A Revolução Energética

O ser humano consume as reservas naturais da Terra a uma velocidade que coloca em risco a própria espécie

E nem assim os políticos fazem a revolução ambiental que leve a um desenvolvimento estável. Os sinais de mudança do clima são evidentes. Mas os maiores poluidores ainda não resolveram reduzir as emissões, porque dizem que isto é uma campanha para enfraquecer a economia americana. Reverter o atual processo de degradação ambiental é o maior desafio da humanidade no século 21.

 

Sustentabilidade é a qualidade ideal do desenvolvimento.  Desenvolvimento sustentável quer dizer que uma sociedade alcançou um grau de tecnologia que lhe permite continuar crescendo sem correr qualquer risco de desaparecimento dos recursos naturais.  O desenvolvimento do ser humano na Terra está muito longe de ser sustentável e a grande tarefa para o século 21 é transformar um mundo baseado no uso de combustíveis fósseis em outro, altamente eficiente, baseado em energias renováveis.

O século 20 foi do carvão e do petróleo.  E o século 21?

Com todo o progresso tecnológico do homem e com o desenvolvimento na oferta de energias renováveis e eficientes, as mudanças têm sido lentas e limitadas. São políticas as principais razões que sustentam modelos ultrapassados de produção e distribuição.  Adotar um novo modelo energético sustentado por fontes renováveis é mais do que um desafio tecnológico: ele é essencialmente político e deve vencer resistências econômicas de multinacionais fortíssimas e muito poderozas.

Será necessário fazer uma revolução energética para acelerar a transição, criando políticas para um futuro sustentável, envolvendo o público leigo interessado e despertando a consciência para os perigos de ser lento demais na empreitada, o que pode comprometer até o futuro da humanidade.

Quais são as barreiras? Como fazer para vencê-las? Quais são as tendências atuais? Quais são os exemplos de eficiência energética que já foram implementados com sucesso?  Que políticas são necessárias para colocar o Brasil entre os países civilizados, do ponto de vista energético?

As respostas estão no livro Revolução Energética, de H.S. Geller, já traduzido para o português (por Maria Vidal Barbosa) e lançado pela Relume Dumará. O autor morou e trabalhou no Brasil como professor visitante da Universidade de São Paulo, foi consultor da Companhia Energética de São Paulo e da Eletrobrás. E é autor de três outros livros sobre política energética. PhD em Política Energética pela USP e mestre em Engenharia Mecânica por Princeton seu livro Revolução Energética é uma leitura obrigatória para quem se preocupa com o futuro da Terra.

A energia tem uma importância vital e precisamos dela para aquecer ou refrescar, para iluminar, para cozinhar, para ouvir música e saber das notícias, para fazer andar carros, caminhões, trens e aviões, para fazer funcionar as indústrias, para nos comunicarmos, para ter conforto e para produzir. Quase toda essa energia vem de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) ou eletricidade.

Ambos parecem ser abundantes, baratos e disponíveis.  Um litro da gasolina custa menos que um litro de água mineral engarrafada.  E ligamos a luz ou aparelhos elétricos com um simples toque do dedo, raramente imaginando como é que aquela energia foi produzida, transportada, chegou até nós e quanto custou esse processo. Só tomamos conhecimento da importância da energia quando ela nos falta.

Pouca gente também se importa em saber os efeitos do consumo de uma e de outra e como isso está afetando a vida no planeta.

 

As geradoras de energia, assim como as petrolíferas, figuram entre as maiores e mais lucrativas empresas do mundo.  E pouca gente está preocupada e dedicada a substituir derivados de petróleo ou a eletricidade que estamos usando.  No entanto, a continuidade desse consumo causa muitos danos ao meio ambiente, um risco sem precedente de notáveis mudanças climáticas, além de um curto e rápido fim dos recursos naturais. 

Se forem mantidas as tendências energéticas atuais, haverá também um aprofundamento das desigualdades entre as nações ricas e as pobres, um agravamento das tensões que inflamam conflitos regionais, guerras e terror.

Resumindo: se for mantido o cenário de busines-as-usual para a energia, o bem-estar das futuras gerações estará em risco.

 

Uma revolução energética é desejável e possível.  Ao se enfatizar uma energia mais limpa e mais eficiente, com fontes renováveis e sustentáveis, seja ela a solar, a eólica, a energia das marés, a bioenergia ou todas elas somadas, os problemas causados pelos padrões atuais de consumo podem ser até revertidos.

O problema é um conjunto colossal de barreiras que limitam o raio de avanço em eficiência energética e a transição para as fontes de energia renovável em quase todo o mundo.

É possível superar essas barreiras, por meio de políticas públicas esclarecidas.  Mas isso exige despertar a consciência do público e criar áreas de pressão que criem vontade política capaz de resultar em decisões.

A experiência com políticas para aumentar a eficiência energética e o uso de energias renováveis está se expandindo, produzindo muitos modelos e lições bem sucedidas que podem guiar os próximos passos.  A expansão da adoção das políticas que se mostraram eficazes, bem como o aumento e a concentração de esforços internacionais, poderiam acelerar a revolução energética e resultar em um futuro energético mais sustentável.

 

De 1850 para 2000 o uso mundial de energia aumentou 20 vezes em todo o mundo.  E de 1900 para o final do século 20 aumentou 10 vezes. Em 50 amos, a partir de 1950, o uso aumentou dramaticamente: mais de quatro vezes.  Evidentemente, isto proporcionou um padrão de vida bem melhor a uma considerável parcela da população mundial, mas não a toda ela.

O aumento no uso de energia nos últimos 100 anos ocorreu, principalmente, nos países industrializados, no centro do capitalismo, que abriga apenas 20% dos habitantes da Terra.  Na periferia do capitalismo o que aumentou foi a defasagem entre os que mais consomem energia e os que têm menos capacidade de consumo, os ricos e os pobres.

Nossas fontes de energia passaram por grandes mudanças, nos últimos 150 anos.  A maior parte da energia consumida no século 19 era em forma de biomassa: lenha, carvão e resíduos agrícolas, as chamadas fontes tradicionais de energia.  A produção e o uso do carvão expandiram-se rapidamente no final do século 19, fazendo do carvão a principal fonte de energia mundial durante cerca de 70 anos (a partir de 1890).

Em meados do século 20 acelerou-se a produção e o uso do petróleo, até tornar-se a fonte de energia dominante durante os últimos 50 anos. 

Nos últimos 25 anos o uso do gás natural e da energia nuclear cresceram bastante. Assim, o conjunto de fontes de energia tornou-se dinâmico.

Quer dizer que o mundo já passou por outras revoluções energéticas.

Hoje, os combustíveis fósseis respondem por cerca de 80% do fornecimento global de energia.  E entre eles, o petróleo é o responsável pela maior fatia: cerca de 35% do fornecimento.  O carvão responde por 23% e o gás natural por 21% (em crescimento acelerado).

As fontes de energia sustentável fornecem apenas cerca de 14% do total global, mas a maior parte delas está em forma de fontes tradicionais.  As modernas fontes de energia renovável, incluindo a hidroelétrica e a eólica, assim como a mais moderna, a bioenergia, só contribuem com 4,5% do fornecimento total.

Os 6% restantes ficam por conta da energia nuclear. (Esses são dados oficiais, das Nações Unidas UNDP, 2000).

Cerca de um terço da população mundial, 2 milhões e 100 mil pessoas, ainda dependem, quase que inteiramente, da lenha e de outras fontes tradicionais de energia, para suprir suas necessidades básicas de energia.  Essas pessoas não têm acesso à eletricidade nem ao gás natural e esse é um dos fatores principais da sua pobreza e exclusão social.

Enquanto isso, as cidades mais ricas do mundo consomem quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis, energia hidrelétrica e nuclear, para abastecer um número crescente de veículos, fábricas e equipamentos.

Da mesma forma, gastos com energia pesam cada vez mais nos orçamentos familiares, a ponto de se tornarem insuportáveis para as famílias mais pobres, mesmo nos países industrializados, gente que já mora com dificuldade e em casas ineficientes, que exigem muita energia.

Em países ricos, como nos Estados Unidos, a energia pode significar de 12 a 26% da rendas familiar dos mais pobres, quando significam  um a dois por cento das famílias de classe média alta.

Enquanto uma boa parcela da população rica desperdiça, a maioria paga cada vez mais caro pela ineficiência na geração, transmissão e distribuição de energia, por conta do chamado futuro energético business-as-usual.

A maior parte dos especialistas crê que o uso global de energia crescerá pelo menos 2% ao ano, nas próximas décadas.  Os combustíveis fósseis responderiam por quase 84% do fornecimento primário total de energia em 2020 (acima dos 80% de 1997).

            Mantidas as atuais políticas e tendências energéticas, (o que não seria de surpreender) o uso global de energia pode dobrar os níveis de 1990 ainda em 2025, triplicar até 2050 e crescer inacreditavelmente na segunda metade do século 21.  Estima-se que a maior parcela desse crescimento se dê nos chamados países em desenvolvimento, onde o nível de consumo de energia ainda é baixo.  Em 2025 esses países podem até ultrapassar os países desenvolvidos em termos de uso total de energia, embora não o uso per capita.

            Um futuro de grande crescimento, uso intensivo de energia gerada por combustíveis fósseis, tem implicações graves para o futuro do ser humano na Terra, criando problemas e desafios como altos custos, poluição do ar, aquecimento global, riscos de segurança, falta de recursos, desigualdade.

            A indispensável construção de usinas elétricas, oleodutos, gasodutos e outros equipamentos para o fornecimento de energia exigem capital intensivo.  Segundo os analistas mais bem informados, se o uso mundial de energia continuar a crescer 2% ao ano, os investimentos em dólar até 2020 devem chegar a 23 trilhões.  E até 2050 de 26 a 35 trilhões (a valores de 1998).  É um investimento de US$ 500 bilhões a US$ 1 trilhão por ano, duas a quatro vezes o nível mundial de investimento em produção e conversão de energia nos anos 90.  É um alto custo que não parece ser viável para a grande maioria., principalmente para os países em desenvolvimento como o Brasil, o que anuncia problemas para o desenvolvimento econômico e social.

            Os gastos de uma família com energia estão crescendo e a tendência é que cresçam cada vez mais, proporcionalmente, para os mais pobres, principalmente por conta do enorme desperdício de energia.

 

Todos os países industrializados são altamente dependentes das importações de petróleo, inclusive os Estados Unidos da América.  E essa dependência está aumentando, o que deixa as economias ocidentais vulneráveis aos preços fixados pelo cartel da Organização dos Estados Produtores de Petróleo (OPEP).  A prova disto são os efeitos evidentes de cada “choque do petróleo” na economia mundial e a necessidade que os americanos sentiram de fazer guerra ao Iraque para assegurarem o controle do petróleo iraquiano.

Para além da economia, há o problema da segurança nacional e o risco mais evidente de uma potencial interrupção do fornecimento de petróleo é a paralisia da produção e dos transportes.

Por isso mesmo as grandes potências usam do seu poderio militar para intervir ao menor sinal de problema e para manter os suprimentos vitais.  Esta é a razão principal do forte contingente militar no Oriente Médio, principalmente na região do Golfo Pérsico.

Nos últimos 50 anos do século 20 ocorreram 14 interrupções significativas no fornecimento de petróleo, praticamente todas relacionadas com a política ou com conflitos militares.

Os economistas americanos calculam que os choques no preço do petróleo custaram à economia do país trilhões de dólares, principalmente por conta da subseqüente inflação, recessão e transferência de riqueza para países que mantinham controle oligopólico sobre os preços da energia.  As nações ocidentais gastam dezenas de bilhões de dólares a cada ano na proteção de suprimento de petróleo do Oriente Médio, desde a guerra Irã-Iraque em 1990.

A guerra contra o Iraque já estava decidida muito antes de 11 de setembro e não dependeu de atentados terroristas ou alegadas armas de destruição em massa ou armas químicas (que os Estados Unidos haviam fornecido ao Iraque na guerra contra o Irã).  Estava decidida já na campanha eleitoral, como promessa do senhor Bush para garantir o petróleo iraquiano.

Assim como o primeiro senhor Bush fez guerra contra o Iraque para não perder o petróleo do Kuwait.

 

O cenário de referência montado pelo World Energy Outlook prevê um aumento de consumo de petróleo em todo o mundo de “pelo menos 47%” até 2020 e afirma que a existência do cartel da OPEP e da instabilidade política na região do Golfo Pérsico, as nações importadores sofrerão riscos crescentes, econômicos e de segurança, no futuro.

Os americanos insistem em dizer que os ganhos com a venda de petróleo estão diretamente ligados ao terrorismo, financiando-o. Mas a presença militar americana na área é muito anterior a 11 de setembro e a qualquer ataque terrorista: ela é parte da chamada “política exterior do petróleo”.  Na verdade, Osama bin Laden é uma das conseqüências dessa política, porque ele indignou-se e protestou contra a presença de tropas americanas na Arábia Saudita, solo sagrado para os seguidores do islamismo.

Não se fale em democracia no Oriente Médio, porque esse não é um valor para eles. E as nações ocidentais apóiam governos não-democráticos e repressores, desde que mantenham os poços jorrando e o fluxo das exportações.  Mesmo que isso signifique uma derrota para a democracia, contribua para aumentar a pobreza e a defasagem social e até para alimentar o terrorismo.

A própria infra-estrutura mundial de fornecimento de petróleo está vulnerável a ataques e interrupções: os poços do Kuwait levaram meses queimando e a resistência no Iraque tem especial preferência por sabotar os grandes oleodutos e os terminais de armazenamento.  Um simples bêbado, armado, fez furos de bala no oleoduto Trans-Alasca, causando o derramamento de 7 mil barris de petróleo antes que o vazamento fosse detectado, o que causou seu fechamento por três dias.

Não é só no petróleo que reside o problema de segurança: as grandes linhas de transmissão de energia elétrica são incrivelmente vulneráveis até mesmo a problemas causados pela natureza.  E as usinas nucleares são um perigo constante, de acidente e como alvo que, acertado, pode liberar grandes quantidades de isótopos radioativos. É preciso não esquecer o acidente de Chernobyl e os milhares de mortos que provocou e continua provocando.

           

            A queima dos combustíveis fósseis causa poluição do ar, em prejuízo da saúde pública, provocando o desequilíbrio dos ecossistemas.  As atividades energéticas respondem por 85% das emissões de dióxido de enxofre, 45% das emissões de partículas, 41% da emissão de chumbo, 40% da emissão de hidrocarboneto, 20% da emissão de óxido nitroso na atmosfera.  Esses poluentes resultam em chuva ácida, neblina com fumaça nas cidades como São Paulo, fuligem.  E é a maior fonte de geração de produtos químicos tóxicos causadores de vários tipos de câncer.

            Mas os grande poluidores do mundo não estão dispostos a reduzir o nível da poluição, mesmo que o futuro da humanidade esteja ameaçado.  Estima-se que pelo menos 1,5 bilhão de pessoas estejam diretamente expostas a níveis perigosos de poluição do ar, especialmente nas áreas urbanas.  A Organização Mundial de Saúde calcula em 500 mil, por ano, o número de mortos pela baixa eficiência da combustão e falta de controle da poluição.  Os níveis de material particulado na atmosfera estão, atualmente, de duas a cinco vezes mais altos do que os limites propostos pela OMS.

            A contaminação do meio ambiente pode ser especialmente nociva em regiões com grande produção de energia, poluindo o ar, contaminando o solo, a água de superfície e as águas subterrâneas.

            A expansão do uso intensivo de energia produzida com a queima de combustíveis fósseis durante este século, vai exacerbar os problemas de qualidade do ar, afetando a qualidade de vida, a saúde pública, a produção de alimentos e os ecossistemas, de tal modo que a poluição atmosférica chegará a ser insuportável em menos de 25 anos, provocando cada vez mais doenças respiratórias, alergias e mortes prematuras.

 

            O índice de dióxido de carbono e outros gases que provocam o efeito estufa está crescendo rapidamente na atmosfera, causando o aquecimento global.  Foi registrado um aumento de 31% nos níveis de dióxido de carbono e um aumento de 151% nos níveis de metano, desde a era pré-industrial.  Um índice de aumento que não teve precedente nos últimos 20 mil anos, pelo menos.

            A temperatura média da superfície do planeta aumentou cerca de 0,6º C durante o século 20.  O ano de 1998 foi o mais quente dos últimos mil anos, e a década de 90 foi a mais quente já registrada.  As atividades relacionadas à energia são as principais produtoras de dióxido de carbono e gás metano e responsáveis por cerca de 80% do aquecimento ocorrido desde a era pré-industrial porque emite gases considerados de longa residência atmosférica.  Essas atividades também emitem sulfatos e particulados e prejudicam a camada de ozônio.

            O aquecimento global começa a apresentar uma série de impactos, entre eles uma ocorrência mais freqüente de problemas climáticos extremos, secas, ondas de calor e de frio, enchentes.  O nível médio do mar elevou-se em 10 centímetros no século passado, as geleiras estão diminuindo, e as chuvas estão aumentando em algumas regiões, enquanto em outras a seca vem-se agravando, assim como a desertificação.

            Mantidas as atuais tendências, sofreremos um aquecimento global dramático no século 21, que seria de 1,4 a 5,8º C na temperatura média da superfície terrestre.  Isto significará uma redução da produção agrícola na maior parte das regiões habitadas, prejuízo irreversível aos ecossistemas, doenças, mortes, um aumento do nível do mar de até 90 centímetros, exigindo o deslocamento de grandes massas populacionais. Vários atóis e ilhas já desapareceram.

            O custo econômico, segundo o Banco Mundial, pode chegar a US$ 300 bilhões anuais até 2050, equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto global.  Os países mais pobres seriam os mais severamente afetados porque são altamente vulneráveis e não têm recursos para se adaptarem às mudanças.

            O aquecimento pode causar conseqüências ecológicas catastróficas e irreversíveis, inclusive uma considerável redução ou até interrupção da corrente marítima que leva água quente para o Atlântico Norte.

            Mesmo que as piores previsões não aconteçam, o aquecimento global vai resultar, inevitavelmente, no descongelamento do pólo, na expansão térmica do oceano, no aumento do nível do mar, o que pode demorar, mas é um desafio à sobrevivência da humanidade.

 

            O petróleo economicamente recuperável dos Estados Unidos da América já está acabando: a produção chegou ao apogeu em 1970 e caiu cerca de 30% até o fim do século passado.  A produção mundial seguirá caminho semelhante. Segundo alguns autores, chegará ao ponto máximo em 2010. Segundo outros, só em  2030, ou um pouco antes, para depois começar a cair.

            A queda paulatina da descoberta de petróleo nos últimos 30 anos e a necessidade de encontrá-lo a profundidades cada vez maiores no oceano, sugere que em 2020, mais provavelmente, a produção mundial comece a declinar 3% ao ano.   Os preços do petróleo, que já estão altos, subirão meteoricamente, até porque há países cuja economia restringe-se a ele.

            Há vastas reservas de recursos não-convencionais de petróleo, como o óleo de xisto e alcatrão e algumas empresas petrolíferas já estão atrás deles, mas desenvolver essa exploração custa caro e resultaria em danos ambientais maciços, contribuindo pesadamente para o aquecimento global mais rápido.  Esses recursos não chegam a ser uma consideração séria, uma opção atraente de combustível alternativo.

            As reservas de carvão ainda são suficientes para centenas de anos nos níveis de produção atuais, mas a grande restrição é de ordem ambiental: o aquecimento global.

            As reservas de gás natural, convencional, junto com a possibilidade de recuperação do gás metano permitiriam também centenas de anos de consumo aos níveis atuais.  Além disso, há enormes quantidades de gás não-convencional em aqüíferos.no subsolo polar congelado e abaixo do solo oceânico.  Mas ainda não há técnicas economicamente viáveis para utilizar esses recursos, embora elas possam ser desenvolvidas para o futuro.

            Outro fator a ser considerado é que o consumo de energia (como a renda) está distribuído muito desigualmente e as nações ricas consomem cerca de sete vezes mais energia comercial per capita do que os países em desenvolvimento.

            Nos Estados Unidos da América, casas da população abastada consomem cerca de 75% a mais de energia do que as casas dos mais pobres.  Isto ocorre também entre países e o consumo de eletricidade está ainda menos eqüitativamente distribuído do que a energia comercial como um todo.

            Essa distribuição desigual de consumo de energia faz com que as emissões de gás do efeito estufa e a contribuição para o aumento do aquecimento global também sejam distorcidas. Na virada do século, os 20% da população mundial que viviam em países com o mais alto uso de energia per capita, causavam 63% das emissões totais de dióxido de carbono pela queima de combustíveis fósseis, enquanto os 20% da população mundial em países de menor consumo causavam apenas 2%.

 

            É indispensável e urgente que a sociedade humana transforme o mundo atual, baseado no consumo de combustíveis fósseis, eu outro, que consuma energia renovável..  Ou o próprio futuro da sobrevivência do ser humano na Terra pode estar comprometido.

            Até o início do século 21 a velocidade dessa mudança tem estado próxima do zero e há poucos indicativos de que vá aumentar consideravelmente de ritmo nos próximos anos.  Mesmo com importantes avanços tecnológicos na área da energia renovável e eficiente, as mudanças têm sido limitadas e inibidas pelo interesse dos países produtores de petróleo.  Questões meramente políticas e a ganância do capitalismo impedem a adoção de um novo modelo energético sustentado por fontes renováveis.

            É cada vez mais urgente o debate da revolução energética e do futuro que queremos viver, com mais eficácia, menos poluição e menos aquecimento global.

            É hora de, pelo menos, começar a discussão das políticas para um futuro sustentável.

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