A Revolução da Informática

A revolução da informática  foi a maior  do século 20 e os computadores do século 21 serão onipresentes e inteligentes, comunicando-se uns com os outros, dominando nossas vidas e talvez sejam distribuídos de graça. Estamos no rumo do planeta inteligente e um simples cartão comemorativo tem no chip que permite tocar uma música, mais poder computacional do que os computadores de antes dos anos 50. 

 

O computador, tal como o conhecemos hoje, vai desaparecer e a computação vai-se tornar onipresente: estará em toda parte: na nossa roupa, nas paredes da nossa casa, no nosso pulso, nas jóias, no chão das estradas e em incontáveis computadores descartáveis, mais fáceis de encontrar do que papel de rascunho (porque o papel, mesmo reciclado, vai-se

tornar cada vez mais caro e difícil de encontrar).

O Xerox PARC (Palo Alto Research Center), no famoso Vale do Silício, está fazendo pesquisas e procurando avanços que vão remodelar a vida no século 21. Ali foi inventado o PC, o computador pessoal. Ali foram lançadas as bases para a impressora a laser. Ali foi criado o programa que permitiu a criação dos sistemas operacionais Macintosh e Windows.

Foi Mark Weiser, quando era chefe do Laboratório de Ciência Computacional do Xerox PARC, quem criou a expressão “computação onipresente”. Nas horas vagas ele era baterista numa banda de rock, mas seu verdadeiro prazer sempre foi a arquitetura informática. Em um artigo na revista Cable ele afirmou que os  microchips estão cada vez mais poderosos e mais baratos, e vão penetrar cada vez mais na nossa vida diária. Ele dá um exemplo: no futuro, não haverá roupa de verão e roupa de inverno: o tecido será um só e a temperatura vai ser controlado por microships que farão parte das fibras.

Para ele, o computador vai ser uma força libertadora e as máquinas vão-se ajustar ao ser humano e ao seu ambiente, passando a fazer parte dele. Aos poucos, tornar-se-ão inteligentes e proporcionarão um conforto difícil de imaginar hoje em dia. Os microships vão-se comunicar uns com os outros pela Internet e as plenas implicações ficam restritas aos especialistas porque “pareceriam ridículas proposições da ficção científica”.

Hoje, nós não “percebemos” a eletricidade, a não ser quando ela falta. Diz Weiser que o impulso rumo à invisibilidade deve ser uma lei universal: o homem deixa de ver os avanços tecnológicos, assim que se acostuma a eles. A televisão que assombrou nossos avós é olhada pela criança como alguma coisa absolutamente familiar, corriqueira, simples. A regra é: sempre que aprendemos algo suficientemente bem ou que nos acostumamos com ela, as pessoas deixam de percebê-la conscientemente.

Os motores elétricos já são tão pequenos que há muitos deles na carroceria de um carro, para levantar e abaixar vidros, por exemplo, elevar e abaixar antenas, ligar o rádio e mudar de estação. No entanto, ao assumirmos o volante, estamos inconscientes de que vivemos cercados por até 22 pequenos motores e 25 solenóides embutidos na carroceria.

Weiser faz outra analogia, com a escrita: há milhares de anos era uma arte secreta, cuidadosamente controlada por uma reduzida casta de escribas treinados para gravar símbolos em pequenas placas de argila. Essas placas, caras e raras, eram trabalhosamente cozidas e guardadas por soldados, tal a sua preciosidade. Quando o papel foi inventado, ele também era precioso, caro, e só os monarcas e a Igreja tinham acesso a ele. A maior parte das pessoas nascia e morria sem jamais ver uma folha de papel. Hoje, nem temos consciência de estarmos cercados por um mundo de papel e de escrita. E ao lermos, nada vemos de especial na escrita, que só maravilha o analfabeto.

Na indústria de computadores, o intervalo entre a concepção de uma idéia e sua introdução no mercado é de cerca de 15 anos, em média. A computação onipresente foi imaginada em 1988 e em 2003 essas idéias já começaram a fazer parte da nossa vida de maneira apreciável. Mas para atingir massa crítica que barateie a produção e entusiasme o mercado, talvez seja necessário esperar até 2010. Como tudo, no mercado da informática, o preço inicial será inatingível para a grande maioria, mas, ano a ano, o preço cairá, com o aumento da desejabilidade, da produção e da compra.

Em 2020 a computação não só será onipresente como dominará nossas vidas.

 

Os que escrevem a história da informática dizem que ela tem três fases:

·        a época do mainframe,

·        a do computador pessoal,

·        e a da computação onipresente.

A primeira fase foi dominada pelo “gigante desajeitado”, o poderoso computador mainframe com que a IBM, a Burroughs e a Honeywell ganharam muito dinheiro. Os computadores eram enormes e tão caros que deviam ser compartilhados por centenas de pesquisadores, cientistas e engenheiros. A relação computador / usuário era, freqüentemente, de um para cem.

John Kemeny, ex-reitor da Universidade de Dartmouth, escreveu em sua autobiografia que “havia certo misticismo nessa relação, a ponto de apenas acólitos especialmente selecionados terem permissão de estabelecer comunicação direta com o computador”. E mais: “As máquinas eram tão escassas e tão caras que o homem se aproximava do computador como um grego antigo de um oráculo.” Programadores, então, eram tidos na conta de sacerdotes desse culto, e sabiam manter o segredo de rituais inescrutáveis.

A segunda fase começa com os anos 70, quando os engenheiros do Xerox PARC entenderam que a diminuição do tamanho dos chips e o aumento do poder do computador levariam, inevitavelmente, à relação um por um. Em 1972, para testar suas idéias, criaram o ALTO, o primeiro computador pessoal. E descobriam mais: que os sacerdotes faziam com que os computadores não fossem amistosos com os usuários; ao contrário, para manter o poder, criavam comandos confusos e rotinas que eram um forte obstáculo ao uso do computador por meros mortais. Por isso mesmo trataram de simplificar ao máximo o computador pessoal, criando uma tela de computador com figuras (ou “ícones“) que bastavam ser apontados com o mouse para abrir os programas e permitir sua manipulação.

Mais descomplicados e acessíveis, os computadores deixaram de exigir do usuário penosos ritos de passagem e iniciação, passando a ser operados até por crianças. Usar um computador deixou de ser um problema difícil e além de útil chegou até a ser divertido e prazeroso, permitindo navegar e fazer inacreditáveis descobertas.

Há, certamente, muito lixo cultural e bobagem na rede, mas também há nela, hoje, mais informação do que a que estava armazenada na famosa Biblioteca de Alexandria.

Como santo de casa não faz milagre, não foi a Xerox que melhor usou as idéias dos seus engenheiros. Primeiro foi a Apple, que criou o Macintosh. Depois a Microsoft, que criou o Windows, logo adotado como sistema operacional universal para computadores baseados nos IBM vendidos no mundo inteiro.

A transição entre as duas fases não foi fácil e esmagou até empresas multibilionárias que não acreditavam no futuro da informática. e imaginaram que o computador pessoal fosse moda passageira. Continuaram com seus mainframes e faliram (como a Wang) ou foram pesadamente deixadas para trás (como a IBM).

A terceira fase dos computadores, a da computação onipresente, vai mudar novamente a relação com o usuário, que passará ao extremo oposto e virá a ser de cem computadores para cada pessoa.

Bill Gates, o todo-poderoso da gigante de hoje, a Microsoft, já está preocupado porque a terceira fase começou e ele admite que “é um pouco assustador pensar que, à medida que a tecnologia da computação avança, o líder de uma nunca é o líder da era seguinte”.

Compreendendo que a Microsoft poderia pagar um alto preço pelo sucesso da Internet, Gates forçou sua empresa a acomodar-se aos novos avanços em redes de computadores, um passo que ele não havia previsto na primeira edição do seu livro A Estrada do Futuro, de 1995.

Não será surpresa se, um dia, o computador pessoal passar a ser dado, de graça, ao usuário, desde que ele se comprometa a só usar os programas da empresa do senhor Gates.

temos o PC de bolso que cabe na palma da mão. E muitos analistas imaginam, para o futuro, uma quarta fase, com a introdução de inteligência artificial nos sistemas de computação. De 2020 a 2050 o mundo da informática poderá ser dominado pelas redes invisíveis de computadores inteligentes, capazes de raciocinar, de falar, de reconhecer e até de usar bom senso.

Alguns analistas imaginam mesmo uma quinta fase, após 2050, quando as máquinas “terão autoconfiança e serão conscientes”.

 

 

Qual é o poder computacional que leva de uma fase à outra? De 1950 até 2000 a capacidade de processamento foi acrescida de um fator de cerca de dez bilhões (dobrando a cada 18 meses). Um aumento como esse é quase inédito na história da tecnologia. Basta dizer que é maior do que a transição da dinamite para a bomba de hidrogênio.

Se retrocedermos mais 30 anos (para o começo da era do computador) o fator passa a ser de um trilhão.

São esses números que permitem prever o futuro da tecnologia da computação. Como o preço dos miniprocessadores é cada vez menor, o puro poder da economia vai impelir a indústria para a nova fase. O preço dos microships está caindo. Já custou 50 centavos de dólar; em fins de 2005 custará sete e em 2010 apenas um centavo. Microprocessadores serão tão baratos que poderão até ser distribuídos gratuitamente para formar freguesia.

Indústrias inteiramente novas surgirão no mercado acompanhando a explosão e as que não incluírem alguns chips de computador em seus produtos estarão em séria desvantagem competitiva. O processo já começou, com esses cartões de Natal, de aniversário, comemorativos, que quando a gente abre tocam uma musiquinha. O que faz isso acontecer é um chip, com mais poder computacional que os computadores existentes antes de 1950.

Weiser acredita que, do mesmo modo como todo produto tem alguma coisa escrita, na terceira fase dos computadores todo produto deverá conter um microprocessador que dirá ao consumidor o que ele quer saber.

Para um futuro não muito distante já se pode imaginar que o poder computacional será praticamente gratuito e praticamente infinito.

 

 

O transistor é, basicamente, uma válvula que controla o fluxo da eletricidade. A dinâmica dos transistores semicondutores é regida pela teoria quântica (segundo a qual, dentro de um semicondutor, a ausência de um elétron, isto é, um buraco, atua como se fosse um elétron de carga oposta. A teoria quântica é que dita como esses elétrons e buracos se movem no transistor.)

Os transistores originais eram componentes elétricos toscos, mais ou menos do tamanho de uma moeda de dez centavos e conectados por fios. Eram feitos à mão, um a um. Hoje, são fabricados usando-se feixes de luz para fazer sulcos microscópicos e linhas em plaquetas de silício (fotolitografia). A luta para miniaturizar os transistores é que está empurrando a computação para a fase seguinte.

Na Idade Média os filósofos e teólogos discutiam quantos anjos poderiam ocupar a cabeça de um alfinete. Hoje, os especialistas em computador querem saber quantos transistores podem ser reunidos em um microprocessador. Em chips de silício do tamanho de um selo do correio, já foram agrupados 7 milhões de transistores.

O processo de miniaturização não pode durar para sempre, o limite é físico, é o comprimento da onda do feixe de luz.

Ao longo das últimas décadas tem-se usado comprimentos de onda cada vez menores. Lâmpadas de mercúrio emitem luz com um comprimento de onda de 0,436 micrometro (na região visível) e 0,365 micrometro (na região ultravioleta), distâncias que são cerca de 300 vezes mais finas do que um fio de cabelo.

O máximo a que a tecnologia atual pode chegar, talvez ainda no ano de 2007, é reduzir o comprimento da onda a 0,193 micrometro (na região do ultravioleta profundo), usando laser pulsado. Então, serão necessárias tecnologias inteiramente novas para ir à frente.

 

Um dos principais futuristas do mundo é Paul Saffo, diretor do Institute for the Future. Ele acredita que a computação onipresente é inevitável, e é o autor da tese que chama de “ecologia eletrônica”, segundo a qual a cada dez anos há um avanço tecnológico que muda a relação entre as criaturas que vivem nesse meio ambiente.

A força propulsora da revolução do PC, na década de 80, foi o microship. Na década de 90 o crescimento explosivo da Internet foi movido pela combinação do poder dos microprocessadores com lasers baratos e com a capacidade de transportar trilhões de bits de dados na velocidade da luz ao longo de fibras de vidro. No século 21, imagina ele, a próxima revolução será movida por censores baratos acoplados a microprocessadores e lasers.

Segundo Saffo, na terceira fase estaremos cercados por microprocessadores minúsculos, invisíveis, que sentirão nossa presença, perceberão nossos desejos e até serão capazes de ler nossas emoções. Conectados à Internet, vamos interagir com nossos computadores através dos nossos gestos, da nossa voz, do calor do corpo, do nosso campo elétrico, dos movimentos do corpo, dos nossos sentimentos e emoções. Dirigir um automóvel não vai apresentar risco e as tarefas domésticas poderão ser quase todas realizadas por máquinas inteligentes.

As casas e os escritórios dos ricos serão inteligentes e cheios de placas, pranchetas e quadros que tornarão a computação onipresente. Esses dispositivos computacionais terão 2,5 centímetros, 30 centímetros ou 1 metro. Cada casa terá cerca de 100 placas, de 10 a 20 pranchetas e um ou dois quadros por sala.

As placas são crachás de identificação, com um transmissor infravermelho, a capacidade de um computador, permitindo a localização da pessoa. Quando você se move, a placa fornece a localização precisa, quando chega perto de uma porta ela se abre, se estiver escuro as luzes da sala se acendem quando você entra, e ainda pode-se usar a placa para comunicação com outras pessoas ou para resolver problemas. Programadas, elas podem transmitir noticiário a horas certas, alertar o usuário para a queda da bolsa e terminarão tão pequenas que poderão ser colocadas em abotoaduras ou alfinetes de lapela.

As pranchetas serão finas como folhas de papel, descartáveis, estarão por toda parte e serão usadas para anotarmos coisas de que devemos nos lembrar, idéias e compromissos. Cada prancheta é um PC plenamente operacional, conectado ao computador central. É o começo do “papel inteligente”.

Rabiscando na prancheta, o programa gráfico converterá nossos rabiscos em gráficos coloridos e texto gramaticalmente correto. Depois de salvarmos para o computador central, jogaremos a prancheta fora ou, provavelmente, vamos colocá-la em um depósito apropriado para ser reciclada.

Os quadros são grandes telas computadorizadas, penduradas na parede. Podem funcionar como tela de vídeo, para a televisão interativa ou para a Web. Nos escritórios serão quadros de avisos, e quadros para anotações e exposição, funcionando também como um computador completo, ligado à Internet. Poderão ser usados para teleconferências ou para, por exemplo, supervisionar cirurgias à distância.

Lembra quando a máquina de escrever ganhou um chip e foi transformada em processador de texto? No futuro os chips estarão conectados entre si e a casa inteligente fará tudo pelo seu conforto, recebendo a previsão de tempo, aumentando ou diminuindo a temperatura do ambiente, preparando a comida na hora certa. O banheiro inteligente já começou a ser testado e um protótipo revelou-se capaz de monitorar a saúde da pessoa que se senta na privada. Ele mede temperatura, pulso, pressão, faz uma rápida análise da urina e das fezes e, mais tarde, será capaz de fazer um eletrocardiograma e um ecocardiograma, além de detectar a proteína emitida por  tecidos pré-cancerosos. E, certamente vai contribuir para a diminuirão dos problemas de hemorróidas no futuro, porque a privada sanitária lavará e secará o usuário, além de dar a descarga automaticamente.

Para o futuro estão imaginadas maravilhas possíveis, do ponto de vista tecnológico, como o uso do corpo humano como fonte de energia, que seria acumulada nos sapatos. Cada um de nós é capaz de gerar 80 watts de energia utilizável com nossos movimentos, o que dá cerca de um watt.

Outra dessas maravilhas acaba com os tradicionais cartões de visita. Instalando eletrodos nos sapatos, podemos conectá-los a outros sapatos. Colocando nosso cartão de visitas entre os dados biográficos disponíveis, bastará um aperto de mão (porque a pele é salgada e boa condutora) para passar a informação para a mão, da mão para a mão do outro e de sua mão para o sapato onde será armazenada para uso futuro.

No projeto Computadores Usáveis, do Massachussets Institute of Technology (MIT), já estão sendo produzidos óculos-computadores conectados com a Internet: o que uma pessoa vê através das suas lentes é transmitido para a Web, como nos filmes,

Um quarto de todos os PC do mundo já é de laptops, o que quer dizer que os portáteis deixaram de ser um nicho de mercado para entrar na paisagem. À medida que os custos continuarem a baixar, muitos usuários vão substituir seus telefones celulares por portáteis cada vez menores (o problema é o teclado), com muito mais possibilidades de uso.

Hoje, um paciente cardíaco já pode ser monitorado o dia todo, por uma parafernália que transmite informação para uma equipe de plantão. No MIT estão produzindo aparelhos cada vez menores e mais fáceis de portar, menos sujeitos a interferência, emitindo sinais melhores. E, algum dia, a maior parte das pessoas estará permanentemente monitorizada por seus serviços de saúde e companhias de seguro, acabando com as mortes inúteis por falta de socorro.

 

O dinheiro está-se tornando digital há algum tempo. Já é possível pagar à vista sem usar dinheiro, cheque ou assumir dívida, usando um cartão de plástico para mandar fazer o débito direto na sua conta-corrente no banco onde você tem depósitos. No futuro, praticamente toda a moeda circulante estará depositada e as pessoas usarão cartões inteligentes, dinheiro digital e ciberdinheiro, porque o poder de compra estará expresso apenas em informação. Não só porque é mais prático e menos arriscado, mas porque manter uma sociedade com base em moeda sonante é muito caro: contar, deslocar, recontar, armazenar e proteger moeda sonante custa cerca de 4% de todas as transações. O que se perde guardando-se dinheiro em espécie em vez de mantê-lo rendendo, é uma quantia substancial, porque dinheiro parado não ganha juros, não tem seu valor aumentado, pode até estar sendo perdido, além do custo de precisar ser constantemente guardado.

estão no mercado cartões com poder de compra, como os cartões telefônicos. E mesmo cartões que valem dinheiro para que sejam usados em compras em determinado lugar (que fornece o cartão). Muita gente já recebe parte do salário em um cartão que permite fazer compras, todos os meses, até um valor determinado. Na Europa há mais de 250 milhões de cartões inteligentes circulando e sendo usados para comprar bens ou serviços, como os cartões de abastecimento de gasolina.

Na Alemanha, as empresas de saúde fornecem a seus clientes cartões inteligentes que contêm todo o seu histórico médico e os resultados dos seus últimos exames de laboratório. Com isto, poupam muito tempo e dinheiro, permitindo também uma medicina melhor com atendimento mais rápido.

Não vai demorar muito para que os cartões inteligentes substituam os cartões de banco, de crédito, de telefone, de transporte, de pedágio, de estacionamento. E, no futuro, cada cidadão terá o seu cartão médico, com registros de seguro. Assim como todos nós teremos o cartão-cidadão, valendo como passaporte, carteira de identidade, cartão do Importo de Renda, INSS, FGTS e tudo o mais que o governo precisa para saber quem é quem.

 

A indústria automobilística está cuidando de se atualizar com a revolução da informática e muitos carros já têm mais de um computador. Há, hoje, cerca de 600 milhões de carros na Terra, quase um para cada dez terráqueos. É a maior indústria manufatureira do mundo.

Mas carros e estradas passarão por mudanças enormes. Os sensores são o principal acessório dos carros inteligentes e logo veremos veículos capazes de ver, ouvir, sentir, cheirar, falar, tomar decisões. E as estradas inteligentes acabarão com os congestionamentos, impedirão acidentes, manterão os carros a distâncias e velocidades convenientes, evitarão a distração, desatenção e negligência. Haverá até sensores-censores, que não permitirão que um motorista que passou da conta na bebida ligue o motor para sair dirigindo.

há sensores que localizam por satélite o carro furtado ou roubado e que, devidamente acionados, podem até impedir que o ladrão saia do carro, chamando a polícia.

Nas estradas do futuro, uma vez programados, os carros andarão com piloto automático, poupando o motorista nas viagens longas. É a telemática.

No Japão existem mais de um milhão de carros com algum tipo de capacidade navegacional e já foi testado um protótipo capaz de seguir uma programação marcada em um mapa. Pessoas cegas poderão sair de casa em seus carros pré-programados para andar na cidade. E haverá programas suficientes das cidades e até para viagens mais longas.

A lista de usos potenciais para a computação como sistema de posicionamento global é quase ilimitada.

 

Durante séculos a ciência avançou fazendo teoria ou experimentando. Mas cada vez mais uma nova forma de ciência está crescendo, baseada em simulações da realidade: é a realidade virtual abrindo novos caminhos, novas áreas, novas perspectivas.

Os computadores ajustam-se idealmente a modelar equações diferenciais que fornecem descrições surpreendentemente realistas de fenômenos físicos. As simulações por computador estão-se tornando tão exatas e precisas que já são usadas por milhares de pesquisadores e cientistas em muitas áreas. É certo que elas estão influindo e vão influir cada vez mais no desenvolvimento de novas tecnologias. Em muitas áreas, a propósito, o computador é mesmo a única forma de resolver um problema, solucionando equações diferenciais.

Os futuristas afirmam que alguns assuntos podem ser mais bem estudados pela ciberciência. Por exemplo:

·        Para observar e analisar supernovas, estrelas de nêutrons, buracos negros, a simulação por computador parece ser nossa única esperança de transformar a astronomia em uma ciência experimental.

·        Quando uma proteína não pode ser cristalizada não é possível usar cristalografia por raios X para determinar sua estrutura. É preciso usar a teoria quântica e a eletrostática para encontrar a estrutura da proteína e as complexas equações que determinam essa estrutura só podem ser resolvidas pelos computadores, que ficam sendo o único meio de calcular também as propriedades de uma grande classe de proteínas.

·        A aerodinâmica e o fluxo de ar em torno de qualquer coisa que viaje muitas vezes além da velocidade do som também podem ser simulados em computador e é mais barato do que túneis de vento que, às vezes, teriam que ser gigantescos e usar muitíssima energia. As equações diferenciadas podem dar a chave para os vôos hipersônicos do futuro.

·        Atualmente, só os computadores podem determinar o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera (produzido pela queima de combustíveis fósseis), e do gás CFC, que provocam o efeito estufa e o buraco na camada de ozônio. As equações dirão até quando ainda será possível suportar a agressão continuada ao meio ambiente.

·        E, importantíssimo para as construções que o homem pretende fazer em ambientes desconhecidos, o teste de esforço e tensão em materiais industriais pode ser mais bem calculado por computador, com economia de muito dinheiro em testes desnecessários e caros.

 

A revolução informática está nos levando no rumo do planeta inteligente.

 

Um dia, em janeiro de 1977, o Conselheiro para Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski ouvia, na Casa Branca os planos recém implantados pelo Pentágono para “proteger a liderança da Nação em caso de um conflito nuclear generalizado”.  Era um plano detalhadíssimo e que previa inúmeras possibilidades, começando pela evacuação imediata do Presidente, do Vice, do Presidente do Congresso e do Presidente do Supremo, que se dirigiriam a locais diversos, todos em segurança.

Quando o jovem oficial, orgulhoso, deu por encerrada a sua exposição, ZB ordenou uma evacuação total e imediata.

            _ Imediata? Agora mesmo?

            _ É uma emergência nacional, alerta máximo. Já.

O assessor não conseguia falar, surpreso e parecendo assustado. Foi para o telefone vermelho e deu a ordem:

            _ Alerta vermelho, evacuação imediata, comecem já.

Do outro lado perguntaram por ordem de quem.  Consultado, ZB disse que era uma ordem direta do Presidente da República, e que ele mesmo se responsabilizava.  Ainda houve alguma dúvida, até que ZB gritou:

            _ Já; estamos perdendo tempo precioso.

Passaram-se horas, com marchas, contra-marchas, pedidos de verificação, senhas, explicação e confirmação, de erros, desentendimentos e berros, até que o primeiro helicóptero chegasse aos jardins da Casa Branca.  A segurança da Casa Branca quase o derrubou, declarando-o hostil e não-autorizado.  O piloto manteve distância até receber ordem para pousar.

Zbigniew Brzezinski consultou o relógio: haviam-se passado não os dez minutos anunciados pelo jovem oficial, mas três horas e meia.  Ele disse:

_ Fim do alerta vermelho.  O Presidente está morto e a guerra perdida.

O episódio é absolutamente verdadeiro e foi contado pelo próprio assessor da Presidência. No dia seguinte começou a desmontagem dos planos estratégicos do Pentágono e foi criada a Advanced Research Projects Agency, uma agência governamental de projetos de pesquisa avançada, para criar uma tecnologia de computação que fosse suficientemente bem programada para começar a funcionar, automática e rapidamente, ao primeiro sinal de alarme disparado da Casa Branca.

O primeiro documento da ARPA começava com uma citação do próprio ZB: “O planejamento perfeito é aquele que só admite erros contornáveis e que não prejudiquem o objetivo principal”.

Daí resultou, principalmente, a Internet e a comunicação instantânea..         

 

Muitas das maravilhas eletrônicas de hoje, como as videoconferências, a realidade virtual, os satélites de posicionamento global, a Internet, foram desenvolvidos a partir desse fiasco.  Como a Agência funcionava no Pentágono, seus cientistas trabalhavam em regime de sigilo total e as conquistas e avanços ficaram ocultos para o público, inclusive para outros cientistas.

A obsessão militar pelo segredo, próprio da guerra fria, atrasou a revolução da informática por muitos anos e é responsável pelo desenvolvimento algo peculiar dessas tecnologias.

Pior: alguns cientistas civis que trabalhavam na mesma direção foram submetidos ao silêncio e obngados a abandonarem suas pesquisas, pelas chamadas “razões de segurança nacional”.

depois que acabou a guerra fria é que foram sendo preenchidas as lacunas deixadas pelos apressados autores de software e as tecnologias começaram lentamente a vir a público.  Livres do sigilo militar, as tecnologias desenvolveram-se rapidamente e conquistaram público, gerando novas indústrias e uma nova economia que movimentou bilhões de dólares, preparando o caminho para o século 21.

Ficou a lição e a certeza de que a ciência e a tecnologia precisam de uma atmosfera aberta, de liberdade, para que os cientistas possam interagir, trocar idéias e fazer prosperá-las com rapidez e qualidade.

Esta velocidade vai levar à terceira fase da informática, com os computadores conversando uns com os outros e criando uma espécie de membrana eletrônica vibrante em torno da superfície da Terra, com acesso fácil para todos.

Como anunciou Bill Gates, “a Internet é uma estrada de terra esperando para ser pavimentada e tornar-se uma auto-estrada da informação, a infovia que conectará todos os computadores do mundo”.  A infovia está prevista para 2010 e até 2020 os cientistas especializados em computação esperam ver todo o mundo florescendo na Internet: informação, educação, economia, todas as atividades do homem.

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