A ALMA DO BRASIL

 

O barroco foi introduzido no Brasil no início do século 17 pelos missionários católicos, especialmente os jesuítas, como instrumento de doutrinação cristã. Seu apogeu na literatura foi com o poeta Gregório de Matos (O Boca do Inferno) e com o orador sacro frei Antônio Vieira. Nas artes plásticas com as esculturas de Aleijadinho e a pintura de mestre Ataíde. Na arquitetura, principalmente com as cidades históricas de Minas Gerais. Na música sobreviveram poucos mas belos documentos do barroco tardia, como as missas do padre José Maurício.

            Entre outras heranças que o barroco deixou no Brasil está o Carnaval, a maior festa barroca popular do mundo. Na verdade, o barroco é que ajudou a fundar nossa cultura popular, porque no Brasil, muito além da arte, o barroco se traduz numa maneira de festejar e viver, segundo a historiadora Cristina Ávila.

            O nome barroco vem de uma pérola exótica, de formato irregular, encontrada pelos portugueses na Índia e chamada de Baróquia. Barroco designava, primitivamente, qualquer forma artística bizarra e irregular.

            Colônia pesadamente explorada pela metrópole, lutando contra piratas, índios e a natureza selvagem, a corrente estética e espiritual cujo forte é o contraste, o drama, o sofrimento, a incerteza, a paixão, a bravura, a religiosidade, confunde-se e dá forma a uma grande parte da identidade e do passado brasileiro. Por isso mesmo o barroco já foi chamado de a alma do Brasil.

            Em ambiente de pobreza e escassez, o barroco brasileiro foi acusado de ser pobre e incompetente, quando comparado com o barroco europeu, erudito, cortesão, sofisticado e branco, Mas nosso barroco, popular, inculto, muitas vezes naif, feito por artistas sem preparo sólido e por artesão autodidatas mas muito criativos, deixou um acervo original e rico, entre a glória espiritual e o êxtase carnal que hoje é Patrimônio da Humanidade.

            A denúncia de luxo excessivo dos Reformistas e a recomendação de austeridade do Concílio de Trento foram ignorados no Brasil, onde o barroco teve um sentido cenográfico e declamatório fundamental para atraior o povo e seduzir as almas, com estímulos visuais que representavam os momentos mais dramáticos da história sagrada, com Cristos sanguinolentos, Virgens com o coração trespassado, santos sofredores e tristes.

            No Brasil, quase toda a obra barroca é religiosa. E a escassez de palácios e profusão de igrejas é a prova de que a arte colonial brasileira foi centralizada à serviço da religião.

            O barroco só perdeu força em 1808, com a chegada da Corte Portuguesa e seu gosto pelo neoclássico.

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