosa africana era depreciada e vista com maus olhos, especialmente a música, a dança, a capoeira e a macumba.
O Bandeirante, em 1912, fez um editorial considerando a cultura africana como inferior, grotesca, bárbara e selvagem: “Se os nossos antepassados tiveram por berço a terra africana, é preciso que se note, nós temos por berço a Pátria, este grande país.” Não somos africanos, somos brasileiros!’
Só havia um consenso: o de que a educação é o instrumento mais eficaz para superar o racismo. Foi a imprensa negra que denunciou o racismo e a diferença de tratamento que recebiam pretos e mulatos em sociedade, impedidos de frequentar até igrejas, mas certamente clubes, hotéis, teatros, cinemas, restaurantes e afirmando o preconceito de cor.
A Lei Áurea declarou abolida a escravidão no Brasil no dia 13 de maio de 1888. Mas não se discutiu formas de reparação ou compensações social para os ex-escravos. Mais de cem anos depois, agora é que se fala em cotas para pretos e terras para os herdeiros dos quilombolas e ativa-se, mais uma vez a divisão e o preconceito. Não demora e vamos ter médicos formados e médicos de cotas…

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JOGO DA VELHA

julho 8, 2009

O jogo mais antigo de que se tem notícia é o que nós chamamos de Jogo da Velha e que os portugueses chamam de Jogo do Galo, conhecido em muitos países europeus como Tic Tac Toc.
Foram encontrados tabuleiros escavados nas rochas de templos do Antigo Egito, com pelo menos 3.500 anos.
Jogo extremamente simples, não traz qualquer dificuldade para os seus jogadores e é facilmente aprendido. Pode ser jogado em um tabuleiro ou em papel riscado na hora, sobre um desenho de duas linhas paralelas cruzadas, formando nove casas. Os jogadores escolhem quem começa, que utiliza o x marcando uma das áreas e o adversário responde com um O. Eles jogam alternadamente, uma marcação por vez, num espaço que esteja vazio. O objetivo do jogo é conseguir três círculos ou três xis em linha, horizontal, vertical ou diagonal e, se possível, impedir o adversário de ganhar na próxima jogada.
Se os dois adversários jogam bem, da melhor forma, o jogo terminará sempre em empate. A lógica do jogo é muito simples e se o primeiro lance de quem faz círculo é em qualquer lugar que não seja o centro, o jogo estará perdido para ele, se o adversário sabe jogar.
Quando dá empate diz-se que deu a velha.

A MORTE DA IMPRENSA

junho 17, 2009

           De tempos em tempos anuncia-se a morte da imprensa. Como a morte de Deus e do amor romântico. Mas todos resistem à morte anunciada. Agora, novamente, a morte da imprensa escrita está sendo prevista para “no máximo dez anos”. E não é um fenômeno local, é mundial. Na Grã-Bretanha, na Alemanha, no Japão, nos Estados Unidos, lá como cá, grandes jornais estão morrendo ou sendo mortos por uma crise tripla: queda na circulação, diminuição de espaços vendidos pela publicidade e pela velocidade cada vez maior na transmissão da notícia. Acredito que os dois primeiros motivos da crise são, pelo menos no momento, conseqüências diretas da velocidade cada vez maior com que as notícias vêem sendo transmitidas. As conquistas da informática e o desenvolvimento da internet estão possibilitando notícias instantâneas, em tempo real. E até mesmo comentários e análises que, ao fim e ao cabo, estão reduzindo muito as possibilidades de sobrevivência de jornais e revistas. O chamado jornalismo interpretativo chegou aos blogues e sítios bem informados com força total, e se o chamado lead continua sendo obrigado a responder o que aconteceu, quando aconteceu, com quem aconteceu, onde aconteceu, como aconteceu e por que aconteceu, precisa dar resposta à pergunta mais importante: e daí, o que é que isto significa para as pessoas comuns, quais são as conseqüências. Esse novo jornalismo é que está tornando as pessoas mais atentas ao noticiário, mais bem informadas, mais participantes e mais interessadas. Tanto que as pessoas estão lendo mais do que antes, embora as tiragens de jornais e revistas continuem caindo. O que sobra para um veículo lento como o jornal ou para um mais lento ainda, como a revista? Esse é o problema que aflige a imprensa escrita no momento. As revistas mais sérias estão encontrando um bom caminho nos ensaios temáticos. O problema é que precisam encontrar a justa medida, porque correm o risco de ficarem sisudas em excesso, difíceis, e o leitor está mais para o twitter e a língua simplificada do que para os altos estudos. Sem desistir do jornalismo interpretativo, cuidam de dar ares de atualidade para que a revista seja datada. E tome de reportagens exclusivas, cercando os grandes ensaios que devem ter argumentos claros e inéditos. A Newsweek, por exemplo, está anunciando uma nova revista para um mundo em mudança. Não é o jornalismo que está em crise, é a imprensa escrita em jornais. Na Inglaterra, 70 jornais fecharam em menos de dois anos. Os jornais franceses estão sendo subsidiados e Todd Gitlin, professor de jornalismo da Columbia University, escrevendo sobre “as muitas crises do jornalismo”, disse que além da queda de receita publicitária, da perda na circulação e da difusão de atenção do leitor, o jornalismo americano está enfrentando “um quarto lobo”: uma crise de autoridade, de confiança, de credibilidade que, lá, começou a ocorrer quando a imprensa aceitou as mentiras do Sr. George Bush e afirmaram que o Iraque tinha mesmo armas de destruição em massa, principal razão para dar início à guerra. No Rio de Janeiro, no final dos anos 50, tínhamos 17 jornais, divididos em matutinos e vespertinos. Quase todos desapareceram e vespertinos não há mais. E os nossos jornais estão custando muito a reagir, a mudar, a pelo menos procurar uma solução para os seus problemas crônicos que acabaram com a lucratividade das empresas. A crise é econômico-financeira. Está faltando criatividade, principalmente na área não-jornalística das empresas, que deveriam procurar novas fontes de receita e de exploração do conteúdo que produz, novos meios de captar assinantes e de favorecer anunciantes fiéis. Curiosamente, uma pesquisa da USP confirma a pesquisa americana que queria saber quantas pessoas só recebem informação online, resultando em mirrados 5%. O problema começa, lá como aqui, com o número de pessoas de 18 a 25 anos que não tinham recebido notícia alguma por qualquer forma de mídia: 33%. Em outras palavras, um terço das pessoas declarava-se, espontaneamente, totalmente desinformada. Quando se sabe que jovens de 15, 16 e 17 anos são analfabetos funcionais, incapazes de ler qualquer coisa e que um grande número de alfabetizados não consegue entender a leitura de uma notícia simples, é possível entender porque a população cresce tanto e as tiragens diminuem outro tanto. É certo que mais pessoas recebem informação via internet do que nas plataformas tradicionais, mais a internet também exige que haja leitores e que eles sejam, pelo menos, alfabetizados. A notícia não está em crise, a tecnologia é que vem criando espaços, revolucionando conceitos, criando novas ferramentas para fazer o que sempre foi feito: informar, discutir, analisar. O que me assusta é saber que o Google News não tem um único editor humano e que o processo de escolher e distribuir informação é inteiramente feito por robôs. E o que me anima é ler que o Guardian, depois das mudanças que promoveu, hoje em dia é mais lido do que nunca e que, por causa da internet, tem agora duas vezes mais leitores fora da Inglaterra do que em seu próprio país. A notícia não morreu e nem vai morrer, evidentemente. O problema de quem trabalha na mídia impressa é saber o que fazer para aumentar as receitas e sobreviver nos novos tempos.

Diferenças dos cérebros por sexo

março 15, 2009

 

 

 

          Permitam-me uma anedota. No hospital um paciente não tinha opção só se salvava com um transplante de cérebro. A família, informada pelo cirurgião, não sabia onde e como procurar doador. O médico disse que havia cérebros disponíveis. Quanto ao preço, foi claro: cérebro masculino a R$ 50 mil; feminino a R$ 5 mil.

            Os homens da família exibiram um sorriso discreto e não olharam nos olhos das mulheres presentes, com medo de não segurarem o riso.

            Uma delas pergunta se a diferença de preço tem a ver com o sexo do doador. Ao que o médico responde, sério:

            “Tem, minha senhora. Os cérebros femininos são muito mais usados.”

            A anedota é conhecida, há muito tempo, entre os investigadores do cérebro, para quem a batalha dos gêneros está ultrapassada. Hoje não há mais dúvida a respeito das diferenças entre o cérebro do homem e o cérebro da mulher, embora o assunto ainda gere muita discordância entre os especialistas.

            Manuel Paula Barbosa, diretor do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto, informa que as distinções são evidentes em tamanho, peso, e o que chama de índole molecular. O cérebro do homem é, em média, maior e 100 gramas mais pesado. As diferenças moleculares ainda estão sendo estudadas.

            Em sua opinião, há indicações claras de que os cérebros da mulher e do homem são complementares e que a evolução trabalhou no sentido de que as funções cerebrais de um e outro se completem. Diz ele que as mulheres são mais perseverantes, mais resistentes, têm maior capacidade de trabalho prolongado e sofrido, mais memória do imediato e de pequenos fatos subjetivos. Os homens agem mais por pulsões, teem melhor memória espacial, uma grande capacidade de guardar dados objetivos, intuição matemática e musical mais desenvolvida. Em sua opinião, os hormônios sexuais é que devem responder por essas diferenças.

            Para Dulce Madeira, professora do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto, não há um cérebro melhor ou pior: cada um tem as suas características e está mais ou menos apto para determinadas funções. A diferença, segundo ela, “passa por uma assimetria existente entre os hemisférios cerebrais que, segundo ela, é mais acentuada no gênero masculino”. É por isso mesmo, diz ela, que os homens são estatisticamente mais sujeitos ao autismo e à esquizofrenia.

            Já o neurocirurgião Antonio Gonçalves Ferreira, diretor do Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina de Lisboa, afirma que “as maiores ou menores assimetrias entre os hemisférios não são uma condição que se possa associar ao gênero, pois a variação, muitas vezes, é mais acentuada entre pessoas do mesmo sexo”. Para ele, os cérebros masculino e feminino desenvolveram-se de acordo com os papéis sexuais, com a maneira como a criança foi vista como menina ou menino. Na sua concepção, o papel sexual assumido é que determina se a pessoa vai ter um cérebro “masculino” ou “feminino”.

            Em todo o mundo há investigadores científicos dedicados a estudar os aspectos celulares e moleculares na comunicação entre as células nervosas, a gênese e o desenvolvimento dos neurônios e do sistema nervoso, a forma como as funções cognitivas são afetadas pela criação, educação, doenças e pelos papéis sexuais.

 

            Num dia de janeiro, Lawrence Summers, presidente da Universidade de Harvard, deixou muita gente indignada ao dizer que as diferenças inatas na estrutura do cérebro masculino e feminino eram um fator determinante para a presença menor de mulheres na ciência. Ele deixou bem claro que, na sua opinião, as mulheres seriam intelectualmente inferiores aos homens.

            Depois, desculpou-se, mas era tarde. Perdeu o cargo e ainda viu uma mulher ser eleita para assumir a sua vaga.

            Até hoje ninguém conseguiu qualquer evidência de que as diferenças anatômicas no cérebro tornem as mulheres menos capazes em matemática, física, engenharia. Mas, como escreveu Seymor Levine, da Universidade Stanford, “há diferenças sexuais no cérebro” e elas não se manifestam apenas nos episódios ligados à reprodução. Ele se concentrou no hipotálamo, uma pequena estrutura do cérebro envolvida basicamente na regulação da produção de hormônios e no controle do comportamento, do comer e do beber e do sexo.

            Essa visão, dos anos 60 do século passado, foi posta de lado quando se descobriu que a memória, a emoção, a visão, o olfato, a capacidade de processar imagens de rosto e o estresse influíam tanto no sexo quanto no comportamento em geral. No final do século 20 as técnicas de imagem sofisticadas, as tomografias por emissão de prósitons e a ressonância magnética funcional permitiram observar o cérebro em função e derrubaram mitos. Mas complicaram ainda mais os estudos, porque as áreas cortiças e subcorticais trouxeram novidades e dificuldades. Os pesquisadores descobriram, por exemplo, que determinadas partes do córtex frontal, envolvidos em muitas funções importantes, são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que nos homens. O emocional ativa mais o cérebro das mulheres mas os homens têm mais controle sobre os sentimentos.

            Mulheres têm menos neurônios que os homens, mas fazem mais sinapses, que são as ligações entre neurônios. Elas têm mais neurônios no córtex do lobo temporal, associado ao processamento e compreensão da linguagem, assim como à fluência verbal.

            Em resumo: há cada vez mais descobertas e menos resultados definitivos. Agora é que estamos explorando o cérebro devidamente e só em mais 20 ou 30 anos teremos as respostas sobre o sexo dos cérebros. Mas é certo que o cérebro da mulhere é diferente do cérebro de homem e que suas capacidades soa diferentes.

 

            Pelo menos 100 bilhões de células nervosas estão, nesse momento, em atividade no seu cérebro. Cada uma delas vai se ligar a milhares de outras, formando mais de 100 trilhões de circuitos elétricos responsáveis por todas as funções do cérebro humano.

            Os neurocientistas já concluíram que;

1.      O cérebro das mulheres é, aproximadamente 10% menor que o dos homens.

2.      Mas o cérebro das mulheres possui um número maior de conexões entre as células nervosas..

3.      O homem está mais sujeito ao autismo e à esquizofrenia.

4.      Mas a mulher está mais sujeita à depressão, por sua baixa produção de serotonina.

5.      O cérebro feminino é mais voltado para a empatia.

6.      O cérebro masculino é mais voltado para a compreensão.

7.      As mulheres são mais emotivas e expressam melhor seus sentimentos, porque seu sistema límbico é mais desenvolvido.

8.      Os homens controlam melhor seus sentimentos e emoções, estando mais aptos para a chamada inteligência emocional.

9.      As mulheres se saem melhor nas atividades verbais e no  manejo da língua.

10.  Os homem costumam ser melhores em tarefas matemáticas ou que exijam cálculos, porque têm o lobo parietal inferior maior.

 

Para quem imagina que é apenas a educação e o meio-ambiente que determinam a natureza sexual do cérebro, é interessante observar o comportamento de recém-nascidos: meninas e meninos já têm preferências diferentes nos primeiros dias de vida, como provou o psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge.

No seu estudo foram filmados 101 bebês em seu primeiro dia de vida, para desvincular os resultados das influências culturais. Na mira da câmara os bebês podiam olhar tanto para o rosto de uma pesquisadora, junto ao berço, quanto para um objeto mecânico, uma bola transparente com fotos que desfiguravam o rosto de forma a não parecer uma pessoa.

A bola foi o principal alvo do interesse dos meninos: 43% e apenas de 19,3% das meninas. Entre elas, 37 olharam mais para o rosto, em comparação com 25% dos meninos. Mas 44% das meninas e 32% dos meninos dividiram igualmente a tenção entre a bola e o rosto.

O maior interesse das meninas no contato pessoal persiste fora da maternidade, conforme outro estudo: eles têm mais interesse no convívio social. Mesmo brincando e absorvidas na brincadeira, olham constantemente para as mães. Por isso mesmo, bem antes dos meninos, tornam-se capazes de interpretar os olhares dos adultos, de aprovação, reprovação ou estímulo.

A mesma pesquisa com macacos, resultou na mesma conclusão.

Outra pesquisa, oferecendo a macacos machos e fêmeas a oportunidade de brincar com macaquinhos de pelúcia, carros ou livros, revelou que as fêmeas preferem, majoritariamente, os bonecos, os macacos preferem os carrinhos e os livros atraem a ambos em proporções quase iguais.

Assim também os meninos gravitam em torno de bolas e brinquedos que possam se locomover ou proporcionem brincadeiras mais violentas. As meninas preferem as bonecas ou brinquedos que reproduzam o ambiente adulto.

CARA-DE-PAU

fevereiro 26, 2009

Mr. Gordon Brown, se não me falha a memória, foi ministro das Finanças do Reino Unido durante dez anos, até meados de 2007. Daí pulou para a cadeira de primeiro-ministro, antes de explodir a chamada crise financeira internacional. Quer dizer que o referido senhor comandou as finanças britânicas no período em que se formou a monumental crise econômico-financeira. É evidente que a Grã-Bretanha está entre os mais atingidos pela crise, como prova o declínio dramático da popularidade do Mr. Brown. Como se não tivesse coisa alguma a ver com os acontecimentos, ele agora está posando de reformador da economia do mundo, atitude que começou a tomar ainda em 2008. Com a maior cara-de-pau, vai ser o anfitrião do encontro de chefes de Estado do G-20, em Londres, e vem apresentando ambiciosas propostas de reforma da arquitetura financeira mundial, todas elas cuidando de defender os interesses dos países mais ricos e que, segundo ele, estão sofrendo mais… Que a economia mundial está passando por uma verdadeira convulsão, sabe-se bem. Que o panorama visto do epicentro da crise, os Estados Unidos é tenebroso, não é difícil entender, assistindo o turbilhão, o arrastão.mais que isto o tsunami que leva de roldão empresas e pessoas inocentes, vítimas da especulação financeira e do desejo de ganho fácil. Nunca antes, na história daquele país, a especulação fez tamanho estrago econômico, financeiro, social e emocional. Até a turma do andar de cima (como diz o Elio Gasperi), o povo do ervanário, do green gold (origem do termo gringo) está pagando caro e vai pagar mais ainda pelas falcatruas e falta de ética. Sem contar com os ditos especialistas, os economistas que em sua maioria absoluta não conseguiram prever o que estava para vir, com honrosas e pouco ouvidas (quando não ridicularizadas) exceções. Desmoralizados, agora dão cambalhotas na tentativa de explicar o inexplicável, de justificar o injustificável, de limpar a própria barra em aumentar o ridículo a que ficaram expostos. As autoridades governamentais que permitiram e até participaram da especulação desenfreada e provocaram o colapso, também estão pagando um preço político elevado, mas a conta final ainda não chegou e, quando chegar, promete ser pesadíssima. Muita gente vai ter que sair de cena e é melhor que saia de mansinho, antes que seja apanhada. O problema é que os economistas que chegam ao poder estão tomando meias medidas, evitando morder os grandes capitalistas responsáveis pela muvuca. E continuam jogando para a galera, como se fosse possível evitar a ruína das instituições financeiras sem limpa-las primeiro, sem afastar os grandes culpados, sem levar para a cadeia os construtores de pirâmides. Rebolam para que o governo não pareça amigo dos gatos gordos de Wall Street, ou inimigo do capital, ou (pior ainda) anti-americano. O problema é que há um outro lado a considerar: os milhões de pequenos investidores escaldados por perdas excessivas e repentinas e que tendem a não voltar a colocar a mão em cumbuca e seu rico dinheirinho em bancos, qualquer banco. E uma das missões urgentes de Obama é recapitalizar os bancos, devolver a confiança e cobrir os rombos do melhor modo possível, para que a economia volte a andar nos trilhos. No entanto, podem esperar: a crise ainda não mostrou a cara completamente.

A ALMA DO BRASIL

janeiro 7, 2009

 

O barroco foi introduzido no Brasil no início do século 17 pelos missionários católicos, especialmente os jesuítas, como instrumento de doutrinação cristã. Seu apogeu na literatura foi com o poeta Gregório de Matos (O Boca do Inferno) e com o orador sacro frei Antônio Vieira. Nas artes plásticas com as esculturas de Aleijadinho e a pintura de mestre Ataíde. Na arquitetura, principalmente com as cidades históricas de Minas Gerais. Na música sobreviveram poucos mas belos documentos do barroco tardia, como as missas do padre José Maurício.

            Entre outras heranças que o barroco deixou no Brasil está o Carnaval, a maior festa barroca popular do mundo. Na verdade, o barroco é que ajudou a fundar nossa cultura popular, porque no Brasil, muito além da arte, o barroco se traduz numa maneira de festejar e viver, segundo a historiadora Cristina Ávila.

            O nome barroco vem de uma pérola exótica, de formato irregular, encontrada pelos portugueses na Índia e chamada de Baróquia. Barroco designava, primitivamente, qualquer forma artística bizarra e irregular.

            Colônia pesadamente explorada pela metrópole, lutando contra piratas, índios e a natureza selvagem, a corrente estética e espiritual cujo forte é o contraste, o drama, o sofrimento, a incerteza, a paixão, a bravura, a religiosidade, confunde-se e dá forma a uma grande parte da identidade e do passado brasileiro. Por isso mesmo o barroco já foi chamado de a alma do Brasil.

            Em ambiente de pobreza e escassez, o barroco brasileiro foi acusado de ser pobre e incompetente, quando comparado com o barroco europeu, erudito, cortesão, sofisticado e branco, Mas nosso barroco, popular, inculto, muitas vezes naif, feito por artistas sem preparo sólido e por artesão autodidatas mas muito criativos, deixou um acervo original e rico, entre a glória espiritual e o êxtase carnal que hoje é Patrimônio da Humanidade.

            A denúncia de luxo excessivo dos Reformistas e a recomendação de austeridade do Concílio de Trento foram ignorados no Brasil, onde o barroco teve um sentido cenográfico e declamatório fundamental para atraior o povo e seduzir as almas, com estímulos visuais que representavam os momentos mais dramáticos da história sagrada, com Cristos sanguinolentos, Virgens com o coração trespassado, santos sofredores e tristes.

            No Brasil, quase toda a obra barroca é religiosa. E a escassez de palácios e profusão de igrejas é a prova de que a arte colonial brasileira foi centralizada à serviço da religião.

            O barroco só perdeu força em 1808, com a chegada da Corte Portuguesa e seu gosto pelo neoclássico.

MARIA MADALENA

janeiro 1, 2009

            Maria de Magdala, ou Maria Madalena, é a figura feminina mais citada no Novo Testamento. Mais do que Maria, mãe de Jesus. Além disso, é o personagem mais importante na morte e na ressurreição de Cristo.

            No Evangelho segundo Mateus ela é mencionada duas vezes. Na cena da crucificação, é a primeira a ser nomeada entre as mulheres que acompanhavam Jesus desde a Galiléia. E no relato da ressurreição (ocasião em que Jesus aparece às mulheres e ordena que elas dêem notícia aos apóstolos, mandando que sigam para a Galiléia continuar a pregação) ela é citada em primeiro lugar: “Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”.

            Marcos se refere a ela quatro vezes. Na cena da crucificação é citada em primeiro lugar. Depois é apontada como testemunha do sepultamento. O relato da ressurreição é o que dá mais importância a Madalena. Ela é destacada duas vezes: indo comprar aromas para embalsamar Jesus e como a primeira testemunha de Jesus ressuscitado.

O Evangelho segundo Lucas faz alusões diretas a Maria Madalena. Ela é mencionada como uma das mulheres que seguiam Jesus. E está dito que o Senhor afastou dela sete demônios; que ela prestava assistência a Cristo com os seus bens; e que assistiu à crucificação, preparou aromas e bálsamos para ungir o corpo do Mestre.

Em resumo: Maria vivia na cidade de Magdala, era solteira, tinha posses, tornou-se discípula de Jesus, acompanhou-o em todas as viagens, financiou-o, testemunhou sua morte, sua ressurreição. E foi um dos discípulos prediletos de Jesus. Diferentemente de outras mulheres citadas nas Escrituras ela é identificada por seu lugar de origem e não através da referência a um homem. Ela também escreveu um Evangelho.

Só que, o que escreveu não é reconhecido pelas igrejas cristãs, a Católico Romana, a Cristã Ordodoxa ou os protestantes evangélicos. Seu Evangelho é considerado apócrifo, embora inclua Epístola dos Apóstolos, Apocalipses e textos que tratam de temas pré-cristãos como o Gênesis e o Livro de Adão,

O termo apócrifo vem do grego apókpryphon, que quer dizer, originalmente, segredo, secreto. Texto não usado oficialmente na liturgia das primeiras comunidades cristãs, conservado escondido por não ser aceito, considerado falso e não inspirado, para a Igreja Católica é parte da lista de 60 livros não-aceitos do Novo Testamento, muitos dos quais foram parar na fogueira e, desde o Papa Gelásio (ano 496) proibidos aos cristãos.

O Evangelho de Maria Madalena este proibido em boa companhia: com Evangelho de Tomé, de Felipe, da Infância de Jesus, de Tiago, com os Atos de Pedro, de Tecla e de Paulo, com o Apocalipse de Tiago, de João, de Estevão, de Pedro, textos em grego, latim, siríaco, copta, etíope.

 

O Evangelho de Maria Madalena pertence ao Codex Akhmin, por ter sido descoberto na cidade de Akhmin, no Egito, em 1896. Comprado pelo pesquisador alemão Carl Reinhardt, só tinha oito das 19 páginas originais escritas sobre papiro, em dialeto copta egípcio. Faltavam as páginas de 1 a 6 e de 11 a 14. Mais tarde, outros dois fragmentos foram encontrados pelos ingleses, em 1897 e 1906, pelo egiptólogo Bernard Pyne Grenfell e pelo papirólogo Arthur Surridge Hunt. Escritos em grego os novos fragmentos completam e confirmam o Codex Akhmin, publicado em 1983.

O texto hoje conhecido como o Evangelho de Maria Madalena, tem a autoria atribuía a Maria, sem qualquer outra identificação,. Poderia ser da mãe de Jesus, ou Maria Betânia (irmã de Lázaro), mas não há dúvida de que é de Maria Madalena.

Rica, tinha uma situação privilegiada para as mulheres do seu tempo: era culta, letrada, bonita, bem falante e independente. Tida como companheira de Jesus no Evangelho de Felipe e no de Tomé, seu Evangelho aborda temas complexos da espiritualidade, que são evitados nos quatro evangelhos canônicos. Um dos capítulos fala da essência da alma.

Quando Pedro pergunta a Jesus o que é o pecado do mundo, Jesus responde: “Não há pecado: sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado pecado. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzí-la à sua origem.” Em seguida, Jesus diz: “Por isso adoeceis e morreis.” E, mais adiante: “Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo de se desequilibra. Essa é a razão porque vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurai forças na diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.” Logo depois o Filho de Deus saudou a todos, dizendo: “A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para que ninguém vos afaste do caminho. Pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, O encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não instituais como legislador, senão sereis cercados por elas.”

Depois da crucificação de Jesus seus discípulos estavam abatidos, tristes, desanimados. E falavam: “Como vamos pregar aos gentios o Evangelho do Reino do Filho do Homem? Se eles não O pouparam, vão poupar a nós?” Foi quando Maria Madalena levantou-se, tomou a palavra cumprimentando a todos e disse: “Não vos lamenteis nem sofreis, nem hesiteis, pois sua força está inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens”.

Pedro disse a Maria: “Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que a qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos.”

Maria Madalena respondeu: “Esclarecerei a vós o que está oculto.” E contou que havia tido uma visão do Senhor e perguntado a ele se a visão é vista com a alma ou com o espírito. Ao que Ele respondeu: “Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência.”

Mas os apóstolos duvidaram que o Salvador houvesse falado em particular com uma mulher e não diretamente com eles. E se perguntavam por que Ele teria preferência por ela. Maria disse a Pedro; “Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo no meu coração e que estou mentindo sobre o Salvador?”  E Levi completou: “Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeita-la? Certamente o Salvador a conheceu bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É, antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separemos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma outra ou lei, além das que o Salvador nos legou.”

Mas os discípulos não aceitaram de bom grado a situação. E, ao contrário, como demonstra o resultado histórico, cuidaram muito bem de abafar as palavras, as ideias e a própria figura histórica de Maria Madalena, inclusive inventando mentiras a seu respeito.

 

Nunca se falou tanto dos evangelhos apócrifos como agora. Talvez tenha chegado a hora de desvendar verdades que, por séculos, ficaram encobertas.

A Bíblia não é a mensagem única de Deus e não contempla em si todas as verdades religiosas, nem históricas, uma vez que existiram bem mais evangelhos do que os colocados na Bíblia.

Foi por volta de 327 depois de Cristo que o imperador romano Constantino, a partir do Concílio de Nicéia, copilou as principais tendências religiosas, fazendo nascer o cristianismo e determinando os textos que comporiam a Bíblia. Ficaram de fora, pelo menos, 60 evangelhos cristãos.

A decisão de Constantino foi mais política que religiosa, pois ele sabia que compilando as principais vertentes da época, acabaria por unir o império romano que estava dividido, o que punha em risco o seu poder imperial.

Não é difícil reconhecer que da corrente que tinha Mitra como deus pagão saiu a ideia da morte em sacrifício e da ressurreição ao terceiro dia (tal como era contada a história da Mitra). Da vertente religiosa que tinha Isis como deusa o Concílio de Nicéia serviu-se da idéia da Virgem Maria e da Família Sagrada, sem levar em conta que José tinha filhos de seu primeiro casamento e acabou tendo outros filhos com Maria, além de Jesus…

Quanto aos evangelhos apócrifos, ocorreu uma verdadeira caça às bruxas. Muitos foram queimados, por ordem do Papa Gelásio, destruídos por se oporem às bases do cristianismo colocado na Bíblia,.

Por sorte escaparam alguns evangelhos. Como o de Judas e Maria Madalena. Foi em 2006 que os cristãos foram surpreendidos com a divulgação (pela televisão a cabo da National Geografic) do evangelho segundo Judas, depois de 1700 anos desaparecido. Sua existência já havia sido confirmada por Irineu, primeiro bispo de Lyon, na metade do século II, quando o denunciou por heresias. São 26 páginas, em papiro, em dialeto copta do antigo Egito. É uma transcrição de texto mais antigo, não localizado. Desapareceu e só foi descoberto novamente no deserto egípcio de El Minya. Passando pelas mãos de diversos vendedores de antiguidades, chegou aos Estados Unidos e deteriorou-se por 16 anos (em cerca de 30%). Em fevereiro de 2001 a fundação suíça Maecenas Foundation for Anciente Art começou a preservá-lo e traduzi-lo.

O Evangelho segundo Judas, na tradução do professor Rudolf Kasser,  contesta a versão das quatro Evangelhos bíblicos: não houve traição a Jesus. Ele mesmo é que pediu para ser entregue, de  modo a se consumarem as profecias e libertar-se o Seu espírito.

Na verdade, o Jesus dos evangelhos apócrifos é bem diferente daquele inserido na Bíblia.  O Jesus exotérico dos textos não bíblicos transmitia conhecimentos mais complexos do que os divulgados pelo cristianismo. E ele não pretendia fundar uma religião ou uma igreja.

Desde a descoberta, em 1945, em Nag Hamadi, no alto Egito, dos evangelhos de Tomé e Maria Madalena, outros textos apócrifos têm sido divulgados, gerando grandes polêmicas principalmente sobre o seu enfoque espiritualista. De todos, o mais discutido pela Igreja é o de Maria Madalena, apresentada até como prostituta para ter sua imagem de companheira de Jesus demolida para os cristãos.

Algumas passagens do evangelho de Maria Madalena só agora são bem entendidos. Como a fala de Jesus: “Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas; elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência.”

Inegavelmente, segundo o evangelho de Felipe, a ligação de Jesus e Maria Madalena ia mais além:  “E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beija-la na boca com freqüência. Os outros discípulos ofendiam-se com isso e expressavam sua desaprovação. Diziam a Ele: Por que Tu a amas mais do que a nós todos?”

O mais importante sobre os evangelhos chamados apócrifos é que eles enfocam uma outra forma de viver a espiritualidade, desapegada de rituais e religiões, vivenciada no interior de cada um, na ética,  com reflexo nos comportamentos externos em todos os lugares, mesmo fora dos templos.

É certo que a Igreja tem distorcido os ensinamentos terrenos de Jesus, ao longo do tempo, afetando consideravelmente o rumo da história espiritual terrena. Muito do que se sabe, ensinado pela religião, não corresponde ao que Ele deixou como legado. A verdade tem sido sabotada ao longo de dois mil anos, por ignorância de uns e interesses escusos de outros. Como é o caso de Maria Madalena e sua possível descendência.

 

 

 

 

 

 

 

FARINHA DE SURUÍ

dezembro 17, 2008

            Farinha é o resultado da moagem, em partículas finas, de raízes e sementes de cereal, com fins culinários. A mais comum nas mesas brasileiros é farinha de mandioca, também chamada farinha de suruí.

            Em Magé, no Estado do Rio, há um bairro chamado Suruí. Lá, na antiga estrada Rio – Magé, funciona a Maralim Indústria e Comércio de Farinha Ltda há muitos e muitos anos. Ela produz a famosa farinha de suruí, além de vários tipos de ração para animais.

            Farinha Suruí acabou sendo um sinônimo de farinha de mesa, entrando até para o folclore. A verdadeira é produzida em quatro moagens diferentes: muito fina, fina, média e grossa, com os números de 1 a 4.

            Oswald de Andrade tem um poema que diz:

                       

          “No baile da Corte

Foi o Conde d’Eu quem disse

Pra Dona Benvinda

Que farinha de Surui,

Pinga de  Paraty

E fumo de Baependi,

É comê, bebê, pitá e caí.”

 

            Também é de Surui uma famosa receita de casquinha de caranguejo.

            Os ingredientes:

                       

                        2 quilos de massa de caranguejo

                        Três limões

                        1 litros de leite de coco

                        200 mililitros de azeite de dendê

                        300 mililitros de azeite de oliva

                        Dois molhos de cheiro verde

                        Dois molhos de alfavaca

                        300 gramas de cebola picadinha

                        300 gramas de tomate pelado e sem sementes

                        100 gramas de pimenta cheirosa

1 quilo de batata cosida

1 quilo de farinha de suruí.

            Maneira de fazer:

                       

                        Coloque a massa do caranguejo numa peneira.

Esprema por cima os três limões.

Deixe absorver por alguns minutos.

Refogue a batata amassada nos temperos.

Leve ao fogo o leite de coco e o dendê até ferver.

Junte a massa de caranguejo.

Engrosse com farinha de suruí até dar ponto de creme.

Monte em porções, em conchas de vieira.

Decore e sirva.

 

                       

A Propósitodo Fium do Mundo

novembro 25, 2008

            A propósito do fim do mundo previsto pelos maias para o ano de 2012, recebi dois comentários que me apresso a publicar. O primeiro é assinado por Lázaro Maia, que pelo nome não se perde.

 

            “Em 50 anos de vida já passei por vários fins do mundo. A começar por uma previsão atribuída a Nostradamus que, interpretado, teria dito que “a 200 chegarás mas de 2000 não passarás”. Passamos

            “Depois aturei muitos médiuns, mistificadores e muitos teóricos da psicopatologia, que também datavam o fim do mundo, especificando até a hora. Todos furados.

            “Em seguida, segundo vários astrólogos, um eclipse anunciaria o nascimento do Anticristo e o mapa astral dele tinha uma dupla cruz fixa que indicaria o fim do mundo para 2001.. Alguém leu mal o mapa, porque o mundo não se acabou.

            “Então foi a vez dos ufólogos místicos, e de Jan Val Ellian anunciando uma invasão da Terra por discos voadores que salvariam apenas um grupo restrito destinado a dar continuidade à humanidade em Ashtar, que não sei onde fica mas que eu saiba não recebeu terráqueos, porque continuamos todos aqui. Já o Jan Val enriqueceu recebendo direitos autorais do seu  muito bem vendido livro. Questionado ele disse, literalmente: “Os seres têm muito humor e mentiram para mim.” Simples, não?

            “Aí vem o calendário Maia e eu juro que nem eu nem minha família tem qualquer responsabilidade sobre ele, anunciando 2012. Espero estar vivo para ultrapassar mais um apocalipse.

“Comecei a estudar História atraído pelo assunto e descobri que, de tempos em tempos, alguém anuncia o fim do mundo. Os palestinos, por exemplo, tinham certeza do fim do mundo com a invasão romana. No ano 1000 houve uma histeria coletiva por conta da passagem do milênio e nada aconteceu, a não ser o fim do mundo feudal. Mas o que eu sei é que o próprio cardeal Ratzinger escolheu o nome de Bento XVI para confirmar uma teoria apocalíptica de milênios.

Pode ser que o aquecimento global, as marés cheias de mais de metro, o degelo dos polos, essas ameaças atuais acabem dando certo para os que insistem em prever o fim do mundo e da humanidade. Só espero que não seja antes de 2014, porque ainda tenho esperança de ver o Brasil campeão do mundo de futebol em sua terra. Sem Dunga, porque aí vai ser mesmo o fim do mundo!”

 

O  outro, por incrível que pareça, é de mais um Maia, José Maia, de João Pessoa, ma Paraíba. E diz:

“Quando Hernan Cortês chegou ao México, em 4 de março de 1519, com 11 navios, 600 soldados de infantaria, 16 cavalos e alguma artilharia transportável, já chegou fazendo sucesso. Os aztecas e os maias acreditavam que Cortês era um deus, Quetzalcoatl, redivivo, cuja volta havia sido profetizada. No dia 13 de agosto de 1521 o capitão escreveu a El-Rei informando que já havia conquistado o Império Asteca, o mais poderoso Estado de todas as Américas.

“Para os espanhóis, os astecas eram bárbaros. E satânicos, com seus sacrifícios humanos. Da cultura deles não se valeram nem aproveitaram.

“Um judeu, Bernardino Sahagun, fez amizade entre o povo da terra e registrou para a posteridade suas crenças e idéias. E percebeu que a principal crença era num ciclo natural do tempo e a certeza de que um dia o mundo teria fim. Foi ele o primeiro a escrever sobre a capacidade de cálculo matemático dos astecas, sobre suas pirâmides bem calculadas, sobre seus cálculos astrológicos e sobre seus calendários.

“Astecas e mais tinham dois calendários, um com um ano de 365 dias e outros para contar períodos de 52 anos, o equivalente a nossos séculos.No final de cada período o povo deixava as cidades e subia ao topo das montanhas, para observar as estrelas e orar. Depois, celebravam o novo período com grandes festas, acendendo fogueiras para saudar o renascimento do mundo.

“Na sua fúria destrutiva, poucos documentos astecas ficaram a salvo. O que se salvou havia sido enviado como presente ao Rei de Espanha. O mais importante foi o Códice de Dresden, escrito em hieróglifos e que só foi decodificado em 1880, na Alemanha. O códice não era asteca, era maia. E fora escrito por astrônomos que detalhavam tabelas de eclipses da Lua, do Sol, a passagem de cometas e outros fenômenos, inclusive as explosões solares.

            “Os maias tinham três calendários: o lunar, dito tzolkin, de 260 dias; o solar, dito haab, de 365 dias; e o do Nascimento de Vênus, em que os meses (uinals) tinham 20 dias, os anos tuns, 360 dias, os períodos de 7200 anos (katum) e os de 144 mil dias (baktum).

            “O número 13 era magicamente importante e eles acreditavam que após 13 longos períodos o mundo chegaria ao fim: 22 de dezembro de 2012.

            “Os maias, como os astecas, acreditavam ter ocorrido quatro eras antes daquela em que viviam. E ao final de cada uma delas ocorrera uma grande comoção que, por exemplo, a que causou o dilúvio e a que provocou o afundamento da Atlântida.

            “Sobre o fim dos tempos, maias e astecas concordavam que ele tinha a ver com o realinhamento da Terra com o Centro da Galáxia. Segundo seu astrônomos, os planetas do sistema solar são ficam em perfeito alinhamento a cada meio milhão de anos. E a combinação do efeito gravitacional sobre o campo magnético dos planetas causará uma pressão que estimulará tempestades solares e, na Terra, intensas atividades sísmicas e vulcânicas.

            “O certo é que, como os maias previram, o campo magnético da Terra está diminuindo, por conta da desaceleração da rotação do planeta, o que, em nós, simples mortais, transparece em conflitos emocionais e na impressão de que o tempo está passando mais rápido.”

 

           

Anúncio do Fim do Mundo

novembro 24, 2008

 

            No dia 12 de dezembro de 2012 o mundo vai acabar. Ou pelo menos, é o último dia do calendário Maia, que principia com a contagem do tempo em 3.114, ou seja, antes das datações arqueológicas desta misteriosa civilização.

            A civilização maia desenvolveu-se entre os anos 1800 a.C. e 1450 d.C, em um território que inclui parte da América Central da América do Sul, onde as ruínas de suas cidades e pirâmides monumentais ainda resistem ao tempo.

            Conhecidos pelo conhecimento avançado em astronomia, pelos seus cálculos matemáticos e pela precisão dos seus calendários, os maias tinham um calendário anual, solar. Com 365 dias (haab) e outro, dito de longa contagem, com ciclos de 5.125 anos. Nesse último calendário é que está estabelecida a data do fim dos tempos.

            Os astrônomos maias previram para 2012 fortes atividades cósmicas que terão impacto sobre o planeta Terra. O Sol vai passar por violentas tempestades, emitindo chamas e partículas que alcançarão o planeta azul, causando o colapso dos campos magnéticos e provocando o fim do mundo.

            Essa violenta atividade solar é confirmada, hoje, por astrofísicos. No entanto, eles negam que isso venha a significar o fim do mundo, embora reconheçam que pode provocar até uma mudança significativa no eixo da Terra. Isto, por si só, provocaria atividades geológicas de proporções catastróficas, justificando a idéia do fim dos tempos.

            Os maias acreditavam que Hunabku habita o centro da Via Láctea; e que, dali, governa o destino dos mundos, através da emissão de energia radiante que alcança a Terra através dos raios do Sol. O Sol é o mediador entre o Supremo e a Terra e a energia radiante é que traz as informações que determinam a evolução cíclica da humanidade e de toda a natureza terrena.

            O declínio do Império Maia, um mistério para os arqueólogos, teria sido produto do final de um doas grandes ciclos, porque as radiações transformadoras atuam sobre o plano físico, mas também no plano espiritual e das idéias.

            Estudiosos dos maias afirmam que estamos vivendo hoje a Quarta Era do Sol e que antes da criação do homem moderno existiram três eras, destruídas respectivamente pela água (o dilúvio?) pelo vento e pelo fogo. Nosso ciclo será destruído pela fome, depois de uma chuva de sangue (guerra?) Segundo as profecias do rei Pacal Votan, as atividades solares de 2012 provocarão o fim de um ciclo e não o fim do mundo. As mudanças já estão em curso, transformando o meio-ambiente de tal modo que o ser humano não vai poder viver sem se adaptar.

            O autor do livro A Serpente Emplumada, Alberto Beuttenmüller, que estudou as profecias maias, entende que as mudanças começaram em 1988

E que chegará ao ápice em 2013.

            Maurice Coterrel, outro estudioso do assunto, diz que o apogeu e o declínio das civilizações coincide sempre com a maior intensidade das variações para cima das manchas solares. Entre as mudanças notáveis que caracterizariam o começo e o fim dos ciclos estão mutações genéticas, grandes alterações climáticas, fenômenos geológicos (terremotos, maremotos, erupções vulcânicas) e grandes manifestações sociais.

            Os estudiosos falam em sete profecias maias:

1.      Em 1999 começaria o confronto da Humanidade com suas próprias realizações. Que serão cada vez piores se o ser humano não reavaliar e mudar seu comportamento materialista, egoísta, corrupto, ignorante, destruidor de recursos naturais e propagador da miséria.

2.      A segunda previa o eclipse solar de 11 de agosto de 1999, afirmando que a sombra da lua provocaria conflitos na Europa Central, no Oriente Médio, no Irã, Iraque, Paquistão e Índia.

3.      A terceira aponta o desflorestamento, a poluição, a degradação ambiental, o efeito estufa e o aquecimento global como o início do comprometimento das reservas naturais de água potável e anunciando as Guerras da Água, seca, fome, novas doenças com grande mortalidade principalmente entre os pobres.

4.      A quarta ainda se refere ao aquecimento global, anuncia a diminuição das calotas polares e a elevação do nível dos oceanos, com a conseqüente inundação das faixas litorâneas. Prevê o surgimento de terras verdes na Antártica, e que uma grande parte do Japão afundará no mar. E o deslocamento dos pólos.

5.      A quinta profecia refere-se a uma profunda crise econômica mundial provocada pelo delírio do consumo, pela ilusão do sistema financeiro que substituiu a riqueza real pela riqueza virtual e sem valor. E anuncia graves crises de depressão, ansiedade e quedas das bolsas.

6.      A sexta anuncia a passagem de um cometa, que anuncia o fim do mundo.

7.      A ultima profecia prevê mudanças genéticas no organismo humano, com o desenvolvimento de faculdades extra-sensoriais, principalmente da telepatia, permitindo a transmissão do pensamento e a leitura do pensamento alheio; o desenvolvimento da capacidade de auto-cura e o fim das doenças e desgraças do mundo. Mas isto chegará apenas para os sobreviventes do Grande Cataclisma, que povoarão o Novo Mundo, purificado e adequado para um ser humano melhor, destinado a conquistar novos mundos e colonizar estrelas.