O Sono e o Julgamento Moral

            A revista Sleep publicou uma pesquisa do Serviço Médico do Exército americano revelando que a falta de sono pode fazer com que os soldados fiquem incapacitados para tomar decisões repentinas e certas, em situações emocionalmente extremas. A falta de sono foi determinada como sendo duas noites sem dormir ou três mal dormidas.

            Essa pesquisa confirma outra, do Centro Médico de Nottingham com médicos. Sem uma padrão regular de sono, os médicos ficam cada vez menos capacitados para tomarem decisões importantes. E se estiverem sem dormir há duas noites podem cometer erros fatais.

            Já se sabia que pouco sono afeta as funções da concentração e da memória.

            Os especialistas há muito tempo  afirmavam que pessoas diferentes têm diferentes necessidades de sono,  e que essa necessidade podia ir de três horas a oito horas por noite. Agora sabe-se que há caos extremos em que algumas pessoas precisam de 11 horas de sono e outra de apenas quatro períodos de 15 minutos. (Há, inclusive, um exemplo célebre: Napoleão cochilava 15 minutos e estava pronto para cumprir com as suas obrigações, mesmo no campo de batalha. E o mesmo acontecia com o Marechal Rommel.)

            Segundo William Killgore, do Instituto de Pesquisas Walter Reed, do Exército, a falta de sonho não leva a um declínio da moralidade, ou das crenças morais, mas pode prejudicar o julgamento moral. “O que acontece é que as pessoas ensonadas ficam seletivamente mais lentas em suas deliberações a respeito de dilemas morais pessoais e menos capazes de decidir com rapidez e qualidade.”

            Mas, na verdade, privados de sono por 72 horas, muitos soldados mudaram sua visão do que seria moralmente aceitável.

            A Sociedade Britânica para o Sono concorda. E afirma que a falta de sono faz com que as pessoas não reajam normalmente porque têm afetado suas capacidades de julgamento moral. Assim como afirma que quanto menos alguém dorme, pior a situação.

            A quantidade de sono para cada pessoa é determinada por seus genes, de acordo com cientistas da Universidade de Surrey, na Grã-Bretanha. Dizem eles que o gene Period 3 (apelidado de gene do relógio)  é o responsável pelas diferenças. E há duas variantes do Period 3 na população humana, em versão longa ou curta de determinada proteína.

            Os voluntários ficaram acordados em laboratório por 48 horas e depois foram submetidos a testes de atenção, reflexo e desempenho, segundo seu grupo (de gene longo ou curto). Os participantes de gene longo tiveram dificuldade em ficar acordados e os outros “viraram a noite” sem problemas..

            As diferenças nos resultados foram mais pronunciadas no início do dia, entre as 4 da madrugada e oito da manhã. O grupo do gene longo teve o pior desempenho nos testes de atenção e memória. E este é, exatamente, o período em que trabalhadores noturnos têm mais dificuldade de ficar acordados e quando ocorre a maior parte dos acidentes.

Os cientistas observaram ainda que quando os voluntários puderam dormir normalmente, os de gene longo passaram 50% a mais do tempo na forma mais profunda de sono, um sinal de que tinham necessidade de dormir mais.

            Outra descoberta importante é que, repetindo-se a experiência em tempo relativamente curto (uma semana), os pacientes de gene longo ficavam estressados. E que um único episódio de estresse extremo podia ser suficiente para destruir células nervosas do cérebro.

            Os pesquisadores da Universidade Franklin Rosalind, nos Estados Unidos, acreditam que a perda dessas células é uma das causas da depressão.

            A pesquisa foi publicada no Journal of Neuroscience.

            O estresse afeta as células do hipocampo, que é a área do cérebro responsável pelo aprendizado, memória e emoção. O hipocampo é uma das poucas regiões cerebrais que continua a desenvolver células nervosas durante toda a vida.

            O estresse não impediu a produção de novas células (como os cientistas suspeitaram) mas elas tiveram dificuldade em sobreviver, Isto significa que houve uma redução do número de neurônios novos para processar sentimentos e emoções. Uma semana após o teste, apenas um terço das novas células produzidas haviam sobrevivido.

            Vendo pelo lado positivo: os pesquisadores acreditam que o estudo possa ajudar no desenvolvimento de tratamentos para impedir que situações muito estressantes causem problemas de depressão. Como os neurônios não morrem imediatamente após o episódio de estresse, o tratamento imediato poderia impedir a perda de células.

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