O ORIGINAL E GENUÍNO MOLHO DE WORCESTER

            Lorde Sandys nasceu em Worcester, cidade inglesa conhecida pela indústria de alimentos e principalmente por sua porcelana. Ele, bom gastrônomo, foi servir na Índia no começo do século 19.

            Sua primeira providência em Bombaim foi procurar um bom cozinheiro. Encontrou, a bom preço, um mestre de forno e fogão que fazia pratos elegantes, ocidentais e orientais, e usava para temperá-los um molho escuro de sua criação cuja fórmula não revelava por dinheiro algum.

            A história não revela como e o quê o bom Lorde fez para conseguir a receita, antes de voltar à Grã-Bretanha. Mas o fato é que conseguiu. Mandou comprar todos os ingredientes e trouxe-os consigo na bagagem.

            Em 1835, chegando à sua casa, em Worcester, passou a fórmula a dois donos de uma casa farmacêutica de manipulação, um certo Mr. John Wheeley Lea e um Mr. William Perrins, desde que tivesse fornecimento permanente do molho. Os ingredientes conhecidos: anchovas fermentadas, alho, cravo-da-índia, échalote (bulbo assemelhado à cebola), extrato de carne, melaço, molho de soja, pimenta-do-reino, essência de tamarindo, vinagre de malte, curry.

            O resultado não agradou ao Lorde, a Lea e a Perrins. E o molho foi parar, esquecido, em uma prateleira empoeirada.

            Só três anos depois os dois farmacêuticos encontram o molho e resolveram experimentar outra vez. O molho rejeitado havia se transformado em um tempero divino.

            Em 1837 começaram a produzi-lo em larga escala, deixando que ele envelhecesse por um ano, sob a marca Lea & Perrins e com o nome de Worcestershire Saúde, literalmente, molho da região de Worcester. Ou, simplesmente, para o mundo, Molho Inglês.

            O nobre inglês seria o 3º barão de Sandys, ex-governador de Bengala. Mas outros historiadores identificam de Sandys como seu antecessor, Arthur Moyses William Hill, o 2º barão de Sandys (1793-1860), uma figura pública, tenente-coronel do Exército Britânico, membro da Câmara dos Comuns.

            Só que um antigo funcionário da Lea & Perrins desmente toda a história e garante que nunca houve um barão de Sandys ou receita vinda da Índia (o que é bem pouco provável).

            Há ainda outra versão, segunda a qual o molho não teve pai inglês e sim mãe: Mary Hill (1774-1836), 1ª baronesa de Sandys, única pessoa a usar o título nobiliárquico familiar em 1835, ano da encomenda do molho a Lea e Perrins.

            Rótulos originais do molho alimentam a fantasia porque não mencionam a identidade do barão ou da baronesa. Diz apenas que o molho procedia “from the recipe of a nobleman in the county” (“da receita de um nobre do condado”).

            Inspirado por homem ou  mulher, é quase certo que o chamado molho inglês seja mais um dos produtos que os britânicos subtraíram da Índia, tornando-se a invenção britânica mais conhecida do mundo.

            Há algumas curiosidades em torno do molho: em 1904, quando o explorador e oficial britânico Francis Edward Younghusband ocupou militarmente a cidade de Lhasa, no Tibete, deparou-se com uma garrafinha do molho. E em 1970, os arqueólogos que escavaram as ruínas de Te Wairoa, na Nova Zelândia,  soterrada em 1886 pela explosão do vulcão Tarawera, também encontram um vidrinho de molho inglês. A vula havia sido soterrada comn as povoações de Te Ariki, Moura, e as escadarias e piscinas naturais de água quente dos Pink e White Terraces, uma formação geológica classificada entre as dez maravilhas do mundo. O molho estava ótimo.

            A receita, até hoje, é um segredo bem conservado num cofre da Lea & Perrins, mas há muitas imitações e tentativas de rprodução, em todo o mundo, inclusive no Brasil. Onde o tal molho inglês é feito de vinagre de cana, açúcar mascavo, alho, cebola, cenoura, corante caramelo, extratode carne, gengibre, molho de soja, pimenta vermelha, sal, salsa, salsão, cravo, canela e outros condimentos.

            O Worcestershire Sauce é versátil e pode temperar carnes em geral, ensopados, sopas, caldos, recheios. Faz parte também de um coquetel, o Bloody Mary.

            O produto original matura por três anos antes de ser comercializado. Por falar em original, ele, e só ele, recebeu da Câmara Alta britânica o direito de ostentar no rótulo o título de “original e genuíno”.

 

            Se o ilustre passageiro aspirar fazer bom molho, caseiro é bem verdade, tome nota, por favor, dos ingredientes:

·        uma xícara (das de chá) de açúcar;

·        uma e meia xícara (das de chá) de vinagre de álcool;

·        meia xícara (de chá) de água

·        uma pitada de pimenta-do-reino moída;

·        u,a pimenta vermelha picada;

·        uma folha de louro;

·        uma pitada de noz-moscada ralada;

·        um tablete de caldo de carne;

·        duas colheres (das de sopa) de extrato de tomate;

·        duas colheres (das de sopa) de azeite de oliva.

E anote como fazê-lo:

Numa caçarola coloque o açúcar e deixe amarelar em fogo brando, mexendo e cuidando para não queimar. Junte os outros ingredientes, menos o azeite. Deixe em fogo brando por mais 15 minutos. Retire do fogo e deixe descansar até o dia seguinte, mantendo a panela tampada. No outro dia coe o preparado em uma peneira fina e misture o azeite. Coloque em vidro escaldados e tampe. Guarde por pelo menos uma semana em local bem escuro e seco. E eis o molho pronto para ser usado.

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