Matéria de Interesse Humano

Curso de Comunicação Avançada

para quem quer se preparar melhor

para o século 21 e para o futuro.

 

Um projeto de

LUIZ LOBO

 

 

Jornalista, pesquisador, professor, palestrante.

Ex-assessor do UNICEF para a América Latina e o Caribe

Ex-assessor da UNESCO na área da Educação.

Primeiro Diretor de Criação do Globo Repórter.

Criador e Coordenador do Criança Esperança durante 10 anos.

Jornalista Amigo da Criança.

Diretor do Grupo de Jornalistas para a Divulgação da Ciência


Título do Projeto

            Matéria de Interesse Humano.

Por que existe o projeto?

            Para divulgar matéria de interesse humano para as pessoas interessadas em compreender seu tempo e em preparar-se para o século 21, que vai ser de enormes transformações e avanços em várias áreas, quando a aceleração da velocidade da comunicação e do conhecimento chegarão a níveis inéditos.

 Para quê?

            Para que as pessoas não fiquem alienadas do processo. Isto exigirá um novo conceito de cultura e novos compromissos de participação, para que possam acompanhar os acontecimentos e interagir com as  mudanças.

Para alcançar o quê?

            Para alcançar um padrão aceitável de informação básica sobre o conhecimento do ser humano, sobre as revoluções do século 21 (as que foram feitas e as que deveriam ter sido feitas mas não o foram). Para ter notícia das prováveis conseqüências  para o futuro.

O projeto vai produzir o quê?

            Um total de 21 palestras sobre o conhecimento do ser humano, o futuro do ser humano e as crises que o ser humano está enfrentando.

Em que ordem?

            Em três módulos de sete palestras cada um:

  • O Conhecimento do Ser Humano
  • O Futuro do Ser Humano
  • As Crises do Ser Humano.

De que modo?

            No Módulo I, do Conhecimento Humano indispensável para entender o século 21, os temas são:

  • A Velocidade da Comunicação
  • O Choque do Futuro
  • A Globalização e a Exclusão Social
  • O Discurso Neoliberal e a Economia
  • O Genoma Humano:uma Lição de Humildade
  • O Ser Humano é um Erro da Evolução?
  • Introdução à Comunicação

No Módulo II, sobre as Revoluções do Ser Humano e que têm importância fundamental para revelar o futuro da humanidade, os temas são as três revoluções que ocorreram no século 20 e as quatro que não foram feitas mas deveriam ter sido:

  • A Revolução da Informática
  • A Revolução da Biociência
  • A Revolução Quântica
  • A Revolução Energética
  • A Revolução Ambiental
  • A Revolução na Educação
  • A Revolução Ética.

No Módulo III, sobre as Crises da Humanidade, os temas são:

  • A Crise do Pânico
  • A Crise da Violência Urbana
  • A Crise com o Narcotráfico
  • A Crise do Sexo
  • A Crise da AIDS
  • A Crise da Obesidade
  • A Crise de Comunicação Entre Pais e Filhos.

Qual é a forma?

            São palestras de 100 minutos cada uma, lidas, e com observações fora do texto, sem qualquer inibição para perguntas ou participação da platéia.

           

Com quem?

            O autor das pesquisas e das palestras é o jornalista científico Luiz Lobo, da Rio TV Câmara.

Em que prazo?

            Em 21 dias úteis.

A que custo?

            A custo zero para a Câmara Municipal, a não ser que se consiga um patrocinador interessado em ligar seu nome a essa iniciativa. Se a Câmara Municipal assim o desejar, a um custo baixo é possível dar a cada participante um CD com as sete palestras. (A R$ 5 por CD-ROM.)

Como medir resultados?

            Se houver interesse, apresentando a quem se inscreve um questionário que vai revelar seu conhecimento sobre os assuntos a serem abordados. Ao final das palestras o mesmo questionário será reapresentado e a diferença nas respostas é uma boa medida dos resultados.

A Nova Cultura

            Durante muitos séculos a cultura do ser humana foi baseada na memória. Primeiro porque não havia memória escrita e depois porque o homem estava tão habituado a memorizar que continuou se valendo dessa capacidade até a revolução da informatização.

            Antigamente a cultura era “de poço”, isto é, cada um escolhia sua área de interesse e começava a se aprofundar, cada vez mais, tentando reter o máximo de informação e notícia para ser reconhecido como um sábio. E não se importava de, a dois palmos do seu poço, ser um quase completo ignorante.

            Agora, na era do computador pessoal, ele é capaz de reter em sua memória muito mais do que a informação indispensável e até mais do que a informação necessária. E essa capacidade de memória está-se alargando de seis em seis meses. Há mais matéria e informação na Web do quie havia na famosa Biblioteca de Alexandria.

            A cultura deixou de ser “de poço” e passou a ser “de aluvião”. Nós recebemos informação, desinformação, contra-informação, diariamente, de várias fontes, quase incessantemente. E são essas informações que, depois de devidamente processadas, vão-se transformar na cultura do nosso tempo.

            É evidente que qualquer adolescente com acesso a um PC e razoavelmente interessado, tem muito mais informação a seu dispor do que qualquer sábio do século 19. E talvez seja mesmo esta facilidade que faça com que muitos jovens não estejam aproveitando da nova cultura.

            Mestre Oscar Niemeyer, em vésperas de completar 100 anos, ainda discute filosofia, a cada semana, e procura informar-se para não estar alienado e mal informado. E, com justa razão, critica a mocidade que tem tantas e tais oportunidades de informar-se, mas que ele surpreendeu em um diálogo:

            _ Você já leu Eça de Queirós?

            _ Quem é; filho da Rachel de Queirós?

            Há um mínimo de informação que se exige para quem quer atravessar o século 21 sem ser surpreendido. Desse mínimo estamos oferecendo os grandes temas que mais freqüentaram a mídia mais bem informada e formadora de opinião, como velocidade da comunicação e seus efeitos, a globalização, a exclusão social, o neoliberalismo, o choque do futuro.

           

É cada vez mais difícil fazer previsões para o futuro, até porque as revoluções que marcaram o século 20 (a informática, a molecular e a quântica) acumularam tanto conhecimento e criaram tantas especializações que  dificultam as especulações seguras.

Olhando para trás é fácil perceber que a maior parte das previsões do futuro falharam, a não ser aquelas pronunciadas em linguagem misteriosa e quase cifrada, que exigem interpretação e podem ser adaptadas a quase todas as situações da realidade. Nostradamus, por exemplo.

Por que as visões do futuro foram tão falhas? Porque geralmente refletiam o ponto de vista pessoal de um excêntrico, ou o desejo de alguém, ou o sonho de outro, quase sempre a maneira estreita de encarar o futuro.

No entanto, é da natureza do homem tentar prever o futuro e consultar o oráculo, principalmente na passagem do ano. Na passagem do século, então, foi inevitável um interesse maior pelo futuro e para especular a respeito do que é que esse século nos reserva a todos.

Tirando as leitoras de cartas de tarô, os consultores de búzios, as ciganas que dizem ler o futuro nas linhas das nossas mãos e outras figuras que mais tentam adivinhar do que prever, sobram os visionários, os falsos profetas e os futurólogos profissionais, todos dignos de pouco respeito. Por quê? Porque lhes falta a base, a informação suficiente e necessária.

Vejam a ficção científica e o caminho que ela percorreu: antes, era uma simples ficção, visionária. Aos poucos, à medida que a informação científica passou a amparar os autores e a permitir suas fantasias, ficou muito claro que o homem era praticamente incapaz de imaginar alguma coisa que, com recursos suficientes, não fosse possível realizar.

Em outras palavras, parece que o homem só consegue imaginar aquilo que, no futuro, será possível realizar, se ele tiver uma base científica, com suficiente apoio financeiro.

Cientistas de todo o mundo, de várias áreas, somaram suas previsões. E são elas que permitem traçar um quadro que, embora ainda seja especulativo, tem base na realidade e no progresso já alcançado pela tecnologia, pela ciência, pelo conhecimento do homem. Especulativo sim, mas não gratuito, anunciando uma revolução do conhecimento, mais profunda, mais completa, oferecendo mais resultados do que as do século passado, porque o conhecimento humano duplica a cada dez anos e na segunda metade do século 20 gerou-se mais conhecimento científico do que em toda a história humana anterior. Quando as revoluções começarem a interagir vamos testemunhar um progresso nunca visto pela humanidade.

A capacidade dos computadores dobra a cada 18 meses, no máximo. A rede internacional de computadores duplica de tamanho e alcance a cada 12 meses. Nos últimos quatro anos o número de seqüências de DNA sob investigação mais do que triplicou. A mídia registra, quase diariamente, avanços em computação, telecomunicações, biotecnologia, microbiologia. As mudanças que nos provocam são quantitativas e qualitativas.

A revolução quântica permitirá, no futuro, um dia, talvez ainda neste século, o controle da matéria. A revolução biomolecular tornará o homem capaz de modificar o próprio homem através da engenharia genética, e de criar vida, de sintetizar e inventar novas drogas, novas terapias, novas formas de vida. A revolução da informática, que já globalizou o mundo e está transformando-o a partir das comunicações, vai continuar mudando nosso modo de vida e um dia, talvez ainda no século 21, permitirá introduzir inteligência artificial em qualquer lugar do planeta.

Os três temas principais do século passado foram o átomo, o gene e o computador. Os deste século serão uma extensão natural desses temas, levados às últimas conseqüências. Como disse o Yogi Berra, “previsão é coisa muito difícil, especialmente quando é sobre o futuro”, mas os cientistas têm uma boa base e um bom conhecimento do que está acontecendo e do que eles estão investigando para que suas previsões sejam razoavelmente seguras e realizáveis, a partir exatamente do que eles já sabem.

Há 300 anos, no tempo de Isaac Newton, a vida era curta e brutal. Sua expectativa de vida era de 30 anos; as famílias tinham dez filhos, em média, para que dois ou três sobrevivessem; a maioria das pessoas era analfabeta e não tinha livros. Shakespeare nunca viu um texto seu impresso. A escola era para poucos. Quase todos passavam a vida em torno do local onde haviam nascido e não se aventuravam a mais de dois ou três quilômetros. Pouco antes do sol nascer já estavam trabalhando, principalmente no campo, e assim que o sol se punha já estavam na cama. Quase não havia distração, lazer ou esporte. A fome era epidêmica, e as doenças crônicas comuns. A ciência, como a conhecemos, não existia e as leis da natureza estavam cobertas de mistério, medo e superstição. E, no entanto, Newton foi capaz de fazer o que fez. Foi a mecânica de Newton que permitiu a criação de máquinas poderosas e, finalmente, o motor a vapor que provocou a Revolução Industrial e mudou o mundo.

O século 19 foi de intensa descoberta científica, tirando muitas pessoas da miséria e da ignorância, enriquecendo a vida, ampliando o conhecimento, derrubando as dinastias feudais.

No fim do século 20 a ciência já conhecia os mistérios do átomo, da célula, do chip eletrônico. Essas três descobertas desencadeadas pela revolução quântica, a revolução do DNA e a revolução da informática, abriram ao conhecimento do homem as leis básicas da matéria, da vida e da computação, abriram o futuro.

O século 21 começou prometendo transformar-nos definitivamente: para sobrevivermos é preciso deixar de poluir, de prejudicar a natureza, mas ao mesmo tempo deixaremos de ser passivos observadores para sermos participantes ativos.

Acreditem os moços: este vai ser, por muitos motivos, um dos tempos mais empolgantes para viver. Vocês vão colher o fruto de dois mil anos de ciência. A Idade da Descoberta está dando lugar à Idade do Domínio, como escreveu Michio Kaku (autor de Hiperespaço e de Visões do Futuro).

A virada do milênio e do século provocou, além do debate sobre a data exata dessa passagem, uma série de manifestações da mídia que pretendeu prever o futuro. Cientistas sociais, cientistas políticos, sociólogos, psicólogos, historiadores, escritores, artistas, filósofos, jornalistas, muita gente foi chamada e falou sem pudor. Mas não foram ouvidos os cientistas que trabalham com pesquisa nos laboratórios. Nem as previsões foram justificadas pela realidade do conhecimento científico.

Essas cinco palestras são baseados em previsões científicas de 150 especialistas nas mais diversas ciências. São previsões de cientistas profissionais (tendo sido reunidas por computador depois de 10 anos de pesquisa) que fazem parte do Movimento pela Divulgação da Ciência, uma iniciativa do Grupo de Cientistas para o Amanhã.

As leis subjacentes à biologia molecular, à computação e à  teoria quântica,  já estão definidas e estabelecidas, o que torna possível aos cientistas a previsão dos caminhos do progresso científico. Esta é a principal razão porque as previsões feitas aqui são mais precisas e nada fantasiosas quando lidam com matéria, vida e mente, os três pilares da ciência moderna. A miniaturização do computador eletrônico pessoal, a decodificação do núcleo da célula e a divisão do núcleo do átomo criaram esse futuro que é, para os cientistas, evidente.

“O século 21 é o limite do homem”, escreveu Arthur Clark, autor de ficção-científica, mas um cientista e futurólogo de sucesso. No que foi confirmado por seu colega Ray Bradbury: “O futuro chegou rápido demais e não estamos preparados para ele, física, mental, intelectual ou afetivamente”. Some-se a isto o que escreveu Alvin Toffler (o autor de Choque do Futuro): “O homem jamais foi submetido à velocidade de mudanças e à pressão do conhecimento como está sendo agora”.  Junte-se mais um depoimento, o do comunicólogo Umberto Eco: “O fracasso das grandes promessas da tecnologia colocam o homem diante da maior crise da humanidade. Devastamos o planeta, poluímos a terra, o ar e as águas, criamos muita riqueza e muita miséria para chegarmos ao século 21 com o futuro das próximas gerações ameaçado e a própria sobrevivência da humanidade em cheque.”

Por isso mesmo acrescentamos duas  revolução que não aconteceram, mas que deveria ter havido: a da energia e a do ambiente, vitais para a sobrevivência do ser humano no planeta.

 Finalizemos as citações com o grande físico brasileiro Marcelo Gleiser: “Quanto mais aprendemos, melhor dimensionamos nossa ignorância.”

A terceira parte do curso de comunicação avançada é dedicada às crises que o ser humano está atravessando e que servem para definir o perfil do Homo sapiens atual: a paranóia, a violência, a obesidade, o narcotráfico, o sexo desregrado, a AIDS e a impropriedade do relacionamento entre pais e filhos. Nós estudamos para sermos médicos,engenheiros, advogados, militares, para exercer qualquer papel na vida. Mas não estudamos para a política e menos ainda para servos pais ou mães, acreditando que o instinto é bastante para resolver os problemas de relacionamento que certamente surgirão. Não é, certamente. E essa ignorância está comprometendo o desenvolvimento físico, mental, intelectual, psicológico e principalmente afetivo das nossas crianças e adolescentes. Os sinais de alerta e perigo são evidentes mas continuam sendo ignorados. Pai e mãe abrem mão da autoridade que devem ter para serem amigos dos filhos. E a amizade não permite certas atitudes indispensáveis à boa educação. O resultado é a crise, cada vez pior e comprometedora do futuro.

Se a educação formal está inteiramente ultrapassada, voltada para a memória e não para ensinar a aprender, a informal, a familiar, está quase falida e como ela é a verdadeira educação familiar, aquela que molda o caráter e determina o tipo de pessoa que emergirá da criança, é urgente uma reação para salvar as gerações futuras.

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