Punhado de Ossos

 

Esse punhado de ossos que, na areia,

alveja e estala à luz do sol a pino

moveu-se outrora, esguio e bailarino,

como se move o sangue numa veia.

 

Moveu-se em vão, talvez, porque o destino

lhe foi hostil e, astuto, em sua teia

bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe a ceia

o que havia de raro e de mais fino.

 

Foram demais tais ossos, foram reis,

e príncipes e bispos e donzelas

mas de todos a morte apenas fez

a tábua rasa do asco e das mazelas.

 

E ali, na areia anônima, eles moram.

Ninguém os escuta. Ao ossos não choram.

 

                                                 Ivan Junqueira

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: