A Velocidade da Comunicação

 A  comunicação  entre os seres humanos  chegou a

um ponto de aceleração que se tornou quase imediata. A aldeia global é uma realidade e a informática criou um novo tipo de cultura, democratizando o conhecimento. Mas nós não estávamos física ou psicologicamente preparados para as mudanças provocadas pela velocidade atual da comunicação.

O Homo sapiens deve ter, muito provavelmente, 250 mil anos na face da Terra, mas tomemos apenas os 50 mil últimos anos.  Se dividirmos por 62 anos e meio (que é a média da expectativa de vida em nosso planeta), teremos 800 gerações lineares.  A representação gráfica da humanidade historicamente provada pode ser uma linha reta com oito metros de cumprimento, cada centímetro significando uma geração.

            Seis metros e meio foram vividos nas cavernas e nos seis primeiros metros o homem quase não fazia cultura, por uma motivo muito simples: praticamente não se comunicava, por falta de uma língua estruturada.

            A criança só desenha quando é capaz de concatenar idéias, quando tem maturidade intelectual suficiente para deixar de riscar e rabiscar.  O homem começou a desenhar na parede das cavernas a partir do último meio metro daqueles  seis e meio que viveu dentro delas.  Também é preciso concatenar idéias para falar com sentido e a maioria dos pesquisadores concorda com Desmond Morris (zoólogo, autor de O Macaco Nu) de que foi por essa época que os homens puderam comunicar-se oralmente com alguma qualidade e bom entendimento.

            A partir daí a pouca cultura do homem acelerou-se e ele aprendeu, além de abrigar-se nas cavernas, a usar peles de animais para proteger-se das intempéries, a coletar comida, a lascar a pedra para fazer pontas de lanças que tornavam o seu braço mais comprido na hora de caçar. Mais do que isso, aumentou sua sobrevivência ao  aprender a fazer fogo e como conservá-lo para se aquecer e cozinhar.

A tecnologia do homem, na primeira época paleolítica, levava pelo menos 40 mil anos para chegar ao alcance de toda a população da Terra.  Com a linguagem, no entanto, acelerou-se bastante a comunicação e, conseqüentemente, a cultura: foram precisos apenas 10 mil anos para que a invenção da roda chegasse ao conhecimento da maioria.

Para imaginar e realizar a primeira linguagem escrita (no Egito ou na Mesopotâmia), foi preciso esperar muitas gerações: só aos 7 metros e 50 centímetros da nossa linha de oito metros é que o homem conseguiu uma comunicação mais efetiva de uma geração para outra, através de símbolos escritos que permitiam memória mais exata e melhor transmissão da mensagem.

Segundo o historiador Julian Huxley, a aceleração da evolução humana, durante a história escrita foi, no mínimo, 10 mil vezes mais rápida do que a evolução anterior.  Assim, a medida da aceleração do conhecimento passou a ser o milênio. Mesmo assim, os seres humanos não tinham conhecimento desses avanços.

Democratizar o conhecimento, através da palavra impressa, exigiu que se passassem mais quase 100 gerações.  Na representação gráfica a imprensa fica aos 7,90 metros, isto é, a apenas a dez centímetros do final da linha de oito metros.

Na Idade Média, com a palavra impressa, a medida de velocidade do conhecimento passou a ser o século.  O problema é que o novo canal de comunicação provocou reações, inclusive da Igreja Católica, que viu nos livros o poder do demônio e do pecado, condenou quem aprendesse a ler e escrever (a não ser que fosse da Santa Madre Igreja) e com isso assumiu e ficou com o Poder, por muitos e muitos anos.  E, como decidia o que podia e não podia ser publicado e lido, atrasou o desenvolvimento.

Por exemplo: Paracelso descobriu que podia usar o éter como anestésico nas cirurgias, mas os cirurgiões só vieram a ler e aplicar sua descoberta séculos depois.  A primeira patente da máquina de escrever é de 1714, mas só 150 anos depois é que as primeiras foram postas à venda.  Nicolau Appert descobriu como conservar e enlatar comida, mas seus filhos e netos não comeram enlatados, só produzidos pela indústria alimentícia 100 anos depois. Os exemplos são inúmeros e reveladores de como a falta de comunicação atrasou o desenvolvimento da humanidade.

Até o começo do século 20 a velocidade da comunicação havia mudado pouco, mas foi aumentando graças ao telefone e ao rádio. No entanto,  só na segunda metade do século é que aumentou notadamente, graças ao rádio de pilha, ao cinema e principalmente à televisão, acelerando-se a ponto de alterar a medida de mudança da cultura para um decênio. 

Hoje, o fax, o videotexto, os computadores, os cdrom, os satélites artificiais de comunicação a Internet e o telefone celular,  permitem a comunicação imediata e reduziram essa medida para menos de um ano, muito menos. A comunicação, hoje, é praticamente imediata. 

O ritmo cada vez mais acelerado da pesquisa, descoberta, invenção, difusão e exploração comercial faz parte da guerra de consumo, da globalização, da estratégia das indústrias multinacionais e transnacionais.. O consumidor, quase a cada dia, é surpreendido e exposto a novidades que, trabalhadas pelo marketing, despertam nosso desejo e até necessidade de consumir.

A esmagadora maioria dos bens materiais que usamos e consumimos, reconhecendo como conforto moderno e conquista da vida contemporânea, assim como praticamente toda a tecnologia aplicada em nossos dias, desenvolveu-se nos dois últimos centímetros da nossa linha de oito metros, isto é, no nosso tempo.

Há uma transitoriedade em tudo, o que cria um clima de impermanência que afeta a todos e abala até os valores éticos e morais.  Ter, no mundo consumista, tornou-se mais importante do que ser, e a verdadeira felicidade do consumidor já não é nem mais ter, e sim  ter um novo.

O futuro está chegando cada vez mais depressa, submetendo-nos a mudanças cada vez mais repentinas e acentuadas.  É certo que não estamos biologicamente preparados, nem fomos criados física e mentalmente, para a rapidez e o impacto dessas mudanças.  Nunca fomos educados para o futuro e nossas escolas, em todos os níveis, ainda são voltadas para o passado, para a memória, e não para a adaptação às mudanças, para aprender a aprender.

Especialistas em comportamento sabem que todas as mudanças são perturbadoras, em algum grau, e que as mais bruscas, inesperadas e profundas são estressantes. Para a maioria das pessoas, inclusive as educadas, a simples idéia de uma mudança radical é ameaçadora, provoca incerteza, insegurança, temor e resistência.

Meu avô, quando se formou, não precisou mais estudar porque durante toda a sua vida não surgiram novidades importantes na sua profissão. O meu pai já foi obrigado a estudar, para não ficar profissionalmente ultrapassado.  Eu saí da Faculdade consciente de que estava defasado com o conhecimento disponível e sabendo que não podia estar informado apenas na minha área profissional.  Meu filho saiu certo de que era preciso mudar o sistema educacional, voltado para a memória (o que o computador faz melhor e mais depressa) e não para o entendimento e o verdadeiro aprendizado que é o saber fazer ou saber como e onde procurar. Meu neto já é uma vítima da velocidade da comunicação e tem poucas possibilidades de reagir a ela de modo consciente e como resultado da educação que recebeu na escola.

Quando Einstein afirmou, em 1915, a relatividade do tempo e definiu o conceito de espaço-tempo, a maioria não entendeu.  E não é fácil mesmo entender que o tempo se assemelha a um rio que faz meandros através do universo, correndo mais ou menos à medida que passa por um campo gravitacional de uma estrela ou de um planeta que está na vizinhança..  Não é simples entender que um segundo na Terra é diferente de um segundo na Lua ou em Marte. (Um relógio na Lua é ligeiramente mais acelerado que um relógio na Terra.)

Chegado o fim do ano não falta quem comente que os últimos doze messes passaram mais depressa do que o ano anterior.  Principalmente se for uma pessoa idosa.  É que, para ela, o tempo passa mesmo cada vez mais depressa, enquanto para a criança pequena qualquer espera é longa demais.

A ciência tem explicação para a sensação de tempo.  Um ser humano com 70 anos de idade já viveu, pelo menos, 613.200 dias e uma criança de 5 anos viveu apenas 43.800 no dia do seu aniversário.  Um ano na vida do idoso é 1/70 avos da sua existência, enquanto um ano para a criança é apenas 1/5.  Qualquer pessoa  não tem dúvida de que um quinto é muito mais do que um setenta avos.

Há mais de 2 mil anos o poeta latino Virgílio escreveu um verso em que dizia: “Foge o irrecuperável tempo”, refletindo sobre o sentido da vida.

Agora, pesquisadores científicos nos informam que, independente de sermos velhos ou moços, o tempo está passando cada vez com mais rapidez, para todos.

Em 1997 James Tien e James Burnes, do Instituto Politécnico Rensselaer, em Troy, no estado de Nova York, demonstraram que a passagem do tempo varia mesmo de acordo com a idade dos observadores, mas também (e muito) de uma época para outra. Mudando as palavras: provaram que hoje percebemos o tempo passar com muito mais rapidez do que passava para um observador na Idade Média.

Segundo o resultado de seus estudos (publicados na conceituada revista Transactions on Systems, Man and Cybernetics)  eles concluíram que para uma pessoa de 22 anos, em 1997, o ano pareceu  passar 8% mais depressa do que para uma pessoa com a mesma idade em 1897.  Para uma pessoa com 35 anos, no mesmo intervalo de anos a diferença chegou a 22%.  E a variação obtida para pessoas idosas foi ainda maior: um indivíduo com 62 anos em 1997 percebeu o tempo passar 7,69 vezes mais rápido que outra da mesma idade 100 anos antes.  Em outros números: 669% mais depressa, comparando com as outras duas idades.

Para Tien e Burnes, a percepção de um período de tempo está relacionada com o número previsto de eventos para um determinado intervalo.  Modelos matemáticos aplicados e destinados a comparar a percepção de mudanças, deixaram claro que a velocidade cada vez maior da comunicação diminuiu o tamanho do mundo e produz tantos eventos e informações (que antes demoravam até anos para chegar) que o próprio tempo está ficando curto, muito mais curto.  Daí a sensação de que não temos mais tempo para coisa alguma.

Quando alguém, hoje, diz que o seu dia não dá mais tempo para tudo o que tem a fazer, está apenas constatando uma verdade: é que temos tantas atividades, hoje em dia, que nos falta o tempo que sobrava no passado, há cem anos,por exemplo.

O problema é que a velocidade da comunicação continua a crescer, e muito, com a revolução da informática.  E tende a continuar crescendo, o que significa que também a nossa percepção do tempo deve continuar a crescer, cada vez mais rapidamente.

Em tese, a “percepção do tempo” varia segundo a idade, a educação, a informação, a situação econômica (inclusive do país, com os subdesenvolvidos sendo mais lentos), com a época, com os acontecimentos.

O psicólogo Peter Mangan, em outubro de 1997, no encontro anual da Sociedade para a Neurociência, já anunciara que a idéia de que o tempo parece passar cada vez mais rápido não era uma mera suposição.  Ele cuidou de medir a percepção do intervalo de um minuto com voluntários de quatro grupos de idade diferentes: de 10 a 14 anos, de 20 a 24, de 45 a 50 anos e de 65 a 75 anos.  As pessoa deviam informar, sob controle, quando, em sua opinião, um minuto houvesse passado.

Os testes foram repetidos e o resultado não mudou: para o grupo dos mais moços o minuto parecia acabar aos 55 segundos.  Ou seja, o tempo real de 60 segundos parecia ser 8,3% mais lento do que a sua realidade.

Para o grupo jovem a percepção foi praticamente igual: 60 segundos demoravam 60 segundos a passar.

Para as pessoas na faixa dos 40 anos o minuto real pareceu ser 9% mais lento e eles anunciaram o fim do minuto aos 65 segundos.

Para os mais velhos a percepção do minuto chegava aos 74 segundos, uma variação de 23%.

Mas os dois trabalhos tratam de coisas distintas: uma coisa é a diferença de percepção do tempo para intervalos curtos, de acordo com a idade.  Outra coisa é a diferença de percepção de períodos longos, como meses e anos.

Há cada vez mais pesquisadores dedicados ao assunto, mas já se sabe que a percepção de períodos curtos de tempo é influenciada pela variação dos níveis de dopamina, substância que (entre outras coisas) atua nos mecanismos cerebrais de controle do tempo.

Também já se sabe que os fatores emocionais também interferem na percepção do tempo e que a angústia, por exemplo, e a ansiedade podem fazer com que o tempo pareça mais longo do que é.  Um estudo do canadense Tom Huges mostra que pessoas com mais controle sobre as suas emoções são menos afetadas pela ação da dopamina.

Outro fator importante “é a capacidade da pessoa saber evitar o chamado choque da comunicação, o excesso de informação não digerida.  Indivíduos que têm maior e melhor capacidade de selecionar, com objetividade, o que querem ou não querem saber dos eventos à sua volta, concentrando-se apenas nos que têm relevância, têm um melhor aproveitamento do tempo e também uma melhor percepção desse tempo. O que quer dizer que quem tem a sensação de “não estar dando conta”, por falta de tempo, está perdendo a batalha da comunicação e, literalmente, perdendo tempo.

A idéia de que o homem vive em conflito com o tempo sempre existiu. Para evitar que algum dos seus filhos o castrasse e o dominasse (como ele fez com seu pai, Uranos), o deus Cronos (tempo, em grego) devorava seus filhos recém-nascidos, à medida em que iam sendo paridos por sua mulher, Réia.  Segundo o poeta Hesíodo, é que o tempo se encarrega de consumir tudo o que ele mesmo criou.

Escrevendo Sobre a Brevidade da Vida, o filósofo Sêneca afirmou que “finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido”.

Com o capitalismo o tempo passou a valer dinheiro (Benjamin Franklin, em 1736, foi o autor da frase “Lembre-se que tempo é dinheiro!”) e a ter um papel fundamental nas relações econômicas, com um peso sem precedente na vida das pessoas. 

No século seguinte, o filósofo alemão Karl Marx afirmou (no livro Elementos Fundamentais para a Crítica da Economia Política, que antecedeu O Capital) que “toda a riqueza capitalista se baseia no roubo do tempo de trabalho alheio”.

Hoje, o problema é pior para as mulheres, segundo a socióloga Rosiska Darcy de Oliveira, autora de Reengenharia do Tempo e professora de pós-graduação da Faculdade de Letras da PUC do Rio. Na sociedade contemporânea o dia das mulheres não cabe em 24 horas.  Diz ela que a expressão “jornada dupla de trabalho” é um equívoco porque ao entrarem no mercado de trabalho (por necessidade econômica ou de realização pessoal) as mulheres não souberam negociar o tempo que sempre dedicaram à vida privada, “tempo que ninguém calcula e que as contas públicas desconhecem, mas que garante a preservação da família, especialmente das crianças e dos idosos”.

Diz ela que “as mulheres não voltarão para casa” como antes e que “o mundo tem de ser pensado incluindo esse dado, desocultando o papel civilizador da vida privada”.

Por si só o enorme banco de dados dos mais velhos leva a uma percepção de que o tempo passa muito mais rápido para eles.  E, a cada dia, cresce no cérebro o registro de dados sobre o passado e as lembranças de ontem competem com as idéias que temos do futuro, diminuindo cada vez mais a sensação do presente, segundo a psicóloga Maria Alice Pimenta, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Diz ela que a percepção do tempo pode ser influenciada pela emoção e ser intensificada nas pessoas que julgam, corretamente ou não, terem desperdiçado seu tempo e sua vida.

Os especialistas sugerem que a melhor maneira, a mais equilibrada,  de enfrentar a sensação da passagem do tempo é dar mais atenção ao dia-a-dia.  Valorizar o presente é estar mais atento às próprias ações e emoções, concorda o psicólogo José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo: “Passamos a vida, geralmente, em brancas nuvens, sem ter plena consciência do que estamos vivendo a cada momento.  É preciso focar a atenção no que está acontecendo conosco, interna e externamente para melhor aproveitar a vida”.

Para ele, “a automatização do cotidiano leva à perda do prazer e é dessa perda que as pessoas se ressentem quando têm a impressão de que a vida passou depressa demais”.  Principalmente as pessoas idosas.

Outro aspecto importante ligado à idade é que, com o tempo, diminui e até cessam as novas sinapses, as conexões nervosas necessárias para que as células do cérebro se comuniquem entre si e, entre outras coisas, possam produzir pensamentos.  Mas há um aperfeiçoamento na rede de conexões dessas células nervosas: aumenta a camada de gordura que reveste os seus longos eixos, os axônios.

O fenômeno é conhecido como “desenvolvimento da bainha de mielina”, segundo o neorofisiologista Luiz Eugênio Mello, da Universidade Federal de São Paulo:  “É como um fio elétrico encapado, que está mais protegido que outro sem revestimento e que fica mais exposto a um curto-circuito.”

Esse processo, a mielinização, começa no ser humano ainda em formação e se conclui por volta dos 35 anos de idade.  Com uma rede de circuitos elétricos devidamente isolados e protegidos, com menor risco de curtos-circuitos, o processo otimiza as conexões entre os neurônios e favorece as funções cerebrais mais evoluídas.  Segundo o professor Mello, isso faz com que as pessoas sejam cada vez menos impulsivas e mais ponderadas, aumentando a seletividade na captação de dados e beneficiando a maturação neuronial.

O segundo foi convencionado como sendo a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação de átomo do césio133, mas a verdade é que ele não é percebido do mesmo modo por todas as pessoas.  E o próprio tempo não é igual para todos. Por isso mesmo é que há muitos anos as crianças recitam: “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. E o tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.”

Premido pelo pouco tempo para ocupar-se de tudo o que o preocupa e estimula, o homem contemporâneo precisa aprender também a organizar-se, a valorizar seu tempo, e decidir-se sobre prioridades no uso desse tempo.  Todos nós precisamos estar muito conscientes dessa contratura do tempo disponível, para que não nos venha a faltar tempo para as tarefas primordiais.

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