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A Rainha do Crime

janeiro 28, 2008

               Mais publicada que Shakespeare, Agatha Christie só perde para a Bíblia. Em inglês, foram um bilhão de cópias (por enquanto) e em traduções outro bilhão. Chamada de Duquesa da Morte ou de Rainha do Crime, Agatha Mary Clarrisa Niller Virlad adotou um  pseudônimo: Mary Westmacott para escrever romances água-com-açucar e peças teatrais de pouco sucesso, e depois assinou-se Agatha Christie para escrever oitenta romances policiais de muito sucesso, alguns deles transformados em filmes.

            Pioneira nos desfechos imprevistos, impressionantes e imprevisíveis (o que  faz com que o leitor não consiga descobrir o assassino até que ela o revele), fez a melhor literatura policial e ganhou os títulos de Duquesa da Morte e Rainha do Crime.

            Nascida em 12 de setembro de 1890, em Torquay, Wallingford, é a criadora de Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford, Parker Pyne e Mr. Quin.

            Agatha casou-se pela primeira vez em 1914, com o coronel Archibald Christie, do Corpo Real de Aviadores. Teve uma filha, Rosalind, e divorciou-se em 1928, conservando o nome do marido.

            Durante a I Grande Guerra trabalhou como enfermeira. Com uma forte gripe que a deixou de cama, começou a escreveu para passar o tempo. Continuou a escreveu encorajada por Éden Phillpots, teatrólogo amigo da família. Escrevia história melosas, melancólicas, em que a maioria dos personagens morria.

Em 1926, após a média de um livro por ano, escreveu o que considerava seu melhor livro: O Assassinato de Roger Ackroyd, primeiro livro pára a editora Collins, começando um relacionamento que durou 50 anos e 70 livros. Foi o primeiro a ser transformado em peça de teatro (O Álibi). Nele foi criado o personagem Hercule Poirot, o pequeno detetive belga que se tornou mais popular que Sherlock Holmes Mereceu até estátua na Bélgica. (Os franceses dizem dos belgas o que os brasileiros diziam dos portugueses.)

Cada vez mais distante do marido depois da compra de uma casa de campo, ficava sozinha porque ele dedicou-se ao golfe três vezes por semana e por todo o fim-de-semana. Omã morte da mãe, ela resolveu assumir e organizar a propriedade da Família Ashfield, em Torquay. Ela e o marido resolveram fechar a casa depois que ela acabasse de organizar os documentos e objetos antigos da família. Ficou três meses sozinha e ele morando em Londres, no seu clube.

Com a missão concluída, iam reunir-se para uma viagem à Itália, mas Archibald pediu o divórcio: durante sua temporada londrina havia encontrado Nancy Neele e resolvido casar.

Em dezembro de 1926 o carro dela foi encontrado abandonado, com as portas abertas, á beira de um lago. Não havia indício do seu paradeiro nem uma linha escrita para justificar seu desaparecimento.

A polícia fez buscas intensas, sem sucesso. Os jornais noticiavam seqüestro, assassinato, crime. O marido infiel tornou-se o principal suspeito.  O lago foi drenado porque, pressupostamente, o marido jogara seu corpo no lago, depois do crime.

Depois de 12 dias o empregado de um hotel na cidade de Harrogate telefonou para a Polícia, informando que uma hóspede do hotel era “a cara na mulher desaparecida”. A Polícia foi lá e os investigadores viram que a hóspede Theresa Neele (o mesmo sobrenome da amante do marido) era Agatha. Ela ainda estava em pleno surto de um colapso nervoso.

Agatha jamais se explicou ou esclareceu o fato e chegou a ser acusada de ter dado um golpe de marketing

Em 1930 casou-se com o arqueólogo Sir Max Mallowan, 14 anos mais moço que ela, com quem viajou muito pelo Oriente Médio. Um casamento que durou até que a morte os separasse e que deu a ela cenário para muitos livros.

Durante a II Guerra Mundial trabalhou como voluntária na farmácia de um hospital e aproveitou para especializar-se em venenos. Muitos dos assassinatos em seus livros são cometidos com veneno.

A Ratoeira, sua peça mais famosa, estreou em 1952 e ficou em cartaz por 50 anos. É a peça de maior duração em cartaz na história e foi sempre encenada no mesmo teatro de Londres. Quando se resolveu tirá-la de cena a casa continuava lotada mas estava difícil encontrar atores que se dispusessem a renovar o elenco…

Agatha Christie foi feita Dama da Ordem do Império Botânico em 1971.

Ela morreu em 1976 e desde então vários livros ainda foram publicados, inclusive Um Crime Adormecido, Os Casos Finais de Miss Marple, Enquanto Houver Luz.Cai o Pano, narrando a última aventura de Hercule Poirot, foi publicado pouco antes da sua morte. Causou escândalo e até passeatas de protesto contra a escritora. Mas, numa entrevista coletiva, ela explicou que preferia matar Poirot  para evitar que, depois da minha morte, ele se envolvesse em aventuras que eu não aprovaria”.

Agatha Christie morreu de causas naturais, sem mistério, de causas naturais, em 12 de Janeiro de 1976. Deixou milhões de leitores e uma fortuna calculada em 20 milhões de dólares.

Ela está enterrada na Abadia da Torre (Torre Abbey) onde há uma placa comemorativa.

                       

Nossa Realidade É Virtual…

janeiro 28, 2008

     

            Uma nova teoria sugere que o universo não é real e que o chamado Big Bang não passa da inicialização de realidade virtual que já dura 15 bilhões de anos. A tese é do cientista Brian Whitworth, do Centro de Matemática e Computação Teórica da Universidade de Massey, Auckland, Nova Zelândia.

            É a primeira vez que um homem de ciência sugere que a realidade que vivemos não é objetiva, mas uma realidade criada pelo processamento de informação.

            Em defesa de sua tese ele começa lembrando que a física tem algumas leis estranhíssimas, embora todas provadas na teoria por equações matemáticas e na prática por experiências. E pergunta porque há necessidade de uma física macro, para as coisas observáveis, e um física micro, a quântica,

para tudo que é menor que o átomo… As partículas quânticas são teleportáveis e podem interagir simultaneamente quando induzidas ao emaranhamento quântico, de modo que se uma partícula fica num estado a sua gêmea ficará no mesmo estado, ainda que esteja em outro planeta.  Já na física da relatividade, a velocidade da luz não muda, é absoluta, enquanto a gravidade pode curvar o espaço e o tempo.

Brian lembra que, segundo a teoria do Big Bang, antes do universo não havia coisa alguma. Ele pergunta: como é possível que alguma coisa surja do nada e de tempo algum? Para ele, a aceitação de que vivemos uma realidade virtual, não objetiva (que nos parece bem real e palpável apenas porque fazemos parte dela) resolve todos os problemas da física.

A idéia do Big Bang faria sentido: é um grande boot e não há problema se antes do universo não havia nada, “porque antes não haveria mesmo tempo e espaço da forma como definidos no universo virtual”, “da mesma maneira que antes se  iniciar um computador nada existe.” Depois, esse universo virtual andaria de mãos dadas com todo tipo de cálculo, como quer a física, porque o processamento da informação é sua própria razão de existir.

“A teoria de uma realidade virtual poderia reconciliar a contradição entre a relatividade e a teoria quântica. A primeira mostraria como o processamento da informação cria o espaço e o tempo, e a segunda mostraria como, através do mesmo processamento, seriam criados energia, matéria e carga”, escreve Brian. “A famosa equação de Albert Einstein de transformação de matéria em energia seria simplesmente a informação indo de uma forma a outra…”

Embora cite o filme Matrix na sua tese, Brian afirma que no filme a realidade simulada existe dentro de um mundo físico. O que ele propõe é muito mais radical: que tudo o que existe seja fruto de um processamento externo. “Nosso próprio ato de observar o mundo pode cria-lo”, diz ele. Assim como na tela do computador, à medida que andamos por um mundo virtual ou game, o PC vai calculando a parte do mundo que estamos vendo e a exibe, no universo virtual isso também acontece, só que em três dimensões e dentro de nossa noção (programada, como são também as nossas sensações) de espaço e tempo.

A questão é que a interface em que vivemos é diferente de qualquer outra. Afinal, não somos feitos de pixels (ou somos?) e experimentamos tudo de dentro. Isto é, lembra André Medeiros nO Globo, se formos reais jogadores. Ai, como ele mesmo escreve, já seria outra história.