O Genocídio Armênio

         Genocídio armênio, holocausto armênio ou massacre dos armênios,  o título não importa: o certo é que houve uma matança de mais de um milhão de armênios que eram cidadãos do Império Otomano durante o governo (1915 a 1919) dos chamados Jovens Turcos.            Assim como ficou firmemente estabelecido que havia um plano organizado para eliminar sistematicamente os armênios, sua vida econômica, cultural e social.            Os documentos não faltam porque é o segundo genocídio mais estudado, depois do holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial pelos nazistas. (A propósito, antes de invadir a Polônia e já pensando no massacre aos judeus, Hitler teria perguntado ao seu Estado Maior em 1939: “Afinal, quem ainda fala hoje do extermínio dos armênios?”)            Os armênios adotaram o 24 de abril de 1915 como a data do início do massacre: foi quando dezenas de líderes armênios foram presos e massacrados em Istambul. Mas a matança vinha de antes.            A Armênia já era um império, com uma cultura rica, antes do século i da era cristã. Surgiu do reino de Urartu, por volta do Lago Van, no século 13 antes de Cristo. Os hayk (armênios) dominaram o reinado no século VII a.C. Em 189 a.C., depois da derrota do rei selêucida Antíoco II pelos romanos, dois dos seus generais, Artáxias e Zariadris, fundaram a Grande Armênia e a Pequena Armênia. Em 165 a.C. Tigranes III conseguiu unir os dois reinos. Em 301 foi o primeiro Estado a adotar formalmente o cristianismo como religião oficial, 12 anos antes de Roma.             Foi ocupada pelos partianos (iranianos), romanos, árabes, mongóis e persas. Em 1454 o Império Otomano (turco) e a Pérsia Safávida dividiram a Armênia entre si.            Em 1813 a Armênia foi temporariamente incorporada pelo Império Russo. Depois em 1820.Nos anos finais do Império Otomano, de 1915 a1917, no chamado governo dos Jovens Turcos havia milhões de armênios vivendo como cidadãos que sonhavam com uma Armênia autônoma, embora dentro do Império. As reformas de 1914 não satisfizeram o povo armênio e os intelectuais organizaram uma série de protestos. No dia 28 de julho começa a Primeira Guerra Mundial. Foi a oportunidade para os Jovens Turcos realizarem um premeditado projeto de aniquilação do povo armênio.Na noite de 24 de abril de 1915 foram aprisionados em Constantinopla Istambul) mais de 600 intelectuais, escritores, políticos, profissionais liberais, que foram levados à força e assassinados.Sem liderança, os armênios que viviam nos territórios asiáticos do Império Otomano foram presa fácil da deportação e do massacre.Mewlazada Rifar, membro do Comitê de União e Progresso, em seu livro Bastidores Obscuros da Revolução Turca, escreveu: “Em princípios de 1915 o Comitê de União e Progresso, em sessão secreta presidida por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa de extermínio, integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr. Behaedin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12.000 criminosos que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos armênios.”A propósito, o Dr. Nazim Bei escreveu: “Se não existissem os armênios, com uma só indicação do Comitê de União e Progresso poderíamos colocar a Turquia no caminho requerido. O Comitê decidiu liberar a pátria desta raça maldita e assumir ante a história otomana a responsabilidade a que este fato implica. Resolveu exterminar todos os armênios residentes na Turquia, sem deixar vivo um só deles: nesse sentido foram outorgados amplos poderes ao governo.”Quando os ingleses tomaram Alepo, encontraram documentos que confirmavam o extermínio proposital dos armênios pelos turcos. Um desses documentos é um telegrama circular dirigido a todos os Governadores:A Prefeitura de Alepo.. Já foi comunicado que o governo decidiu exterminar totalmente os armênios habitantes da Turquia. Os que se opuserem a esta ordem não poderão pertencer mais à administração. Sem considerações pelas mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios de extermínio, sem executar os sentimentos da conseqüência, é necessário por fim à sua existência. 13 de setembro de 1915.Os armênios foram, principalmente decapitados a golpes de sabre. Muitos foram fuzilados. Mulheres foram estupradas e eventradas. Crianças empaladas. Quase todos foram torturados antes de morrer. Os assassinos tinham a mais completa liberdade para agirem como quisessem contra as vítimas.Jovens armênios que haviam se apresentado no começo da guerra como voluntários, jamais foram enviados á Frente. Integraram brigadas para a construção de estradas e trincheiras. Terminado o trabalho, foram todos fuzilados.Entre 1915 e 1917 foram exterminados cerca de um milhão e meio de armênios e a Armênia Ocidental foi devastada e despovoada.Muitos foram encaminhados para os pântanos ou para os desertos da Mesopotâmia, onde as mães armênias ensinavam os filhos escrevendo o alfabeto armênio na areia.Depois da guerra tudo foi esquecido e os criminosos turcos nunca foram condenados.Em 1920 os armênios aceitaram a incorporação à URSS como República Socialista Soviética da Armênia, depois de existir brevemente como estado ameaçado: estavam novamente ameaçados pelos turcos.A Armênia só voltou a recuperar sua independência em 1991.Agora o assunto volta porque a República Francesa passou a considerar crime o não reconhecimento do genocídio dos armênios. Na verdade, uma decisão política para tentar impedir a entrada da Turquia na União Européia. Os turcos, por sua vez, nunca admitiu nem admite que tenha havido uma politica oficial de extermínio.Na atual legislatura do Congresso Americano tramita uma resolução que pede ao governo dos Estados Unidos que considere como genocídio o assassinato em massa cometido pelos turcos. Mas a Turquia é um leal aliado do Governo, um sócio confiável numa região normalmente dominada por radicais antiamericanos. Além disso, cedeu espaço para uma base militar estratégica para a campanha americana contra o Iraque.Inacreditável é que o lobby judaico americano está lutando na Câmara dos Representantes para que a resolução sobre o genocídio armênio não seja aprovada. Não interessa a Israel melindrar um aliado tão importante quanto a Turquia.Os assassinatos em massa, no século 20, mataram mais do que todas as guerras juntas: foram 25 milhões de russos, 25 milhões de chineses, 6 milhões de eslavos, 3 milhões de ucranianos, 2 milhões de sudaneses, 2 milhões de norte-coreanos, 1,7 milhões de cambodianos, 1,5 milhões de armênios, 1,5 milhões de bengalis, 1 milhão de ibos, 600 mil ruandenses, 500 mil indonésios, 500 mil ugandenses, 250 mil burundis, 200 mil sudaneses, 200 mil leste-timorenses, 109 mil kossovares. E a resposta a todos esses genocídios tem sido muito pouca (ou nenhuma) e muito tardia, inclusive nas Nações Unidos que passam anos discutindo o número capaz de configurar genocídio. O Conselho de Segurança da ONU retirou suas tropas de paz e deixou de salvar milhares de vidas tutsis em Ruanda porque considerou que o que havia era “um problema de política interna do país”.Como o genocídio é quase sempre obra das forças militares e ou policiais do pais, forças que representam a lei e a ordem, é quase sempre necessária uma intervenção internacional. Mas como a ONU não tem uma força internacional de resposta rápida, as Nações Unidas têm estado inativas ou com problemas políticos para agir, enquanto o genocídio passa a ser o pior problema de direitos humanos na Terra. 

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