A Revolta da Vacina

Os governos têm grande dificuldade em aprender as lições da História, principalmente na área da Saúde. Por exemplo, aprendeu muito pouyco com a chamada Revolta da Vacina. E ainda não sabe usar os meios de comunicação com efetividade.

 A situação da saúde no Rio de Janeiro, no começo do século 20, era precária. A população sofria com a falta de saneamento básico, com o lixo nas ruas, o que provocava constante epidemias de febre amarela, de varíola, de peste bubônica. Os mais pobres, que viviam em habitações precárias e ruas imundas, eram as grandes vítimas numéricas. Mas enquanto eram eles que morriam, a elite não se mexia. O problema é que as epidemias começaram a fazer vítimas na classe média e na elite, matando inclusive turistas. Isso criou um problema político.

Preocupado com a situação, o então presidente Rodriguews Alves cuidou de sanear a cidade do Rio de Janeiro, de abrir uma grande avenida (a Avenida Central) que trouxesse ar fresco para o Centro e afastasse as doenças. Ao mesmo tempo, lançou um projeto sanitário, com aterro das águas podres e alagados. Pediu ao Congresso um lei que tornasse a vacina obrigatória, já que a população não se vacinava expontaneamente contra a varíola.

Chamou o médico sanitarista Oswaldo Cruz para chefiar o Departamento Nacional de Saúde Pública. E deu instruções para qued acabasse com a varíola. E que ela dava mau nome ao país, afastava os estrangeiros e matava desde o século 16. O Rio, em especial, era conhecido na Europa como o “túmulo dos estrangeiros”.

A 31 de outubro de 1904, depois de muitos debates, o Congresso aprovou a |Lei da Vacina Obrigatória por estreita margem de votos. Cionco dias depois a Oposição criou a Liga Contra a Vacina Obrigatória, sugerindo que o povo se revoltasse. Oswaldo CRuz colocou em lei colocou a lei em prática no dia 5 de novembro. Em menos de uma semana, a 10 de novembro, começaram os conflitos entre a população e as forças policiais, por provocação da Liga.

O povo parecia enfurecido. No dia 14 de novembro os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha rebelaram-se contra a vacina.

O problema foi a falta de comunicação, de uma campanha de esclarecimento, de informação sobre a vacina; e a forma autoritária e violenta como a vacina foi aplicada. Os agentes sanitários invadiam todas as casas de uma rua, arrombando as portas se fosse preciso, e vacinavam as pessoas à força, prendendo quem resistia.

 Isso provocou a revolta, apedrejamentos, pancadaria, mas a verdade é que a maioria não sabia o que era uma vacina, estava mal informada sobre a sua necessidade, sobre os seus efeitos, e tinha medo de ser contaminada, porque os opositores da vacina espalhjavam boatos terríveis, a impensa dava cobertura e até o senador Rui Barbosa tentava impedir a vacinação indo ao Suprfemo Tribunal contra a Lei. Para ele, a lei era “autoritária, anti-democrática e prejudicial à saúde e ao espírito do  povo brasileiro”.

A revolta popular aumentou dia-a-dia, alimentada pela imprensa e pelos folhetos da Liga, pelos reacionários de plantão e pela crise econômica, desemprego, inflação, alta do custo de vida e a reforema urbana que retirou à força a população pobre que vivia (mal) no centro da cidade, principalmente em cortiços.

E a vacina já existia há 200 anos.

Foi preciso decretar Estado de Sítio, em 16 de novembro, e suspender a vacinação obrigatória, colocando na rua o Exército, a Marinha e a Polícia, para acabar com os tumultos. Mesmo assim os conflitos populares ainda destruíram bondes, apedrejaram prédios públicos e espalharam a desordem pela cidade durante alguns dias, até voltar a calma e a ordem.

 Derrotados os militares e contida a insurreição popular com prisões, Rodrigues Alves mandou reiniciar a vacinação, casa por casa, rua por rua, com agentes da polícia dando segurança aos agentes sanitários.

Em pouco tempo a varíola desapareceu do Rio de Janeiro. Mas a revolta entrou para a história como o maior motim da cidade.

Muitos anos depois o governo ainda não sabia transmitir ao povo a idéia da profilaxia. A Primeira Campanha Nacional de Vacinação Contra Poliomielite gastou rios de dinheiro em publicidade, na televisão, no rádio, na imprensa escrita, em faixas e cartazes, anunciando o dia de vacinar as crianças de menos de 6 anos contra a polío. A vacina ainda era injetável e a injeção, tradicionalmente, as mães procuravam evitar.

No dia da vacinação, domingo de sol em todo o país, a vacinação que deveria dar cobertura a pelo menos 92% da população até 6 anos, a vacinação foi um fracasso estatístico.

Houve reuniões aflitas no Ministério da Saúde, tentando decifrar o mistério e fazer o diagnóstico do resultado. Não faltaram opiniões, cada um achando alguma coisa. Até que alguém lembrasse que Noel Rosa já dizia que quem acha vive se perdendo. E sugeriu que, para saber por que as mães não levaram os filhos para vacinar seria necessário perguntar a elas.

Uma pesquisa urgente de mercado revelou o óbvio, que jamais seria percebido pelas autoridades da Saúde: as mães não levaram os filhos para vacinar porque eles não estavam doentes.

A saúde pública, tradicionalmente voltada para a medicina curativa e não para a medicina preventiva, não havia preparado as pessoas para a profilaxia e a grande maioria nem imaginava o que fosse uma vacina. Exatamednte como em 1904…

Foi preciso que a Globo fizesse uma campoanha, urgente e massificante, afirmando que “vacina não é remédio” e chamando as mães para vacinar os filhos amtes que eles ficassem doentes e até fisicamente prejudicados pela paralisia infantiul.

A próxima campanha de vacinação foi um sucesso,

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