Archive for the ‘Na Boca do Lobo’ Category

O Massacre de Katyn

outubro 15, 2007

Depois de 120 anos sendo retalhada pelos vizinhos poderosos, a Alemanha e a Rússia, a Polônia vivia há 20 anos no mapa da Europa, estabilizada. Mas havia boatos e em setembro de 1939 sofreu uma dupla invasão: dos comunistas e dos nazistas, armando o cenário para o massacre de 22 mil oficiais poloneses.

A ferida do Massacre de Katyn ainda não  fechou, quase 70 anos depois e Andrzej Wajda acaba de lançar um filme, Katyn que é dedicado à memória do pai, morto na carnificina.

Em abril de 2006, sobreviventes e parentes das vítimas lçevaram o assunto à Corte Européia de Direitos Humanos, numa ação contra o governo polonês que protege, com silêncio, sua culpa histórica: os arquivos oficiais continuam fechados sob segredo de Estado e os culpados, os assassinos, estão protegidos.

Não foram os nazistass os responsáveis pelo massacre, mas os comissários soviéticos de Stalin, com quem a Polônia nem estava em guerra. Foram assassinados 22 mil oficias poloneses, prisioneiros de guerra, rendidos e desarmados.

Ignacy Felczak, aos 78 anos, presidente da Associação dos Ex-Combatentes poloneses do Rio de Janeiro, participou a resistência contra os nazistas. Primeiro como escoteiro, depois como guerrilheiro. E conta que Katyn é uma pequena aldeia nos arredores da cidade russa de Smolensk, a 560 quilômetros da fronteira polonesa atual. Um vilarejo que entrou para a História como símbolo da infâmia. Num bosque, nos seus areredores, homens da NKVD (a precursora da KGB) executaram com tiros na cabeçla 4.400 jovens oficiais poloneses. Foram as primeiras vítimas polonesas do comunismo.

Em duas outras cidadezinhas próximas, outros 10.200 tiveram o mesmo fim. Ma Bielorrússia e na Ucrânia, mais 7.305 mortos, totalizando 22 mil pessoas. Todos eram prisioneiros de guerra do Exército Veremlho que invadira o leste da Polônia sem aviso, enquanto Hiler esmagada a Polônia pelo oeste. Motivo: eram uma força anticomunista, católicos, nacionalistas, irredutivelmente anti-soviéticos, a maioria com formação universitária, membros da elite polonesa.

O que os camaradas estavam fazendo era remover a oposição à sovietização da Polônia, como afirmou o historiador George Sanford, autor do livro katyn e o Massacre Soviético de 1940.

Moscou sempre negou o crime, que atribuía aos nazistas, até que em 1943 foram descobertas as fossas coletivas. Os Aliados, para não desagradarem a Stalin que assumira o ônus principal de perdas humanas na luta contra Hitles, calaram-se.

Sóem abril de 1990 é que o líder reformista Mikhail Gorbachov assumiu a culpa do seu país na execução em massa. Arquivos russos foram abertos, mas parte deles foi transferida para Varsóvia, onde o segredo continuou sendo mantido. Bóris Yelsin confirmou o genocídio.

Agora, os poloneses querem um pedido formal de desculpas do governo russo, mas Vladimir Puttin, ex-agente da KGB, se recusa a fazê-lo e cobra da Polônia uma autocrítica por conta das suas ações de acobertamento praticadas por dirigentes comunistas.

O ódio aos russos tem muitas razões de ser na Polônia, mas o Massacre de Katyn talvez seja a pior. Além de ser emblemática. Sem um pedido formal de perdão dos russos, a reconciliação é impossível. Até porque, até hoje, a maioria polonesa tem menos confiança nos vizinhos russos do que nos alemães.

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Celacanto Provoca Maremoto

outubro 5, 2007

 Foi em 1977 que começou a aparecer, nas paredes de Ipanema, um grafite misterioso: Celacanto Provoca Maremoto. Logo espalhou-se pelo Leblon, Copacabana, Leme, atravessou o túnel, inundou Botafogo, foi pro Centro, Maracanã, Tijuca, Grajaú, Lins de Vasconcelos, Boca do Mato, subiu a linha do trem da Central, atacou os subúrbios. Virou interestadual, eu mesmo fui testemunha do celacanto em Natal, no Rio Grande do Norte.

Depois soube que estava internacional: Argentina, Chile, toda a América Latina, Estados Unidos, Europa, França e Bahia.

Sugeri matéria ao jornalismo da Globo: o que era aquilo, quem espalhava o grafite, por quê. Não sed apurou.

Um dia, uma  pista japonesa: National Kid, o seriado exibido na televisão, nos anos 60. Um sobrinho lembrou que num dos episódios o herói lutava contra os peixes abissais, entre eles o celacanto.

Fui escarafunchar arquivos e descobri o episódio: o Dr. Sanada, um dos vilões, afirmava categoricamente que o celacanto provocava maremoto. Mas não era verdade; quem provocava era um submarino a serviço do mal, o Guilton.

Foi um carioca (só podia ser), quem um dia, depois da aula, encheu o quadro com a frase que logo se tornaria célebre.

Depois, grafitou a sala, o colégio, a visinhança e, diante do sucesso, passou a atacar todo tapume  de obra com gis colorido. Logo mudou para caneta hidrocolor, uma novidade conhecida na época como pincel atômico.

Outros grafiteiros adotaram o mesmo tema e, com spray chegaram até Washington e Paris, virando notícia. A equipe de Carlos Alberto Teixeira chegou a ter doze pichadores que agiam nas madrugadas, disputando  presença com outro grafite célebre, Lerfá Mu, dos fumadores de maconha.

O celacanto, segundo boas fontes, chegou a ser investigado pela Polícia Política e pela Inteligência Naval porque o CEnimar acreditava que aquilo era um c´´odigo da subversão.

O prefeioto do Rio, Marcos Tamoio, instituiu uma multa enorme para os que fossem apanhados fazendo propaganda do celacanto. Mas só quem foi apanhado foi um  outro grafiteiro, o autor dos lindos grafites Megalodon.

Foi preso, torturado, apanhou muito, não sabia de coisa alguma, foi solto nu e com o corpo todo coberto de tinta.

O pai do Carlos  Alberto trabalhava no Jornal do Brasil  e sugeriu que o filho desse uma entrevista ao Caderno B se confessando o autor do celacanto provoca maremoto. A matéria saiu e acabou-se o mistério.

Ainda em 1977 alguém não identificado invadiu o sistema operacional do IBM 1103 da Pontifícia Universidade Católica. Toda vez que o computador era chamado para fazer uma operação de raiz quadrada, a impressora emitgia  a mensagem Celacanto provoca maremoto.

Anos depois, na Internet, um cidadão chamado Carlos Lopes (lopes@intersystems.com) confessou ser o autor da brincadeira.

Dez anos depois, segundo Carlos Alberto, ele foi chamado para grafitar um cenário do programa da Angélica na TV Manchete. Cobrou caro, aceitaram, ele foi num sábado para Niterói e pichou uma estação de trem.

Nos anos 80, Celacanto Provoca Maremoto virou um grupo vocal.

E acabou-se a história.

A Revolta da Vacina

outubro 4, 2007

Os governos têm grande dificuldade em aprender as lições da História, principalmente na área da Saúde. Por exemplo, aprendeu muito pouyco com a chamada Revolta da Vacina. E ainda não sabe usar os meios de comunicação com efetividade.

 A situação da saúde no Rio de Janeiro, no começo do século 20, era precária. A população sofria com a falta de saneamento básico, com o lixo nas ruas, o que provocava constante epidemias de febre amarela, de varíola, de peste bubônica. Os mais pobres, que viviam em habitações precárias e ruas imundas, eram as grandes vítimas numéricas. Mas enquanto eram eles que morriam, a elite não se mexia. O problema é que as epidemias começaram a fazer vítimas na classe média e na elite, matando inclusive turistas. Isso criou um problema político.

Preocupado com a situação, o então presidente Rodriguews Alves cuidou de sanear a cidade do Rio de Janeiro, de abrir uma grande avenida (a Avenida Central) que trouxesse ar fresco para o Centro e afastasse as doenças. Ao mesmo tempo, lançou um projeto sanitário, com aterro das águas podres e alagados. Pediu ao Congresso um lei que tornasse a vacina obrigatória, já que a população não se vacinava expontaneamente contra a varíola.

Chamou o médico sanitarista Oswaldo Cruz para chefiar o Departamento Nacional de Saúde Pública. E deu instruções para qued acabasse com a varíola. E que ela dava mau nome ao país, afastava os estrangeiros e matava desde o século 16. O Rio, em especial, era conhecido na Europa como o “túmulo dos estrangeiros”.

A 31 de outubro de 1904, depois de muitos debates, o Congresso aprovou a |Lei da Vacina Obrigatória por estreita margem de votos. Cionco dias depois a Oposição criou a Liga Contra a Vacina Obrigatória, sugerindo que o povo se revoltasse. Oswaldo CRuz colocou em lei colocou a lei em prática no dia 5 de novembro. Em menos de uma semana, a 10 de novembro, começaram os conflitos entre a população e as forças policiais, por provocação da Liga.

O povo parecia enfurecido. No dia 14 de novembro os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha rebelaram-se contra a vacina.

O problema foi a falta de comunicação, de uma campanha de esclarecimento, de informação sobre a vacina; e a forma autoritária e violenta como a vacina foi aplicada. Os agentes sanitários invadiam todas as casas de uma rua, arrombando as portas se fosse preciso, e vacinavam as pessoas à força, prendendo quem resistia.

 Isso provocou a revolta, apedrejamentos, pancadaria, mas a verdade é que a maioria não sabia o que era uma vacina, estava mal informada sobre a sua necessidade, sobre os seus efeitos, e tinha medo de ser contaminada, porque os opositores da vacina espalhjavam boatos terríveis, a impensa dava cobertura e até o senador Rui Barbosa tentava impedir a vacinação indo ao Suprfemo Tribunal contra a Lei. Para ele, a lei era “autoritária, anti-democrática e prejudicial à saúde e ao espírito do  povo brasileiro”.

A revolta popular aumentou dia-a-dia, alimentada pela imprensa e pelos folhetos da Liga, pelos reacionários de plantão e pela crise econômica, desemprego, inflação, alta do custo de vida e a reforema urbana que retirou à força a população pobre que vivia (mal) no centro da cidade, principalmente em cortiços.

E a vacina já existia há 200 anos.

Foi preciso decretar Estado de Sítio, em 16 de novembro, e suspender a vacinação obrigatória, colocando na rua o Exército, a Marinha e a Polícia, para acabar com os tumultos. Mesmo assim os conflitos populares ainda destruíram bondes, apedrejaram prédios públicos e espalharam a desordem pela cidade durante alguns dias, até voltar a calma e a ordem.

 Derrotados os militares e contida a insurreição popular com prisões, Rodrigues Alves mandou reiniciar a vacinação, casa por casa, rua por rua, com agentes da polícia dando segurança aos agentes sanitários.

Em pouco tempo a varíola desapareceu do Rio de Janeiro. Mas a revolta entrou para a história como o maior motim da cidade.

Muitos anos depois o governo ainda não sabia transmitir ao povo a idéia da profilaxia. A Primeira Campanha Nacional de Vacinação Contra Poliomielite gastou rios de dinheiro em publicidade, na televisão, no rádio, na imprensa escrita, em faixas e cartazes, anunciando o dia de vacinar as crianças de menos de 6 anos contra a polío. A vacina ainda era injetável e a injeção, tradicionalmente, as mães procuravam evitar.

No dia da vacinação, domingo de sol em todo o país, a vacinação que deveria dar cobertura a pelo menos 92% da população até 6 anos, a vacinação foi um fracasso estatístico.

Houve reuniões aflitas no Ministério da Saúde, tentando decifrar o mistério e fazer o diagnóstico do resultado. Não faltaram opiniões, cada um achando alguma coisa. Até que alguém lembrasse que Noel Rosa já dizia que quem acha vive se perdendo. E sugeriu que, para saber por que as mães não levaram os filhos para vacinar seria necessário perguntar a elas.

Uma pesquisa urgente de mercado revelou o óbvio, que jamais seria percebido pelas autoridades da Saúde: as mães não levaram os filhos para vacinar porque eles não estavam doentes.

A saúde pública, tradicionalmente voltada para a medicina curativa e não para a medicina preventiva, não havia preparado as pessoas para a profilaxia e a grande maioria nem imaginava o que fosse uma vacina. Exatamednte como em 1904…

Foi preciso que a Globo fizesse uma campoanha, urgente e massificante, afirmando que “vacina não é remédio” e chamando as mães para vacinar os filhos amtes que eles ficassem doentes e até fisicamente prejudicados pela paralisia infantiul.

A próxima campanha de vacinação foi um sucesso,

A Próstata Feminina

outubro 4, 2007

lsava (fazendo força para baixo, como se fosse iniciar uma defecação) e, segundos após, a uretra expeliu vários centímetgros cúbicos de um líqüido leitoso. Evidentemente o material não era urina e sua aprência era muito próxima á do líqüido prostático.” Depois de declarar-se confuso, Weisberg passou a entrevistar suas pacvientes com mais cuidado e algumas disseram que ejaculavam e outras que estimulavam a zona erógena em torno da uretar para terem prazer sexual. “Todas as que foram para casa com instruções para experimentar, afiormaram haver encontrado o Pknto de Gräfenberf. Hoje posso atestar que o ponto e a ejaculação feminina existem.” Um tablóide registrou o comentário da senhora Weisberg. “Ele sabe agora o que eu já sabia há muito tempo mas que eles não admitia porque eu não estava capacitada a falar sobre essas coisas”. Se oPonto G existe em todas as mulheres, por que ficou desconhecido por tanto tempo? E por que, só agorta se descopbriu que ele é a próstata feminina? Até hoje há muitos ginecologistas e sexólogos que negam o Ponto G, a próstata feminina e a ejaculação das mulheres, desconhwecendo osa rewsultados de uma pesquisa com 400 mulheres e que determinou a existência de trudo aquilo, sem sombra de dúvidas. E o motivo é simples: o machismo e a pouca importância que sempre se deu à sexualidade feminina. Além disso, em estado de repouso, a próstata feminina é quase imperceptível durante um exame ginecológioco normal, quando ela é apalpada mas não chega a ser estimulada. Só com pressão interna e estimulação adequada o Ponto G intumesce e se revel, pelo aumento do tamanho e pela possibilidade de provocar não só um orgasmo, mas vários, em seqüência, com ou sem ejaculação. O Ponto G ou próstata feminina se situa atrás do osso púbico, dentro da parede anterior da vagina, mais ou menos a cinco centímetros da entrada do canal vaginal. O tamanho e a localização exata variam. Quando a região é estimulada as mulheres geralmente experimentam uma sensação semelhante à necessidade urgente de urinar (o que pode não ser agradável para algumas delas), o Ponto G intumesce e pode ser sentido como um pequeno carfoço entre os dedos. E cresce, até o tamanhod e uma pequena moeda. Para a ,aioria das mulherews entrevistadas o orgasmo obtido a partir do estímulo da próstata é qualitativamente superiro ao orgasmo clitoriano. Curiosamente, a medicina grega já reconhecia, na Antiguidade, a importância do Ponto G para o prazer feminino. E sua desctição é razoavelmente correta. Mas a infdormasção perdeu-se, só voltando à tona no século 17, com o anatomista holandês Regnier de Graaf. Eles descreveu a mucosa membranosa da uretra em detalhes. E escreveu que a “a substância podia ser chamada, muito adequadamente, de pr´stata fewminina ou corpus glandulosum. E escreveu mais: “A função da prósdtata é gerar um suco oituito-seroso, que torna a mulher mais libidinosa. (…) Aqui também se deve notar que o corrimento da próstata feminina causa tanto prazer quanto o da próstata masculina”. Depos disso a literatura científica ignorou a próstata feminina até 1950, quando Gräfenberg tornou a descrevê-la mas sema afiormar que fosse a próstata feminina. Em 1978 é que Josephine L. Sevely e J.W. Bennet publicaram uma pesquisa sobre a próstata e a ejaculação feminina, inspirando outras pesquisas. Em 1982 foi publicado o livro Ponto G – Outras Descobertas, com o resultado das pesquisas sobre sexualidade feminina de Alice Ladas, Beverly Whipple e John Perry. A novidade que os pesquisadores brasileiros trouxeram ao assunto é a possibilidade da prátata feminina também desenvolver câncer, como a masculina.

Nós, as Rãs.

outubro 4, 2007

As Nações Unidas ainda não divuilgaram o chamado Relatório das Águas de 2007 porque a situação em um ano agravou-se de tal modo que os técnicos estão revisando todos os dados. No relatório assinado por 24 Agências da ONU, divulgado em 2006, às vésperas do 4º Fórum Mundial de Água (no México) foram alinhadas as principais razões para que um quinto da humanidade ainda não tivesse acesso a água potável e dois quintos ao saneamento básico: políticas governamentais ineficazes, mudanças climátgicas e ambientais, falta de recursos. E havia um alerta:se não fossem tomadas medidas urgentes e substanciais não seriam cumpridfas as Metas do Milênio de reduzir à metade o número de pessoas sem acesso a água potável e saneamento até 2015. Não forasm tomadas. Ao contrário, a situação está-se agravando.  De acordo com o estudo de 2006, coordenadopela UNESCO, 1,1 bilhão de pessoasno mundo ainda não tinham acesso a água potável; 2,6 milhões a saneamento básico. E essa deficiência tornava ainda mais devastador o impacto de doenças ligadas à pobreza. Segundo a Organização MUndial de Saúde, só de diarreis e malária morriam a cada ano mais de 3,5 milhões de pessoas, sendo 90% delas crianças. Segundo a ONU, apenas 12% dos países conseguiram estabelecer estratégias eficientes no gerenciamento da água e o Brasil não está entre eles. Os autores do rfelatório estimaram que até 2030 será necessário produzir mais 55% de alimentos na Terra, o que sighnifica mais irrigação. Irrigar consumia, em 2005, mais de 70% da água doce captada pelo ser humano. Outro relatório, divulgado em março de 2006 e assinado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), afirmava que os gases do efeito estufa (associados ao aquecimento global e às mudanças climáticas registradas nos últimos tempos), atingiram níveis inéditos na atmosfera, possivelmente os maiores em 30 milhões de anos”. Os especialistas também indicaram que anoi a ano está aumentando a concentração de dióxido de carbono (CO2), bem acima da média dos últimos 10 anos. Os níveis desse gás, o mais importante no efeito estufa, não dá sinais de estabilização e muito menos de redução. O dióxido de carbono responde por cerca de 90% do aquecimento registrado na última década é amplamentgo gerado pela atividade humana que envolve a queima de combustíveis fósseis na indústria, nos transportes e no aquecimento doméstico, segundo o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. Os cientistas alertam que essas emissões precisam ser redsuzidas, “urgente e imediatamente”, se a humanidade pretende “evitar uma catástrofe climática, com fortes ondas de calor, secas, inundações. o aumento do nível dos mares e o desaparecimento de regiões costeiras e de ilhas”. A situação já é tão grave, informa a OMM, que de agora em diante fará relatórios anuais e não decenais, porque os níveis de carbono na atmosfera já passam de 377,1 partes por milhão, 35% mais elevados do que os registrados antes do início da Era Industrial, em 1750. Há uma fábula sobre duas rãs, que os cientistas comprovaram ser verdade. Uma écolocada em águia fervente e, imediatamente, pula para fora da panela porque o calor é insuportável e ela procura sobreviver. A outyra écolocada na panela com água fria e fogo baixo e mal se dáconta do aumento da temperatura, até que a água ferva e ele morra.

Criminosos Fardados

outubro 1, 2007

As Nações Unidas informam que um em cada cem homicídios, no mundo, ocorre em São Paulo. É 1%, embora a população represente apenas 0,17%. Assim como afirma que São Paulo e Rio incharam, com tal velocidade que esmagaram os serviços públicos, inclusive a segurança, abrindo caminho para a violência urbana.

Uma boa parte dessa violência é obra de criminosos fardados, policiais; e a raiz dessa prática criminosa está na ditadura militar, é parte do chamado entulho autoritário. É que os militares, quando não queria sujar as mãos com as tarefas mais evidentemente criminosas da repressão, entregavam à polícia, principalmente à polícia militar, a missão suja. E a PM não sofria restrições, estava autorizada a torturar e matar. Habituados com essas práticas violentas que foram saudadas por conseguirem acabar com a subversão (sem cuidar do preço da vitória), desabituaram-se das práticas policiais e vntraram nos novos tempos democráticosacreditando que seus métodos deveriam continuar na nova luta contra o crime.

A classe média e a elite só se importam com a violência policial e a tortura quando o branco cheiroso (na denominação criada pelo professor Paulo Sérgio Pinheiro, do Núcleo de Estudos da Violência da USP) é atingido por ela. Se a violência é contra a população da periferia, o que se ouve são aplausos, como os que vimos e ouvimos nas platéis do filme Tropa de Elite para o BOPE que entrava matando e torturando na chamada comunidade.

O tempo só fez piorar a situação, porque os gestores da segurança pública nunca tiveram interesse em fiscalizar a segurança privada, porque sabiam que encontrariam lá seus comandados, fazendo bico para complementar a renda insuficiente. Sabiam que aquilo era  ilegal, mas imaginavam que fosse legítimo e honesto. Assim como sabiam que os policiais não podiam sobreviver dignamente com o salário que recebiam. E fechavam os olhos, calavam e consentiam,  exatamente para não terem que lidar com as inevitáveis pressões salariais, capazes de perturbar o serviço. O vínculo dos policiais de baixa patente com a segurança privada é que tornqava possível lidar com o orçamento insuficiente, irrealista, nebtiroso, falso, que reserva tão pouco para a segurança pública.

Em resumo: a segurança privada é que financia a segurança pública. E o tempo só fez piorar a situação, porque policiais de patente superior, porque policiais de patente superior, até mesmo do Alto Comando da PN, tornaram-se donos de empresas prestadoras de serviço. Ou suas mulheres e parentes, funcionando como laranjas.

Sem entrarmos no mérito dessa evidente ilegalidade e falta de ética, qualquer observador atento logo verifica a ioncompatibilidade: um servidor público não pode nem deve oferecer ao público, que paga impostos para ser servido, um serviço privado que está sendo mal prestado na área pública. Simplesmente porque é evidente que passa a ser do interesse privado, de cada agente individual da segurança pública, a decadência do serviço público oferecido.

O choque entre o interesse público e o interesse privado se revela pela constatação de que há mais pessoas trabalhando na segurança privada do que na segurança pública; de que o marketing da violênciq cria medo e paranóia para vender segurança; de que fata fiscalização competente dos agentes de segurança privados e seus serviços.

A passagem da informalidade para a criminalidade foi rápida e fácil. Daí a formação das milícias, que na fachada combateriam o crime mas que, na prática, acabou associado a ele.  Há muitas evidências de que as redes clandestinas de segurança pública têm conexões cada vez maiores com as redes criminosas. Elas cobram pela segurança que oferecem. achacan pessoas e empresas sérias obrigando-as a contribuir, estabelecem códigos de conduta que impedem até o uso de roupas de determinada cor (para alegria da facção criminosa com que se juntaram), toque de recolher, luto obrigatório e outras leis do arbítrio, julgando e condenando as transgressões. Fazem mais: como verdadeiras autoridades dos serviços concedidos, regulam a distribuição de luz, gás, telefone, televisão a cabo, transporte, venda e licença para ampliar construções.

O Estado Democrático de Direito está perdendo terreno, cada vez mais, para essa Nova Autoridade. E teve muitas áreas inteiramente subtraídas à sua autoridade. Para recuperá-las as autoridades de segurança têm que proibir o bico. Nas, para isso, seria preciso pagar bem às polícias e ter orçamentos verdadeiros e disposição política para enfrentar o problema da violência urbana e da exclusão social. Será que isto ainda é possível, diante do desenvolvimento e da sem-cerimônia do crime cada vez mais organizado?

Jogo pra Homem

setembro 29, 2007

Quando eu era criança, há 65 anos atrás, futebol era coisa pra homem. Essa era uma verdade consagrada, definitiva, indiscutível. Mais do que para homem, futebol era jogo pra macho. A tal ponto que não se admitia que alguém fosse chorar em público só porque, numa topada, a unha do dedão ficasse levantada. Em nome do macho suportávamos dores terríveis e o máximo que se admitia era uma careta, uma reclamação, uma jura de forra. Tanto era assim que a Chica, que jogava conosco e estava sempre entre as primeiras escolhidas no par-ou-impar, não era discriminada: era tida como homem e respeitada como macho. Tanto que beijava a Chininha e dizia que ela era a sua namorada. Além disso, chutava de bico, forte, como poucos meninos e em cada torneio ‘tava sempre disputando a artilharia. Lembro bem que algumas meninas, no Liceu Imaculada Conceição, não se conformavam dos  meninos serem dispensados da ginástica para jogarem bola e elas serem obrigadas a fazer o que na época era chamado de ginástica sueca. Elas tmbém queriam jogar bola e chegaram a ensaiar uma pelada, que a pronta intervenção de Dona Marta proibiu, sob a alegação de que futebol era coisa pra homem. E seria mesmo, porque tirante a Chica, as meninas não sabiam jogar bola, não tinham controle, davam de canela, chegavam a ser ridículas. Anos depois, na praia, vi algumas meninas fazendo uma linha-de-passe de responsa e eram, todas elas, excepcionais no controle da bola. Mas linha-de-passe não chegava a ser futebol, né não? Descrente do futebol, afastado dos estádios, triste com a violência dentro e fora do campo e com os técnicos que mandam chegar junto e bater, indignado com o tal do futebol força, mal e mal acompanho. A não ser em Copa do Mundo, nem sei bem a razão. Sendo Copa, dei-me ao trabalho de ver o futebol feminino. E vi futebol, bem jogado, com elegância, com classe, com arte, com troca de passes e lançamentos, com dribles incríveis e não vê pessoa reclamando de que aquilo era um desrespeito. Era não. Era arte. Nunca mais soube da Chica. Ou das meninas que queriam tanto o direito de jogar uma pelada. Mas me penitencio: futebol não é jogo pra homem. Não é mais. E se os homens ainda têm vergonha na cara deveriam aprender a jogar bola como joga a Marta, a Cristiane, Formiga, toda a Seleção Brasileira. Uma seleção que ainda se dá ao luxo de ter a Pretinha no banco. Só não concordo com a bobagem sugerida pelo presidente da CBF, que quer colocar uma estrela rosa no uniforme do Brasil, se as meninas forem campeãs do mundo. Se quer distinguir e separar, melhor que as novas estrelas sejam azuis. Cor de rosa fica para quando tivermos a seleção de gays.

O Verdadeiro Michael Jackson

setembro 24, 2007

Morreu, em Londres, aos 65 anos, Michael Jackson, na certeza de que não consigara ser tão famoso quanto “o outro”. Mas, para os amantes da boa cerveja, ele era um guru, o primeiro grande crítico a tratar as cervejas como obras de arte e bom gosto.

Na verdade ele era Michael Jakowitz, de família judia da Lituânia. Mas seu pai, Isaac, indo viver na Grã Bretanha, resolveu mudar seu nome de família para Jackson. Michael já nasceu na Inglaterra e era, reconhecidamente, very british.

Para nós, admiradores da cerveja, ele ficou conhecido a partir de 1977, quando lançou The World Guide To Beer (O Guia Mundial da Cerveja). Um livro que foi traduzido em mais de dez línguas e ainda é considerado básico, fundamental para quem quer estar bem informado sobre as cervejas do mundo.

Foi ele o introdutor das expressões alta fermentação e baixa fermentação para caracterizar e estabelecer a diferença fundamental entre as ale e as lager. Primeiro crítico de cerveja, teve um programa no Discovery Chanel, durante anos, The Beer Hunter (O Caçador de Cervejas) procurando insistentemente as melhores cervejas produzidas artesanalmente em todos os cantos do mundo. Michael Jackson é o principal responsável pela cultura cervejeira, valorizando as pequenas cervejarias em oposição às cervejarias industriais.

Colunista e crítico de cerveja, foi muito feliz ao criar roteiros turísticos para os verdadeiros apreciadores, principalmente na Europa. E servia de guia, com prazer.

Grande admirador das cervejas belgas, foi ele quem convenceu o governo da Bélgica a criar bares cervejeiros em todas as grandes cidades do mundo para tornar as cervejas belgas conhecidas e reconhecidas.Segundo ele, as cervejas belgas levavam uma vantagem inicial muito grande sobre todas as outras: eram artesanais, seguindo rigorosamente a Lei da Qualidade que proibe terminantemente o uso de qualquer substância química na fabricação da cerveja. A lei, originalmente da Bavária, na Alemanha, praticamente foi revogada na sua origem quando as grandes cervejarias entraram no mercado alemão e fizeram um violento lobby contra a lei.

Os belgas,ao contrário, não só impediram a invasão das grandes indústrias cervejeiras como criaram leis de proteção para os pequenos produtores. De tal modo que hoje, na Bélgica, há pelo menos uma boa cervejaria em cada cidade belga, valã ou flamenga.

Jackson, que sofria do Mal de Parkinson e era diabético, morreu de um ataque cardíaco, sozinho, em casa. Mas a doença não o impedia de escrever, viajar e beber cerveja. Segundo Tim Hampson, presidente do sindicato inglês de ewscritores sobre cerveja (British Guyil of Beer Writers) disse, no discurso fúnebre, que “ele foi simplesmente o melhor escritor que nós conhecemos”. Acrescentando: “Ele contou magníficas histórias sobre cervejas, cervejarias e lugares distantes. Ele contou a história da cerveja através das pessoas, tinha bom humor e era erudito ao mesmo tempo.

Autor também do livro The Great Beers of Belgium (As Grandes Cervejas da Bélgica) ele era um extraordinário provador, capaz de recponhecer cervejas pelo olfato e com o paladar. Grande apoiador do movimento das microcervejarias, sua série de documentários ajudou inclusive a estabelecer pequernas cervejarias brasileiras e a divulgar no exterior, por exemplo, a Baden Bade bRed Ale Especial, a Eisenbahn Lust, a Eisenbahn Weizenbock, a Baden Baden Stout Dark Ale, a Eisenbahn Rauchbeer (defumada), a Eisenbahn Strong Gold Ale, a Schmitt Barley Wine, a Eisenbahn Dunkel, a Caracu, a Boemia Weiss, a Xingu e a Bohemia Confraria, que colocou entre as melhores cervejas do mundo.

Depois de 30 anos de carreiora, escrevendo em jornal e revistas de gastronomia, dando seminários e fazendo palestras, aparecendo na televisão e produzindo documentários, ele estava para vir ao Brasil.

Modesto, seu web site começa assim: “Alô, meu nome é Michael Jackson. Não, não aquele Michael Jackson, embora em também faça turnês pelo mundo. Meu tour é à procura de cervejas excepcionais. Por isso é que me chamam de Caçador de Cervejas.”

Que descanse em paz e que encontre no céu uma cerveja divina.