Fungo Ameaça Arte Rupestre

            A Unesco ameaça a França de colocar as pinturas rupestres das cavernas de Lascaux na lista de patrimônios da humanidade em risco de desaparecer. Considerada a Capela Sistina da Pré-história, as cavernas têm centenas de pinturas com cerca de 17 mil anos de idade ameaçadas por fungos.

            Há anos a França luta contra as infestações de fungos em Lascaux, na região da Dordogna, sem sucesso. As cavernas foram fechadas ao público em 1963 e apenas uma réplica pode ser visitada pelos turistas, mas o comitê científico indicado pelo governo francês reconheceu o fracasso de um elaborado tratamento à base de fungicidas. Um grupo independente de arqueólogos e historiadores afirma que pelo menos a metade das centenas de imagens de cavalos, bisões, íbices e bois apresenta algum tipo de contaminação. Elas estão cobertas por fungos potencialmente destrutivos.

            Um comitê da Unesco deu aos franceses mais seis meses para eliminar os fungos que sujam as pinturas de cinza e preto. Se as pinturas forem incluídas na lista de sítios ameaçados, será uma grande derrota para a ciência e para a cultura da França, que sempre se orgulhou do seu trabalho de conservação do patrimônio.

            Lascaux é um complexo de cavernas, no sudoeste da França, muito famosa pelas pinturas rupestres. Elas foram descobertas por quatro adolescentes, em 1940, perto de Montignac, na Dordogna e quase imediatamente reconhecidas como patrimônio da humanidade.

            A disposição da gruta principal, cujas paredes estão pintadas com bois, cavalos e cervos selvagens, fazem pensar em um santuário. As investigações situam as pinturas no final do Solutrense e princípio do Madalense, há 17 mil anos. Mas algumas figuras certamente são de 15.500 anos, segundo datação com Carbono 14.

            Nos anos 50 um grupo de cientistas sugeriu que as pinturas estavam sendo atacadas pelo gás carbônico da respiração dos visitantes, Em 1963 foi tomada a decisão de impedir a entrada de turistas e foram tomadas medidas para controlar a atmosfera no interior da gruta. Agora, o que se diz no meio científico, é que a parafernália do ar condicionado é que transportou para o interior da gruta os fungos que estão atacando as pinturas e ameaçando destruir um dos tesouros da humanidade.e da arte rupestre.

 

            A arte rupestre ou pintura rupestre é o nome que se dá às mais antigas pinturas do homem. As mais antigas datam do período Paleolítico Superior, 40.000 antes de Cristo, e foram gravadas em abrigos ou cavernas rochosas e algumas vezes ao ar livre mas sempre em lugares protegidos.

            A Pré-história é a fase da História que precede a escrita e os estudos arqueológicos demonstram que o ser humano já produzia arte na África, na Ásia e na Europa, pintando e gravando nas paredes das grutas, fazendo escultura em ossos de animais, cerâmica e utensílios de pedra, instrumentos de caça em pedra e metal.

            O homem de Neandertal já pintava usando cores. As chamadas Vênus Esteatopígicas, esculpidas em pedra ou marfim, são figuras femininas estilizadas com enormes seios e bundas arrebitadas

             De um modo geral, as pinturas rupestres impressionam pelo realismo e pela técnica do claro escuro.

           Os especialistas dividem-se: uns afirma que a pintura é uma forma de “magia propiciatória”, destinada a garantir o êxito dos caçadores. Mas para outros era apenas arte, para o prazer de produzir e ver.

            Os materiais mais usados são o sangue, a argila e excrementos humanos. Estima-se que tenha começado no Período Aurignaciano, alcançando o seu apogeu no Período Magdaleniano do Paleolítico.

            Uma teoria muito aceita, baseada em estudos de sociedades mais recentes de coletor-caçadores, é que as pinturas foram feitas por xamãs do grupo dos Cro-Magnon. Os xamãs entrariam nas cavernas para ficarem no escuro, onde,  entrariam em estado de transe para pintar.          

            Normalmente os desenhos são figuras de grandes animais selvagens, bisões, cavalos, cervos. A figura humana surge raramente, em desenhos esquemáticos e não de forma naturalista, como acontece com os animais. Também é comum encontrar palmas de mãos humanas e motivos abstratos, linhas emaranhadas.

            Quando Marcelino Sanz de Santuola encontrou as pinturas de Magdalenia, na caverna de Altamira, na Cantábria, Espanha, elas foram consideradas uma fraude pelos acadêmicos espanhóis. Eles afirmavam que os humanos primitivos não poderiam ser suficientemente avançados para criar arte. Émile Cartilhac, um dos mais respeitados historiadores do século 19, especializado em Pré-História, escreveu vários artigos afirmando que as pinturas haviam sido forjadas por creacionistas (que sustentavam a criação do homem por Deus), para ridicularizar Darwin.

            Mas a datação científica das pinturas rupestres acabou com todas as dúvidas.

            Os sitos mais conhecidos e estudados estão na Europa, principalmente na França e no norte da Espanha, em Portugal, na Itália, na Alemanha, nos Bálcãs e na Romênia. No Norte da África, na Austrália e na Sibéria são conhecidas centenas e centenas de grutas com pinturas rupestres, mas são pouco estudadas. É o mesmo caso do Brasil, onde as manifestações de arte rupestre mais conhecidas são as de Naspolini, em Santa Catarina; as de Lagoa Santa, em Minas; e as do Parque Nacional da Serra da Capivara, onde há 260 sítios arqueológicos com pinturas rupestres.

            As datações brasileiras são de 10 mil a 12 mil anos, embora uma datação recente indique 50 mil anos, o           que seria uma impossibilidade porque os primeiros seres humanos na América datam de 13 mil anos.

                       

 

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