Archive for julho \16\UTC 2008

Fungo Ameaça Arte Rupestre

julho 16, 2008

            A Unesco ameaça a França de colocar as pinturas rupestres das cavernas de Lascaux na lista de patrimônios da humanidade em risco de desaparecer. Considerada a Capela Sistina da Pré-história, as cavernas têm centenas de pinturas com cerca de 17 mil anos de idade ameaçadas por fungos.

            Há anos a França luta contra as infestações de fungos em Lascaux, na região da Dordogna, sem sucesso. As cavernas foram fechadas ao público em 1963 e apenas uma réplica pode ser visitada pelos turistas, mas o comitê científico indicado pelo governo francês reconheceu o fracasso de um elaborado tratamento à base de fungicidas. Um grupo independente de arqueólogos e historiadores afirma que pelo menos a metade das centenas de imagens de cavalos, bisões, íbices e bois apresenta algum tipo de contaminação. Elas estão cobertas por fungos potencialmente destrutivos.

            Um comitê da Unesco deu aos franceses mais seis meses para eliminar os fungos que sujam as pinturas de cinza e preto. Se as pinturas forem incluídas na lista de sítios ameaçados, será uma grande derrota para a ciência e para a cultura da França, que sempre se orgulhou do seu trabalho de conservação do patrimônio.

            Lascaux é um complexo de cavernas, no sudoeste da França, muito famosa pelas pinturas rupestres. Elas foram descobertas por quatro adolescentes, em 1940, perto de Montignac, na Dordogna e quase imediatamente reconhecidas como patrimônio da humanidade.

            A disposição da gruta principal, cujas paredes estão pintadas com bois, cavalos e cervos selvagens, fazem pensar em um santuário. As investigações situam as pinturas no final do Solutrense e princípio do Madalense, há 17 mil anos. Mas algumas figuras certamente são de 15.500 anos, segundo datação com Carbono 14.

            Nos anos 50 um grupo de cientistas sugeriu que as pinturas estavam sendo atacadas pelo gás carbônico da respiração dos visitantes, Em 1963 foi tomada a decisão de impedir a entrada de turistas e foram tomadas medidas para controlar a atmosfera no interior da gruta. Agora, o que se diz no meio científico, é que a parafernália do ar condicionado é que transportou para o interior da gruta os fungos que estão atacando as pinturas e ameaçando destruir um dos tesouros da humanidade.e da arte rupestre.

 

            A arte rupestre ou pintura rupestre é o nome que se dá às mais antigas pinturas do homem. As mais antigas datam do período Paleolítico Superior, 40.000 antes de Cristo, e foram gravadas em abrigos ou cavernas rochosas e algumas vezes ao ar livre mas sempre em lugares protegidos.

            A Pré-história é a fase da História que precede a escrita e os estudos arqueológicos demonstram que o ser humano já produzia arte na África, na Ásia e na Europa, pintando e gravando nas paredes das grutas, fazendo escultura em ossos de animais, cerâmica e utensílios de pedra, instrumentos de caça em pedra e metal.

            O homem de Neandertal já pintava usando cores. As chamadas Vênus Esteatopígicas, esculpidas em pedra ou marfim, são figuras femininas estilizadas com enormes seios e bundas arrebitadas

             De um modo geral, as pinturas rupestres impressionam pelo realismo e pela técnica do claro escuro.

           Os especialistas dividem-se: uns afirma que a pintura é uma forma de “magia propiciatória”, destinada a garantir o êxito dos caçadores. Mas para outros era apenas arte, para o prazer de produzir e ver.

            Os materiais mais usados são o sangue, a argila e excrementos humanos. Estima-se que tenha começado no Período Aurignaciano, alcançando o seu apogeu no Período Magdaleniano do Paleolítico.

            Uma teoria muito aceita, baseada em estudos de sociedades mais recentes de coletor-caçadores, é que as pinturas foram feitas por xamãs do grupo dos Cro-Magnon. Os xamãs entrariam nas cavernas para ficarem no escuro, onde,  entrariam em estado de transe para pintar.          

            Normalmente os desenhos são figuras de grandes animais selvagens, bisões, cavalos, cervos. A figura humana surge raramente, em desenhos esquemáticos e não de forma naturalista, como acontece com os animais. Também é comum encontrar palmas de mãos humanas e motivos abstratos, linhas emaranhadas.

            Quando Marcelino Sanz de Santuola encontrou as pinturas de Magdalenia, na caverna de Altamira, na Cantábria, Espanha, elas foram consideradas uma fraude pelos acadêmicos espanhóis. Eles afirmavam que os humanos primitivos não poderiam ser suficientemente avançados para criar arte. Émile Cartilhac, um dos mais respeitados historiadores do século 19, especializado em Pré-História, escreveu vários artigos afirmando que as pinturas haviam sido forjadas por creacionistas (que sustentavam a criação do homem por Deus), para ridicularizar Darwin.

            Mas a datação científica das pinturas rupestres acabou com todas as dúvidas.

            Os sitos mais conhecidos e estudados estão na Europa, principalmente na França e no norte da Espanha, em Portugal, na Itália, na Alemanha, nos Bálcãs e na Romênia. No Norte da África, na Austrália e na Sibéria são conhecidas centenas e centenas de grutas com pinturas rupestres, mas são pouco estudadas. É o mesmo caso do Brasil, onde as manifestações de arte rupestre mais conhecidas são as de Naspolini, em Santa Catarina; as de Lagoa Santa, em Minas; e as do Parque Nacional da Serra da Capivara, onde há 260 sítios arqueológicos com pinturas rupestres.

            As datações brasileiras são de 10 mil a 12 mil anos, embora uma datação recente indique 50 mil anos, o           que seria uma impossibilidade porque os primeiros seres humanos na América datam de 13 mil anos.

                       

 

O Orgulho Americano

julho 14, 2008

            A belgo-brasileira InBev é a maior cervejaria do mundo ao comprar a americana Anheuser-Busch, retomando a liderança do mercado que havia perdido no ano passado para a SAB Miller. Ela passa a produzir um quarto de toda a cerveja produzida no mundo. O presidente-executivo da InBev, o brasileiro Carlos Brito, será o novo presidente da companhia que produz a Budweiser, e a Bud Ligh, as cervejas mais vendidas no mundo e um dos símbolos americanos. A operação de compra já durava um mês. O acordo é o maior da indústria e a terceira maior aquisição de uma empresa norte-americana na história.

            Agora, a InBev tenta comprar a maior cervejaria do México, o Grupo Modelo, cujo controle é de 50% da Anheuser. O grupo produz a cerveja Corona e a melhor cerveja preta do mundo, a Negra Modelo.

            A compra já está provocando uma forte reação nacionalista nos Estados Unidos. O International Herald Tribune disse q       eu há um “fervor patriótico” porque a Bud está “entranhada na consciência americana”. A Budweiser é, por exemplo, tradicionalmente, a maior anunciante do Super Bowl, a final do campeonato nacional de futebol americano.

            Anunciada como o Rei das Cervejas, a Bud é identificada como a primeira cerveja que o americano experimenta e a última que ele toma. O jornalista Paul Farhi, em artigo assinado no Washington Post, escreveu: “Eles podem comprar nossos títulos do tesouro. Eles podem reclamar a posse de nossos bancos e dos nossos edifícios maiores comerciais. Mas eles podem realmente tomar nossa Budweiser ou Michelob?” Antes do acordo ser assinado ele apelava: “Diz que não, Bud!”

            A revista britânica The Economist pergunta: “Poderia alguma coisa simbolizar a perda da supremacia econômica dos Estados Unidos mais claramente do que sua marca de cerveja favorita cair em mãos estrangeiras?”  Para a revista, a venda da Bud vai fazer aumentar o sentimento protecionista entre os americanos”.

            A compra da Bud feriu o orgulho americano de tal modo que um cartunista, Bob Dell, imaginou dois árabes ricos conversando: “Agora eu acredito que eles aceitem nossas propostas de comprar a Estátua da Liberdade e a Casa Branca”.

A Pedra do Mar Morto

julho 8, 2008

            Um achado, encontrado perto do Mar Morto, na Jordânia, é um raro exemplo de pedra com inscrição em tinta. É um manuscrito do Mar Morto, só que registrado em uma pedra de um metro por 50 centímetros, em duas colunas. Datada certamente de algumas décadas antes de Cristo, ela está rachada e parte do texto ficou quase ilegível ou se perdeu.

            A inscrição tem 87 linhas em hebraico e menciona a chegada de um Messias chamado Simão, que ressuscitaria três dias depois de morto. E isso está causando um grande rebuliço e polêmica nos círculos da arqueologia bíblica. Porque, em princípio, o achado significa que a idéia da ressurreição já fazia parte da tradição judaica daquele tempo.

            A placa de pedra já foi encontrada há dez anos e comprada de um vendedor jordaniano de antiguidades po uma colecionador suíço, David Jesselsohn, que a manteve em casa. Só no ano passado foi vista e examinada pela especialista em escrita hebraica Ada Yardeni.

            Boa parte do texto se refere ao Apocalipse, visão transmitida pelo anjo Gabriel e que faz parte do Antigo Testamento.

            Yuval Goren, professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, fez a análise química da pedra e garantiu que não há qualquer razão para duvidar da sua autenticidade. E Benyamin Elitzur, outro especialista em escrita hebraica, concluiu que o texto  data do fim do primeiro século antes de Cristo.

            Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica, viu confirmada sua antiga tese de que a idéia de um messias morto e ressuscitado

era anterior a Jesus.

            Diz ele que a figura citada na inscrição é um homem chamado Simão e está dito que o seu sacrifício era necessário para a salvação do povo de Israel. As linhas 19, 20 e 21 garantem que “em três dias vocês verão que o mal será derrotado pela justiça”. E a octogésima linha do texto começa com as palavras L’shloshet yamin, que significa em três dias. O problema é que a palavra seguinte está parcialmente ilegível, mas Knohl sustenta que se trata de hayeh, o imperativo de viver.

            A ressurreição depois de três dias torna-se uma idéia desenvolvida pelo judaísmo antes de Jesus, o que vai de encontro a quase toda a atual visão acadêmica cristã.

            Teriam os seguidores de Jesus conhecimento dessa história? Nenhum dos Evangelhos, nem mesmo os que não são aceitos pela Igreja, faz menção a personagens anteriores fazendo a mesma promessa de ressuscitar depois de três dias.

Inclusão Digital

julho 7, 2008

            Inclusão digital é a democratização do acesso às tecnologias da informação, para permitir ao máximo de pessoas a inserção na sociedade da informação. Inclusão digital, também chamada de infoinclusão, é simplificar a rotina dos computadores, maximizando o tempo e suas potencialidades.

            Um verdadeiro incluído digital não é aquele que usa o computador para passar e ler e-mails, jogar ou entrar em salas de bate-papo, mas que aprende e usa esse suporte para ter melhores condições de vida.

            Entre as estratégias de inclusão estão projetos e ações que facilitam o acesso de pessoas de baixa renda ás TIC, Tecnologias da Informação e Comunicação. E o desenvolvimento de tecnologias que ampliem a acessibilidade ao computador de usuários com deficiência.

            O objetivo principal da inclusão digital é dar à sociedade acesso às informações, principalmente as disponíveis na Internet, com o objetivo de produzir e disseminar conhecimentos. Hoje, talvez seja um dos maiores movimentos de inclusão social, em todo o mundo.

 

            O Brasil está desenvolvendo várias ações para aumentar a inclusão social. A maior, desde novembro de 2005, é o projeto Computador para Todos, do Projeto Cidadão Conectado que já financiou  20 mil computadores pessoais,

2% da meta que é vender um milhão a consumidores de baixa renda (entre três e sete salários mínimos) em 2008.

            Esse PC popular tem o Linux como sistema operacional e um conjunto de 26 softwares livres como aplicativos, inclusive editor de texto, aplicações gráficas e antivírus. Além disso tem suporte técnico durante um ano, com atualizações gratuitas de tempos em tempos.

            O financiamento pode ser feito pelo Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, ou nas redes varejistas cadastradas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

            São Paulo tem os dois maiores programas de inclusão digital: a Prefeitura mantém o Telecentros com mais de 160 unidades (20 computadores e uma impressora em cada uma), em todas as regiões da cidade, oferecendo cursos básicos e avançados de Informática, além de cursos e oficinas e livre acesso à Internet. O outro programa importante é o Programa Acessa São Paulo, com mais de 400 postos no Estado, um projeto premiado internacionalmente.

           

            A inclusão digital tem três pilares: tecnologia, renda e educação.

            Segundo a Fundação Getúlio Vargas, só 12% têm computador em casa e o Mapa de Exclusão Digital informa que só 8% estão conectados coma Internet.

            Ai8nda segundo a FGV-RJ, no âmbito empresarial as empresas digitalizadas têm melhores resultados.

            É a exclusão sócio-econômica que desencadeia a exclusão digital e essa acaba por agravar a exclusão social. E um parceiro importante para a inclusão é a educação, especialmente a educação continuada, porque é preciso levar em conta que os excluídos são, principalmente, indivíduos com baixa escolaridade, baixa renda, com limitações físicas e idosos.

            Dar acesso a terminais de computadores e ao correio eletrônico para a população, oferecer tarifas reduzidas para o uso dos sistemas de telecomunicações, criar mecanismos de isenção fiscal sem muita burocracia para o recebimento de doações de computadores e equipamentos de infra-estrutura, não será suficiente para promover a inclusão digital em grandes números. É preciso:

  • Desenvolver redes públicas que possibilitem a oferta de meios de produção e difusão de conhecimento.
  • Envolver universidades e escolas, professores e especialistas, num processo de construção de conhecimento.
  • Disponibilizar a conhecimento de museus e outros produtores de cultura,

      Inclusive no campo da música, do teatro, do cinema, da cultura de modo   geral.

Também será necessário, a curto prazo, integrar os currículos escolares e redesenhar o projeto pedagógico e a grade do ensino fundamental e médio. E considerar a computação na formação de profissionais de diversos cursos, a começar pelo de Pedagogia.

 

Para colaborar com a democratização do conhecimento, o Universia (www.universiabrassil.net) abriu uma sala de inclusão na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio.

A Sala Universia é um espaço dedicado à inclusão digital e tem o objetivo de disseminar o uso da Internet entre alunos, professores, funcionários e a comunidade, difundindo o conhecimento através do uso da tecnologia.

O espaço conta com recursos tecnológicos de ´última geração em computadores, impressora, scanner e servidor. E é parte de um projeto global da Rede Universia, atualmente agindo em 12 países. Em parceria com universidades, a rede oferece mais de 100 Salas e anuncia que vai continuar abrindo outras no Brasil.

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados promoveu o I Fórum Latino-Americano de Inclusão Digital (FID), reunindo especialistas do Brasil e da América Latina para “discutir as melhores práticas na oferta de bens e serviços de informática e de comunicações à população”. Eles examinaram os efeitos das várias iniciativas sobre o desenvolvimento econômico e as estratégias para conjugar esforços com políticas públicas de inclusão social.

Os programas do governo brasileiro devem levar a conexão em banda larga a mais de 50 mil escolas públicas urbanas nos próximos três anos e 130 mil professores serão treinados em informática nesse período.

A Câmara quer ampliar o intercâmbio com legislativos de toda a América, para oferecer apoio às plataformas regionais de promoção das Tecnologias de Informação e da Comunicação como instrumento de crescimento econômico e inclusão social.

           

 

A Força dos Ventos

julho 1, 2008

            De toda a energia consumida no mundo, atualmente, 1,3% é energia eólica, isto é, produzida a partir do vento. São quase 100 mil megawatts de capacidade instalada, principalmente na Alemanha, nos Estados Unidos e na Espanha.

            No Brasil, com todo o Proinfa, um programa para incentivar fontes alternativas de energia, apenas 0,1% da energia gerada em 2007 foi eólica. Até abril de 2008 só um terço dos 3,3 mil MW contratados estavam em operação.

            Agora, anuncia-se o fim do programa até o fim do ano e não há qualquer informação sobre o futuro do incentivo às fontes alternativas. O que se sabe é que o Proinfa foi um insucesso.

            Até 2006 o Brasil estava entre os vinte maiores geradores de energia eólica, mas não foi para frente. Em 2007, tendo crescido apenas 4,3% na sua produção, o país já estava em 25º lugar.

            O problema, como faz questão de salientar a Casa Civil da Presidência da República,é que essa energia é cara, embora pareça barata. Ela está custando cerca de R$ 220 o MW/h. Se o combustível (vento) é de graça, ela exige um enorme investimento,

            Por exemplo: uma usina com capacidade de 25 MW que está sendo instalada em Pernambuco vai custar cerca de R$ 110 milhões.

            Os ecologistas dizem que é energia limpa, que não traz danos ao meio ambiente, é renovável e não precisa alagar grandes áreas. É verdade; com uma vantagem: no período de menor fornecimento das hidrelétricas, por conta da falta de chuvas,coincidentemente é o período dos ventos.

            Os caminhos da sustentabilidade energética no país passam pela energia eólica, sem dúvida, mas fazendo as contas (sem contar o prejuízo ambiental) o custa da energia térmica por carvão é pouco mais da metade do custo da energia eólica.

            É, no momento, um problema político: devemos pagar mais, para reduzir as emissões que provocam o efeito estufa?

            Outro problema é a dificuldade de cumprir a obrigação legal de ter 60% de nacionalização dos componentes na montagem das centrais eólicas. Faltam incentivos (como na Alemanha e na Espanha) e uma estrutura regulatória com incentivos fiscais e leis locais que criem condições favoráveis ao estabelecimento de fábricas de turbinas eólicas. Assim como falta maior incentivo ao desenvolvimento de pesquisas e inovação tecnológica.

            Os modernos moinhos de vento estão cada vez mais desenvolvidos, do ponto de vista tecnológico, para aproveitarem os ventos ao máximo, e devem ser adaptados às condições locais.;

            O mundo está aprendendo: a capacidade de energia eólica está crescendo 30% ao ano e a Alemanha já tem 45% de toda a sua energia explorando os ventos.

            No Brasil, principalmente no Nordeste, temos condições de usar o s ventos como uma excelente fonte complementar. Como a energia solar. Seria melhor que déssemos mais atenção a esses projetos do que às velhas e sujas térmicas a carvão e a óleo.