O Choque do Futuro

 Para descrever a esmagadora tensão e a desorientação que as pessoas sofrem quando estão sujeitas a uma carga excessiva de mudança em um prazo demasiadamente curto, o sociólogo Alvin Toffler criou (em 1965) a expressão choque do futuro.

O choque do futuro está aumento na mesma proporção em que se acelera a comunicação e aumenta a velocidade das mudanças, porque é cada vez maior a diferença entre o ritmo da mudança ambiental e a capacidade de reação e adaptação humana a essas mudanças.

Nunca, na história do homem, viveu-se em um meio ambiente submetido a mutações tão velozes quanto hoje; e a tanta impermanência.

Além disso, essas mudanças não ocorrem de modo uniforme, nem atingem a todas as pessoas do mesmo modo.  O resultado é que estamos obrigados a conviver com indivíduos que apresentam reações desiguais e adaptações diferentes às mudanças; que têm concepções morais e valores éticos diferentes, assim como comportamentos diferentes. Porque os conceitos são vários, e até contraditórios, a respeito do tempo, do espaço, da economia, do trabalho, da religião, do amor, do sexo, da família, da educação e mesmo da saúde.  Valores de ontem já não valem coisa alguma para uns, mas ainda têm valor absoluto para outros; e ninguém é capaz de dizer, com segurança, quais são os valores da sociedade de hoje.  Verdades de ontem foram desmentidas e as pessoas estão perplexas diante da mutação incessante, nervosa e enervante, provocando  estresse, insegurança e problemas psicológicos.

Hoje, há uma insuportável carga de informação, e as pessoas que não conseguem defender-se dessa corrente de notícias acaba afundando nela.  A fadiga da informação aumenta o nível do estresse e pode causar outras doenças.  Antes disso, provoca uma paralisia na capacidade de analisar, de decidir, leva ao adiamento de decisões importantes, aumenta a ansiedade e as dúvidas, provoca decisões levianas, conclusões equivocadas e, em alguns casos, neuroses.  Em resumo: informação em excesso, mal digerida, pode ser tão perigoso quanto a desinformação e a contra-informação.

A isso chamamos de choque da comunicação, uma síndrome já reconhecida pela medicina.

O famoso choque entre gerações não envolve mais duas gerações; Na mesma geração há “gerações de comunicação” diferentes, de acordo com o modo como a pessoa se informa, é informada, absorve informação e é capaz de transformá-la em cultura.  É por isso que os choques estão aumentando, fazendo aumentar as crises porque a sociedade de hoje  comporta pessoas de níveis muito diferentes em suas informações, nos seus  valores e costumes.

As novidades incessantes, a mudança excessiva, nossa relativa   incapacidade física e mental de acompanhá-las e absorvê-las, provoca ansiedade e medo do futuro.  O choque do futuro não é mais um perigo potencial, mas uma doença real que atinge a quase todas as pessoas, mesmo que elas não percebam.  A doença da transformação é tanto física quanto psíquica.  O adulto que não consegue programar o DVD para gravar e chama uma criança para fazê-lo, conhece um pouco do sofrimento da inadaptação às mudanças.

O que é mais impressionante é a percepção de que as pessoas que provocam as mais amplas mudanças na vida dos outros não têm a menor noção do que estão provocando e das conseqüências dos seus atos.

Como é que podemos nos preparar para enfrentar as mudanças?  A verdade é que permanecemos miseravelmente ignorantes a respeito de como o ser humano será capaz de enfrentar as alterações sem entrar em choque.  A chamada  “educação para o futuro” e a “educação para a mudança” não estão resultando.  Apenas os psicólogos registram que algumas pessoas resistem, com uma força e uma convicção aparentemente irracionais, às mudanças. É uma forma de defesa, alienante, por certo, mas capaz de funcionar momentaneamente, ganhando algum tempo.

Uma das saídas talvez seja a ampliação da consciência do futuro, o exercício permanente do pensamento a respeito das mudanças, é estar preparado para o que vem, para os novos desafios da alteração imaginável.  É, ao contrário de alienar-se, encarar o futuro, tentar estar em dia com as previsões de mudança.  É especular racionalmente, é tentar antecipar-se aos fatos e não se deixar surpreender nem admitir a superação, para nos colocarmos à altura da exigência incessante a cada vez maior por mudança que caracteriza o nosso tempo.

O choque cultural e a atordoante desorientação provocada pelo choque do futuro podem ser a mais importante doença social do século 21.  O mal-estar, a neurose coletiva, a irracionalidade, as drogas, os riscos conscientemente assumidos de contaminação pelo HIV, a agressividade descontrolada, a violência desmedida, o excesso de velocidade, a falta de limites, a corrupção, tudo são sintomas de uma doença que não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde e não está no Index Medicus, mas é o resultado já evidente da superposição forçada de uma cultura velha por uma  nova cultura. O que é pior: as vítimas são um enorme perigo para si mesmas e para os outros.

Os efeitos das revoluções tecnológicas que estamos atravessando, a revolução informática, a revolução biomolecular e a revolução quântica, serão mais profundos  do que qualquer mudança social que o ser humano tenha experimentado no passado.  Maior até do que a invenção da agricultura, ocorrida na idade neolítica.  Basta verificar o impacto de uma ferramenta contemporânea para acreditar nisso: a automação, em si mesma, é a maior de todas as mudanças em toda a história da humanidade.

Kenneth-Bpulding, economista e pensador social escreveu que “o mundo dos nossos dias é tão diferente do mundo em que eu nasci, como este o era  em relação ao mundo de Júlio César”.

As duas últimas gerações nasceram no meio do desenvolvimento da história humana.  Pode-se dizer que houve tanta mudança depois de termos nascido quando houve antes do nosso nascimento.  O século 21 será reconhecido, no futuro.como o século da encruzilhada, como a data que divide a história da humanidade em duas metades.  O que quer dizer que o futuro já chegou.

Nos últimos anos o mundo vem passando pelas maiores transformações da história da humanidade.  Agora a Terra é uma aldeia global; mas nunca estivemos mais tribalizados; a economia está globalizada, mas perdeu o dimensão do social, do humano; há cada vez mais trabalho e menos emprego; a informação ficou mais importante do que a cultura; o sexo por prazer  superou o sexo para reprodução e o sexo irresponsável vence o sexo seguro; criou-se uma variedade notável de extensões cada vez mais velozes para o homem, mas o trânsito nas grandes cidades flui mais lento que a caravana de camelos; o homem está cada vez mais místico e menos religioso; a expectativa de vida subiu com a qualidade de vida, mas a saúde pública está em crise em todo o mundo e velhas doenças erradicadas estão voltando com força total.

No Brasil, além disso, em menos de uma geração deixamos de ser um país essencialmente agrícola para ser um dos dez mais industrializados; passamos de eminentemente rural a desesperadamente urbano, com cidades inchadas, verticais, sem quintais, sem solidariedade humana, sem serviços de qualidade; trocamos o progresso lento pelo desenvolvimento desordenado e insustentado que cria excluídos; passamos a país rico e cheio de  miseráveis;  deixamos  de  ser conscientes  poupadores  para  sermos inconscientes  consumidores; aumentamos a expectativa de vida mas perdemos na qualidade; aumentamos o produto interno bruto mas ficamos entre os últimos do mundo em distribuição de renda. Nosso índice de desenvolvimento humano é dos piores do mundo, a mortalidade infantil é campeã, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres melhoram de vida pelo consumo, mas tornam-se miseráveis e excluídos. A violência é um fenômeno em ascensão e estamos entre os países onde há mais corrupção.

 Participamos de uma nova era, sem conseguir observála.  Sem admitir e nem sequer perceber que a era anterior desapareceu.

O professor e economista austríaco (naturalizado americano) Peter Drucker já anunciou o pós-capitalismo afirmando que, no futuro, o mercado continuará sendo o que mais importa, mas com uma diferença: estará necessariamente pactuado com o cidadão em um contrato social. Será o capitalismo social, com dimensão humana, ou não será coisa alguma.

Ele imaginou, para um futuro próximo, o capitalismo do conhecimento e argumentou: a terra, o capital e o trabalho estão produzindo lucros cada vez menores, e a mão-de-obra barata já não tem mais importância na competitividade.  A tecnologia que rende cada vez mais é o conhecimento,  e ele acreditava que, no futuro, o maior e melhor capital estará nas patentes e no know how, no saber fazer, na experiência provada. 

As pressões sociais são cada vez mais fortes e ameaçam ficar insuportáveis, porque o que provoca a violência não é a pobreza, mas a exclusão.  A globalização, que é o braço operacional do neoliberalismo, defende a sacralidade do livre mercado e sua única preocupação é a produção.  O que importa é agregar valor ao produto e a santíssima trindade é qualidade, competitividade e rentabilidade.  Por isso mesmo o projeto neoliberal não tem dimensão humana e acaba excluindo a maior parte das pessoas.  Nunca, na História, o desemprego foi tão grande e à economia neoliberal repugna custear a sobrevivência, a saúde, a educação e a previdência dos explorados e excluídos.  Em busca dos resultados contábeis os arianos econômicos fazem aumentar cada vez mais a distância entre ricos e pobres, encaminhando os excluídos para os guetos. Não demora muito e vão acabar sugerindo alguma solução final para os economicamente inferiores, segundo Viviane Forrester.

Como ela escreve, “vivemos em meio a um engodo magistral, um mundo desaparecido que teimamos em não reconhecer como tal e que certas políticas artificiais pretendem perpetuar.”

É hora de perguntar, como ela: “Quando tomaremos consciência de que não há crise, nem crises, mas mutação? Não mutação de uma sociedade, mas mutação brutal de uma civilização?”  Até quando vamo-nos enganar e quanto tempo mais será preciso para tomarmos consciência?

                                  

Na história do homem, os canais de comunicação de ponta sempre foram apontados como os responsáveis por tudo o que há de ruim na face da terra: a imprensa já foi culpada por todos os males, depois o rádio, o cinema, a televisão, a rede de computadores, os video games.  (Na visão da maioria, os culpados não somos nós, são os instrumentos que nós usamos…)

Caulos, com sua mineirice, fez um cartum em que Átila, o huno,  conversa com seu general favorito, em um campo de batalha coberto de cadáveres.  E diz: “General, como é que fomos capazes de fazer tudo isto sem ver televisão?”

Do tambor ao telefone celular, do moleque de recado à Internet, a história da comunicação entre os homens chegou ao tempo do celular global, um telefone sem fio, com plataforma digital, via 152 satélites em órbita, alcançando mais de 70% do planeta.  Com um prefixo para falar no país e outro com o resto do mundo, pode-se falar com 10 milhões de pessoas em qualquer canto da Terra.

E a verdade é que a grande maioria não está preparada para a crise da globalização e para as aceleradas transformações que a toda hora modificam o nosso ambiente. (Basta dizer que o impacto social da Internet foi dez vezes maior que o do tipo móvel de Gutemberg.) É preciso ter consciência da crise e fazer de tudo para não permitir que um número cada vez maior de pessoas fique indiferente, alheio, alienado, só pagando o preço da velocidade da comunicação e do choque do futuro. Esta é uma das funções sociais da mídia, da educação e da rede mundial de computadores.  A outra é tentar responder: para onde estamos indo.

Entre as mais estranhas doenças que podem afetar o ser humano está a progeria. É uma doença das células, que envelhecem a um ritmo anormal, aceleradamente.  Os sintomas são a senilidade, o endurecimento das artérias, a queda dos cabelos, o enrugamento da pele, catarata.  Uma criança de dez anos atacada de progeria morrerá por falência múltipla dos órgãos, com a aparência de um velho.

Os casos de progeria são, felizmente, muito raros.  Mas no sentido metafórico as sociedades altamente desenvolvidas estão sofrendo de progeria.  Não estão ficando velhas ou senis, mas estão experimentando índices anormais de alterações, de decadência física, mental e moral.  O chamado “desafio das mudanças” parece fora de controle.

Estamos, certamente, vivendo o mais estimulante período da história da humanidade, mas a maioria ainda teme as mudanças que, sabemos, estão em processo de aceleração.

Até o século 20 a mudança social era tão vagarosa que poderia passar despercebida ao longo da vida de uma pessoa.  Agora, isso é impossível. O índice de transformação aumentou de tal maneira que nem mesmo a nossa imaginação parece poder acompanhá-lo.

Só para dar uma idéia, a metade de toda a energia consumida pelo ser humano nos últimos 2 mil anos foi consumida apenas no século 20. 

O problema do sr humano, além da adaptação às mudanças, é o rimo de vida, porque a crescente aceleração das transformações no mundo está se refletindo no nosso equilíbrio interno, alterando a maneira como vemos a realidade.  A aceleração que se nota no exterior também se traduze numa  aceleração do nosso ritmo interno.

Os habitantes do planeta Terra estão divididos por esse ritmo. Um grupo ainda vive colhendo alimentos e caçando para sobreviver, como o ser humano costumava fazer há milênios.  Há os que dependem basicamente da agricultura. Vivem no passado e somam cerca de 70% da população.  A maioria dessas pessoas depende da agricultura, comem carne de gado criado, mas podem ser encontradas nas cidades da sociedade industrializada onde têm uma vida moderna.  São 25% do total e levam uma vida moldada na primeira metade do século 20, pela mecanização e pela educação de massa.  Essas são as pessoas do presente.  E há os que não são mais pessoas do passado e nem mesmo do presente, porque vivem aceleradamente, participando ativamente das transformações culturais e tecnológicas, vivendo o futuro.  São os agentes avançados da sociedade, os pioneiros do amanhã, anunciando o futuro superindustrial. Elas totalizam apenas  3% do total da população..  Os 2% que faltam droparam, isto é, desistiram do ritmo mais rápido, das grandes cidades, da competitividade, desengajaram-se, gostariam que o mundo parasse para que eles pudessem saltar.

A diferença de ritmo e a indiferença ao tempo podem ser extremamente irritantes. O paulista diz que os nordestinos são preguiçosos, porque a vida deles é regulada por outro ritmo.  Cada cultura tem seu ritmo próprio, mas os alemães não suportam a lentidão e os atrasos dos trabalhadores turcos. Os italianos de Milão desprezam os lentos sicilianos.  Os suecos não conseguem entender o devagar-e-sempre dos lapões.  Norte-americanos desprezam os mexicanos que deixam para amanhã o que podem fazer hoje.  E o poeta nordestino Ascenso Ferreira diverte-se com a pressa dos gaúchos, cavalgando à toda. Pra quê? Pra nada.

O resultado mais sensível dessa pressa, desse ritmo frenético, da nova sensação de tempo, é a transitoriedade, o clima e o sentimento de impermanência. Filósofos e teólogos sempre disseram que o ser humano é efêmero e que a transitoriedade é parte da própria vida.  Só que, hoje em dia, a impermanência é mais aguda, mais profunda.

As relações fragilizaram-se, com as pessoas, com os lugares, com as instituições, com as idéias e isto é que forma um tecido social que está esgarçado.

Vivemos, cada vez mais, em uma sociedade de utilizações não-duráveis e não é de estranhar que se estude como aproveitar o sentimento de transitoriedade para vender mais.  Entre as melhores qualidades de um produto a durabilidade já não importa como antes e assim como há especialistas que nos vendem a desejabilidade de um produto que, na verdade, não nos interessa, há especialistas em obsolescência planificada.  Isto é, engenheiros que estudam resistência de materiais, de modo a produzir bens duráveis, mas não tanto, que depois de um tempo pré-determiando precisem ser substituídos por um novo.

Isto criou o consumismo, onde o ter é mais importante do que o ser, um sentimento que vem sendo tão exagerado  que, insistimos,  já não basta ter, é preciso ter um novo.

No passado, a permanência era o ideal. Todas as energias criativas e produtivas eram centradas em dar a durabilidade máxima, com qualidade, aos produtos.  O ser humano fazia para durar e uma das conseqüências disso era uma sociedade estável.

A tecnologia desenvolvida fez baixar os custos dos manufaturados muito mais rapidamente do que os custos dos consertos, porque um é automatizado e o outro ainda é artesanal.  Freqüentemente é mais barato substituir do que consertar.  E, do ponto de vista da economia, é melhor produzir produtos baratos e descartáveis do que produtos caros que possam ser consertados.

Além disso, a tecnologia avançada produz, em grande velocidade, produtos cada vez melhores.  Cada geração de computadores é bem melhor do que a anterior e os intervalos dessa melhora são cada vez mais curtos.

À medida que a mudança é acelerada, atinge recantos cada vez mais remotos da sociedade e quase tudo, hoje, é efêmero, de consumo rápido, descartável, substituível, o que torna a própria sociedade instável e impermanente.

O crescimento do impulso que alimenta a cultura das utilizações únicas modifica também o ser humano e as suas reações sociais, encurta nossas vinculações com o mundo e torna mais transitórios até os relacionamentos humanos, criando  novas formas de relacionamento rápido, como a pegada ou a ficada.

As pessoas, hoje, têm menos bons amigos do que antes.  E, certamente, menos “velhos amigos”.  Uma simples mudança de endereço favorece o desgaste suficiente para esquecer uma amizade. Escrevendo sobre as amizades do futuro, o psicólogo Courtney Tall sugere “a estabilidade baseada em relacionamentos íntimos com umas poucas pessoas não terá qualquer importância efetiva, devido à alta mobilidade, ao raio maior de amplos interesses, à variedade de capacidade de adaptação e de transformação registrados entre os membros de uma sociedade profundamente submetida à automação e mudança”. Só as crianças ainda sentem a perda de amigos e conhecidos com uma mudança.

Os interesses das pessoas, mudando rapidamente, repelem e atraem outras pessoas com velocidade, fazendo e desfazendo relacionamentos.  As amizades de longa duração serão cada vez mais raras.

O ser humano já provou ser o mais adaptável dentre todas as formas de vida. E, por isso mesmo, é um sobrevivente que fez sucesso e dominou todas as outras espécies. Mas ele é um biossistema e todos os sistemas desse tipo atuam dentro de limites que não podem ser transpostos.  Há limites quanto à carga de mudanças que o organismo pode absorver e algumas exigências serão intoleráveis.

O psiquiatra Thomas H. Holmes e seu assistente Richard Rahe, criaram uma escala para medir as unidades de mudança de vida e o quanto dessa mudança uma pessoa pode suportar.  Como as mudanças nos atingem de modos diferentes, fizeram o inventário delas: mudança de casa, de trabalho, de cidade, no casamento, morte de parentes e mandaram a lista para milhares de pessoas de várias condições sociais pedindo que as colocasse em ordem de importância, segundo o impacto que provocavam e a dificuldade de adaptação que elas ofereciam.

Foram surpreendidos pela ampla concordância de pessoas com culturas absolutamente diversas e puderam montar uma escala com valores numéricos onde a morte da mulher é a única mudança com valor de 100 pontos.  Estudando as respostas sobre a adaptação, eles puderam até fazer uma relação das mudanças com a saúde física e mental das pessoas atingidas pelo impacto que elas provocam.  Quanto maior o impacto das mudanças, maior a probabilidade de adoecer de modo sério.  O que possibilitou definir que se nos submetermos a um número grande de mudanças de vida dentro de um período relativamente curto, isto representará um grande desafio para o nosso corpo e para o nosso espírito, pelo esmagamento dos mecanismos de adaptação.  

Quer dizer que existe uma relação próxima, uma conexão precisa, entre as defesas do corpo e as exigências de mudança que a sociedade impõe.  Vivemos em um equilíbrio dinâmico permanente, e quebrá-lo oferece perigo. Nós convivemos com vírus que só causam doença quando o nosso sistema imune é abalado, quando o sistema de defesa está em nível baixo.

Viúvos têm 40% a mais de possibilidade de morrer, até um ano depois da morte da mulher.  E viúvas têm 30% a mais de probabilidade de morrer no ano da morte do parceiro.

Em resumo: toda mudança tem um peso fisiológico e psicológico; e quanto mais radical a mudança, maior o preço a pagar nessa sociedade em permanente mudança e quase sem valores permanentes.

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