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O Estupro de Nanquim

dezembro 18, 2007

O Exército Imperial Japonês, em seu projeto de expansão colonialista na Ásia, durante 14 anos marchou sobre a China, de 1931 a 1945. E um dos momentos mais bárbaros dessa invasão  completou 70 anos agora em 2007, ignorado por quase todo o mundo. No dia 13 de dezembro de 1937 os japoneses entraram em Nanquim, a antiga capital da China. Nos três meses seguintes assassinaram mulheres, crianças, velhos, soldados que se entregavam desarmados. No chamado Estupro de Nanquim foram assassinadas no mínimo 200 mil pessoas (segundo o veredito do Tribunal de Guerra de Tóquio, em 1948) ou mais de 300 mil segundo pesquisas de historiadores.

Os japoneses sempre foram incapazes de admitir um holocausto dessas proporções. E a amnésia pragmática da China não permite fazer estardalhaço sobre essa ferida não cicatrizada no momento em que os dois países tentam uma reaproximação economicamente interessante para os dois.

O que reacende a memória do holocausto esquecido é um filme, o documentário Nanking, com roteiro e direção de Bill Guttentag e Dan Sturman (ganhador do prêmio de edição do FEstival de Sundance e agora nas telas americanas).

O filme mostra, em 90 minutos, como um grupo de estrangeiros, liderados por um alemão (simpatizande do nazismo), John Rabe,  consegue criar uma zona neutra, de segurança, na cidade invadida, salvando a vida de 250 mil chineses. Ele,  pessoalmente, na qualidade de prestigiado representante da Siemens, deu abrigo a mais de 650 pessoas em sua casa.

Usando seus contatos em Berlim ele criou a zona neutra, protegida por bandeiras nazistas, e evitou a entrada dos sanguyinários soldados japoneses em busca de chineses refugiados e de mulheres para serem usadas como escravas sexuais.

A casa de Rabe foi recuperada pela Universidade de Nanquim e é agora um memorial da resistência. O próprio Rabe escreveu um Diário com as atrocidades que testemuinhou nas ruas da cidade, mas o livro só foi publicado em 1997.

 O esforço de reconstrução e o desejo de receber investimentos japoneses fez calar os chineses e mesmo os americanos só tomaram conhecimento das proporções da tragédia em 1997, depois da publicação do livro de Iris Chang, uma pesquisadora sino-americana. Filha de pais crineses, fugidos pára os Estados Unidos depois da Revolução Cultural, ela pesquisou a história do massacre por falta de informações sobre o episódio, mesmo em clássicos como Memórias da Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill, e A segunda Guerra Mundial do historiador Henri Michel.

Suas detalhadas pesquisas acabaram por provocar um enorme trauma psicológico e forte depressão nervosa, que terminou com o seu suicídio, em 2004.

No Japão, nem o livro esdtá à venda nem o filme tem previsão de exibição. O Partido Liberal Democrático. no poder, declarou oficialmente que “depois de pesquisas e consultas a documentos” concluiu-se que “apenas 20 mil pessoas morreram no ataque a Nanquim, principalmente soldados chineses que resistiram”. Duas mentiras, porque Nanquim rendeu-se sem oferecer resistência armada.O Ex´percito macionalista chinês havia recuado, deixando Mamquim totalmente desprotegida.