O Massacre de Katyn

Depois de 120 anos sendo retalhada pelos vizinhos poderosos, a Alemanha e a Rússia, a Polônia vivia há 20 anos no mapa da Europa, estabilizada. Mas havia boatos e em setembro de 1939 sofreu uma dupla invasão: dos comunistas e dos nazistas, armando o cenário para o massacre de 22 mil oficiais poloneses.

A ferida do Massacre de Katyn ainda não  fechou, quase 70 anos depois e Andrzej Wajda acaba de lançar um filme, Katyn que é dedicado à memória do pai, morto na carnificina.

Em abril de 2006, sobreviventes e parentes das vítimas lçevaram o assunto à Corte Européia de Direitos Humanos, numa ação contra o governo polonês que protege, com silêncio, sua culpa histórica: os arquivos oficiais continuam fechados sob segredo de Estado e os culpados, os assassinos, estão protegidos.

Não foram os nazistass os responsáveis pelo massacre, mas os comissários soviéticos de Stalin, com quem a Polônia nem estava em guerra. Foram assassinados 22 mil oficias poloneses, prisioneiros de guerra, rendidos e desarmados.

Ignacy Felczak, aos 78 anos, presidente da Associação dos Ex-Combatentes poloneses do Rio de Janeiro, participou a resistência contra os nazistas. Primeiro como escoteiro, depois como guerrilheiro. E conta que Katyn é uma pequena aldeia nos arredores da cidade russa de Smolensk, a 560 quilômetros da fronteira polonesa atual. Um vilarejo que entrou para a História como símbolo da infâmia. Num bosque, nos seus areredores, homens da NKVD (a precursora da KGB) executaram com tiros na cabeçla 4.400 jovens oficiais poloneses. Foram as primeiras vítimas polonesas do comunismo.

Em duas outras cidadezinhas próximas, outros 10.200 tiveram o mesmo fim. Ma Bielorrússia e na Ucrânia, mais 7.305 mortos, totalizando 22 mil pessoas. Todos eram prisioneiros de guerra do Exército Veremlho que invadira o leste da Polônia sem aviso, enquanto Hiler esmagada a Polônia pelo oeste. Motivo: eram uma força anticomunista, católicos, nacionalistas, irredutivelmente anti-soviéticos, a maioria com formação universitária, membros da elite polonesa.

O que os camaradas estavam fazendo era remover a oposição à sovietização da Polônia, como afirmou o historiador George Sanford, autor do livro katyn e o Massacre Soviético de 1940.

Moscou sempre negou o crime, que atribuía aos nazistas, até que em 1943 foram descobertas as fossas coletivas. Os Aliados, para não desagradarem a Stalin que assumira o ônus principal de perdas humanas na luta contra Hitles, calaram-se.

Sóem abril de 1990 é que o líder reformista Mikhail Gorbachov assumiu a culpa do seu país na execução em massa. Arquivos russos foram abertos, mas parte deles foi transferida para Varsóvia, onde o segredo continuou sendo mantido. Bóris Yelsin confirmou o genocídio.

Agora, os poloneses querem um pedido formal de desculpas do governo russo, mas Vladimir Puttin, ex-agente da KGB, se recusa a fazê-lo e cobra da Polônia uma autocrítica por conta das suas ações de acobertamento praticadas por dirigentes comunistas.

O ódio aos russos tem muitas razões de ser na Polônia, mas o Massacre de Katyn talvez seja a pior. Além de ser emblemática. Sem um pedido formal de perdão dos russos, a reconciliação é impossível. Até porque, até hoje, a maioria polonesa tem menos confiança nos vizinhos russos do que nos alemães.

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