O Orgulho Americano

            A belgo-brasileira InBev é a maior cervejaria do mundo ao comprar a americana Anheuser-Busch, retomando a liderança do mercado que havia perdido no ano passado para a SAB Miller. Ela passa a produzir um quarto de toda a cerveja produzida no mundo. O presidente-executivo da InBev, o brasileiro Carlos Brito, será o novo presidente da companhia que produz a Budweiser, e a Bud Ligh, as cervejas mais vendidas no mundo e um dos símbolos americanos. A operação de compra já durava um mês. O acordo é o maior da indústria e a terceira maior aquisição de uma empresa norte-americana na história.

            Agora, a InBev tenta comprar a maior cervejaria do México, o Grupo Modelo, cujo controle é de 50% da Anheuser. O grupo produz a cerveja Corona e a melhor cerveja preta do mundo, a Negra Modelo.

            A compra já está provocando uma forte reação nacionalista nos Estados Unidos. O International Herald Tribune disse q       eu há um “fervor patriótico” porque a Bud está “entranhada na consciência americana”. A Budweiser é, por exemplo, tradicionalmente, a maior anunciante do Super Bowl, a final do campeonato nacional de futebol americano.

            Anunciada como o Rei das Cervejas, a Bud é identificada como a primeira cerveja que o americano experimenta e a última que ele toma. O jornalista Paul Farhi, em artigo assinado no Washington Post, escreveu: “Eles podem comprar nossos títulos do tesouro. Eles podem reclamar a posse de nossos bancos e dos nossos edifícios maiores comerciais. Mas eles podem realmente tomar nossa Budweiser ou Michelob?” Antes do acordo ser assinado ele apelava: “Diz que não, Bud!”

            A revista britânica The Economist pergunta: “Poderia alguma coisa simbolizar a perda da supremacia econômica dos Estados Unidos mais claramente do que sua marca de cerveja favorita cair em mãos estrangeiras?”  Para a revista, a venda da Bud vai fazer aumentar o sentimento protecionista entre os americanos”.

            A compra da Bud feriu o orgulho americano de tal modo que um cartunista, Bob Dell, imaginou dois árabes ricos conversando: “Agora eu acredito que eles aceitem nossas propostas de comprar a Estátua da Liberdade e a Casa Branca”.

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