A Pedra do Mar Morto

            Um achado, encontrado perto do Mar Morto, na Jordânia, é um raro exemplo de pedra com inscrição em tinta. É um manuscrito do Mar Morto, só que registrado em uma pedra de um metro por 50 centímetros, em duas colunas. Datada certamente de algumas décadas antes de Cristo, ela está rachada e parte do texto ficou quase ilegível ou se perdeu.

            A inscrição tem 87 linhas em hebraico e menciona a chegada de um Messias chamado Simão, que ressuscitaria três dias depois de morto. E isso está causando um grande rebuliço e polêmica nos círculos da arqueologia bíblica. Porque, em princípio, o achado significa que a idéia da ressurreição já fazia parte da tradição judaica daquele tempo.

            A placa de pedra já foi encontrada há dez anos e comprada de um vendedor jordaniano de antiguidades po uma colecionador suíço, David Jesselsohn, que a manteve em casa. Só no ano passado foi vista e examinada pela especialista em escrita hebraica Ada Yardeni.

            Boa parte do texto se refere ao Apocalipse, visão transmitida pelo anjo Gabriel e que faz parte do Antigo Testamento.

            Yuval Goren, professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, fez a análise química da pedra e garantiu que não há qualquer razão para duvidar da sua autenticidade. E Benyamin Elitzur, outro especialista em escrita hebraica, concluiu que o texto  data do fim do primeiro século antes de Cristo.

            Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica, viu confirmada sua antiga tese de que a idéia de um messias morto e ressuscitado

era anterior a Jesus.

            Diz ele que a figura citada na inscrição é um homem chamado Simão e está dito que o seu sacrifício era necessário para a salvação do povo de Israel. As linhas 19, 20 e 21 garantem que “em três dias vocês verão que o mal será derrotado pela justiça”. E a octogésima linha do texto começa com as palavras L’shloshet yamin, que significa em três dias. O problema é que a palavra seguinte está parcialmente ilegível, mas Knohl sustenta que se trata de hayeh, o imperativo de viver.

            A ressurreição depois de três dias torna-se uma idéia desenvolvida pelo judaísmo antes de Jesus, o que vai de encontro a quase toda a atual visão acadêmica cristã.

            Teriam os seguidores de Jesus conhecimento dessa história? Nenhum dos Evangelhos, nem mesmo os que não são aceitos pela Igreja, faz menção a personagens anteriores fazendo a mesma promessa de ressuscitar depois de três dias.

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