O Desenvolvimento Sustentável é Nosso

O desenvolvimento sustentável já era praticado no Brasil antes que alguém houvesse criado a expressão e a teoria ecologicamente correta.

Foi Eliezer Batista, ao criar o Projeto Carajás, quem procurou antecipadamente o apoio de cientistas de diversas áreas, geomorfologia, hidrologia, botânica, para assessorar o planejamento. Segundo ele mesmo informou, “não dava um passo importante sem consultá-los“.

Carajás inaugurou uma nova mentalidade: os componentes econômicos do projeto tiveram o mesmo peso dos sociais e ambientais. E isso, inclusive, economizaria alguns milhares de dólares, no futuro.

Eliezer Batista tinha a mesma grandiosidade do projeto. Ele se preocupava com as condições ambientais e com as pessoas, num encontro de economicidade e sensibilidade. Não aquela economia sem preocupação humana, mas a que entende que trabalhadores mais felizes, melhores, mais preparados, que moram bem, comem bem, têm saúde, são bem pagos e têm boa educação e treinamento, vêm os filhos protegidos e educados, rendem muito mais.

Carajás montou, por exemplo, o melhor hospital da Amazônia. E todas as vilas operárias tinham uma infra-estrutura boa o bastante para que, mais tarde, se transformassem em cidades e não em favelões.

Carajás foi o único grande projeto brasileiro a receber recursos da Comunidade Européia, à época, por sua concepção inovadora, arrojada, que já naquele tempocuidava dos aspectos sociais, ambientais e financeiros com seriedade e respeito.

Desde o início foi implantado um programa de recuperação das áreas necessariamente degradadads, com o replantio de vegetação nativa. E a preservação do meio ambiente foi acompanhada de um projeto de urbanização inédito, um dos maiores e melhores já imaginados e executados na Amazônia. As casas eram confortáveis, de qualidade, assim como as escolas, com estabelecimentos de ensino aparelhados e de bom ensino.

Foi visitando o Projeto Carajás que Stephan Schimidheiny, empresário suíço, aprendeu a prática do desenvolvimento sustentável e teve a certeza de que ele era desejável e possível. Não apenas como uma experiência de desenvolvimento duradouro, mas de desenvolvimento humanizado e em harmonia entre as necessidades empresariais, os fatores econômicos, os sociais e os ecológicos do crescimento.

O Projeto Carajás mudou, definitivamente, a maneira de planejar grandes projetos, mostrando o absurdo dos projetos megalomaníacos mas apressados, predadores, capazes de empobrecer o meio ambiente e de devastar a terra, levando-a à exaustão.

Eliezer Batista ensinou, na prática (e mais de uma vez, como no Projeto Tubarão, por exemplo) que os bons projetos, sérios, como o de Carajás, eram sinérgicos e não anérgicos.

Schmidheiny, que já vinha construindo a teoria do desenvolvimento sustentável, não teve mais dúvida. Consolidou sua teoria com a prática de Eliezer Batista e apresentou-a ao mundo na Rio 92. E assim começou a história do World Business Coucil for Sustaineble Development (WBCSD), que congrega mais de 170 das maiores corporações mundiais e ajudou a criar uma nova mentalidade empresarial de respeito ao homem e ao meio ambiente.

Curiosamente, o Projeto Carajás foi vítima de uma enorme agressão de ambientalistas do mundo inteiro e a ser atacado “com fúria fundamentalista”, segundo Eliezer. O problema é que os desinformados e ligeiros ambientalistas (inclusive o Greenpeace) confundiram o Projeto Carajás da Vale do Rio Doce com o Projeto Grande Carajás, do governo Sarney. Este sim, foi um modelo de estímulo à atividade agropecuária na Amazônia e de desmatamento acelerado, trocando árvores por bois. O discurso da conquista do progresso em marcha forçada levou às maiores atrocidades ambientais. As atividades agropecuárias do Grande Carajás levaram a uma devastação florestal até então inédita. As companhias de ferro gusa se instalaram na região em 1980, usando o carvão resultante da queima da floresta nativa. E levaram anos devastando, até começarenm a usar carvão de florestas plantadas.

Eliezer foi mais de 20 vezes ao Parlamento Europeu explicar as diferenças fundamentais entre o Projeto Carjás e o Grande Carajás. Naquela altura ele tinha mais de um milhão de hectares de reservas florestais sob a sua guarda e tratava de preservá-las, integralmente. Mesmo assim chegou a ser considerado o anti-cristo dos ecocêntricos.

Hoje, sabe-se que ele até pecou contra a verdade, em defesa do verde. Quando, em 1958, começou a enorme devastação do norte do Espírito Santos, ele conseguiu convencer a diretoria da Vale do Rio Doce a copmprar grandes extensões daquelas florestas capixabas. Argumentou com a necessidade de dormentes para as estradas de ferro do Projeto Carajás. Ele nunca derrubou uma árvore, jamais tirou um dormente da notável Reserva de Linhares.

Elioezer Bastista também foi o primeiro grande empresário (depois de Delmiro Gouveia), a trabalhar, sem paternalismo ou assistencialismo, o conceito de inclusão social.

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