A Nova Cultura

Durante muitos séculos a cultura do ser humano foi baseada na memória. Primeiro porque não havia memória escrita e depois porque o homem estava tão habituado a memorizar que continuou se valendo dessa capacidade até a revolução da informatização.

Antigamente a cultura era “de poço”, isto é, cada um escolhia sua área de interesse e começava a se aprofundar, cada vez mais, tentando reter o máximo de informação e notícia para ser reconhecido como um sábio. E não se importava de, a dois palmos do seu poço, ser um completo ignorante.

Agora, na era do computador pessoal que é capaz de reter em sua memória muito mais do que a informação indispensável e até mais do que a informação necessária (capacidade que está-se alargando de seis em seis meses),´a Web já tem mais matéria de interesse humano e informação do que a que havia na famosa Biblioteca de Alexandria.

 A cultura deixou de ser “de poço”e passou a ser “de aluivião”. Nós recebemos informação,desinformação, contra-informação, diariamente, de várias fontes, quase incessantemente. E são essas informações que, depois de devidamente processadas, vão-se transformar na cultura do nosso tempo.

É evidente que qualquer adolescente com acesso a um PC e razoavelmente interessado, tem muito mais informação a seu dispor do que qualquer sábio do século 19. E talvez seja mesmo esta facilidade que faça com que muitos jovens não estejam aproveitando da nova cultura.

Mestre Oscar Niemeyer, do alto dos seus 100 anos, ainda discute filosofia a cada semana, e procura informar-se ára não ficar alienado e mal-informado. Con justa razão, critica a mocidade que tem tantas e tais oportunidades de informar-se mas que ele surpreendeu em um diálogo:

_ Você já leu Eça de Queirós?

_ Quem é? Filho da Rcahel de Queirós?

Há um mínimo de informação que se exige para quem quer atravessar o século 21 sem ser surpreendido. Desse mínimo estamos oferecendo os grandes temas que mais freqüentam a mídia mais bem informada e formadora de opinião.

É cada vez mais difícl fazer previsões para o futuro, até porque as revoluções que marcaram o século 20 acumularam tanto conhecimento e criaram tantas especializações que dificultam, as especulações seguras.

Olhando para trás é fácil perceber que a maior parte das previsões do futuro falharam, a não ser aquelas pronunciadas em linguagem misteriosa e quase cifrada, que exigem interpretação e podem ser adaptadas a quase todas as situações da realidade. Nostradamus, por exemplo.

Por que as visões do futuro foram sempre tão falhas? Porque geralmente refletiam o ponto de vista pessoal de um excêntrico, ou o desejo de alguém, ou o sonho de outro, quase sempre a maneira estreita de encarar o futuro.

 No entanto, é da natureza do homem tentar prever o futurop e consultar o oráculo, principalmente na pasagem do ano. Na passagem do século, então, foi inevitável um interesse maior pelo futuro e pelas especulações a respeito do que é que esse século nos reserva a todos.

Tirando as leitoras de cartas de tarô, os consultores de búzios, as ciganas que dizem ler o futuro nas linhas de nossas mãos e outras figuras que mais tentam adivinhar do que prever, sobram os visionários, os falsos profetas e os futurólogos profissionais, todos dignos de pouco crédito. Por que? Porque lhes falta a base, a informação suficiente e necessária para alicerçar suas previsões.

Vejam a ficção científica e o caminho que ela percorreu: antes era uma simples ficção menor, fantástica, visionária. Aos poucos, à medida que a informação científica passou a amparar os autores e a atraí-los, ficou claro que o homem era praticamente incapaz de imaginar alguma coisa que, por mais fantástica que pudesse parecer. não fosse possível de realizar, com recursos suficientes.

Em outras palavras, parece que o homem só consegue imaginar aquilo que, no futuro, será poss´´ivel realizar, se ele tiver uma boa base científica e suficiente apoio financeiro.

Cientistas de todo o mundo, de várias áreas, somaram suas previsões. E são elas que permitem traçar um quadro que, embora ainda seja especulativo, tem base na realidade e no progresso já alcançado pela tecnologia, pela ciência, pelo conhecimento do homem. Especulativo, sim, mas não gratuito, anunciando uma revolução do conhecimento, mais profunda, mais completa, oferecendo mais resultados do que as do século passado, porque o conhecimento humano duplica a cada dez anos e na segunda metade do século 20 gerou-se mais conhecimento científico do que em toda a história humana anterior. Quando as revoluções do século 20 estiverem interagindo completamente, vamos testemunhar um progresso nunca visto pela humanidade.

A capacidade dos computadores dobra a cada 18 meses, no máximo. A rede internacional de computadores(a Web) duplica de tamanho e alcance a cada 12 meses. Nos últimos quatro anos o número de seqüências de DNA sob investigação e exploração mais do que triplicou. A média registra, quase diariamente, avanços em computação, telecomunicações, biotecnologia, microbiologia. As  mudanças que nos provocam são tanto quantitativas quanto qualitativas.

A revolução quântica permitirá no futuro, talvez ainda neste século, o controle da matéria. A revolução biomolecular tornará o ser humano capaz de modificar o próprio ser humano através da engenharia genéticsa; e de criar coisas, de sintetizar e inventar novas drogas, novas terapias, novas formas de vida. A revolução da informática, que já globalizou o mundo e está transformando-o a partir das comunicações, vai continuar mudando nosso modo de vida e um dia, talvez ainda neste século, perimirá introduzir inteligência em qualquer lugar do planeta.

Os trêstemas principais do século passado foram o átomo, o gene e o computador. Os deste século serão uma extensão natural dessesbtemas, levados às últimas conseqüências.

Comidsse o Yogi Berra, “previsaõ é coisa muito difícil, especialmente quando é sobre o futuro”… Mas os cientistas têm uma boa base e um bom conhecimento do que está acontecendo e do que eles estão investigando para que suas previsões sejam razoavelmente seguras e realizáveis, a partir exatamente do que eles já sabem.

Há 300 anos, no tempo de Isaac Newton, a vida era curta e brutal. A expectativa de vida era de 30 anos; as famílias tinham 10 filhos, em média, para que dois ou três sobrevivessem; a maioria das pessoas era analfabeta; livros eram raros e Shakespeare nunca viu um texto seu impresso; a escola era para poucos; quase todos passavam a vida em torno do local onde haviam nascido e não se aventuravam a mais de dois ou três quilômetros; pouco antes do sol nascer já estavam trabalhando e quando o sol se punha já estavam na cama; quase não havia entretenimentro ou lazer; a fome era epidêmica e as doenças crônicas comuns; a ciência, com a conhecemos, não existia e as leis das natureza estavam cobertas de mistério, medo e superstição. E, no entanto, Newton foi capaz de fazer o que fez e sua mecânica permitiu a criação de máquinas poderosas e, finalmente, o motor a vapor que provocou a Revoluçãso Industrial e mudou o mundo.

O século 19 foi de intensa descoberta científica, tirando muitas pessoas da ignorância e da miséria, enriquecendo a vida e ampliando o conhecimento, derrubando ass dinastias feudais.

No fim do sécuklo 20 a ciência já conhecia os mistérios do átomo, da célula, do chip eletrônico. Essas três descobertas desencadeadas pela revolução do DNA e da informática abriram o conhecimento do homem e as leis básicas da matéria, da vida e da computação, abrindo o futuro.

 O século 21 começou prometendo transformar-nos definitivamente: para sobrevivermos é preciso deixar de poluir, de emitir gases tóxicos, de prejudicar a natureza. Masa, ao mesmo tempo, é preciso que deixemos de ser observadores passivos, para sermos ativos participantes.

Acreditem os moços: o século 21 vai ser, por muitos motivos, um dos tempos mais empolgantes para viver. Vamos todos colher o fruto de dois mil anos de ciência. A Idade da Descoberta está dando lugar à Idade do Domínio, como escerevu Michio Kaku (autor de “Hiperespaço” e de “Visões do Futuro”.

 As leis subjacentes à biologia moleculçar, à computação e à teoria quântica já estão definidas e estabelecidas, o que torna possível aos cientistas a previsão dos caminhos do progresso científico.

“O século 21 é o limite do homem”, escrveu Arthur Clark, autor de ficção-científica, mas um cientista e futurólogo de sucesso. No que foi confirmado por seu colega Ray Bradbury: “O futuro chegou rápido demais e não estamos preparados para ele, física, mental, intelectual ou afetivamente.” Some-se a isso o que escreveu Alvin Toffler: “o homem jamais foi submetido à velocidade de mudanças e à pressão do conhecimento como está sendo agora.” Junte-se mais um depoimento, o do comunicólogo Umberto Eco: “O fracasso das grandes promessas da tecnologia colocam o homem diante da maior crise da humanidade. Devastamos o planeta, poluímos a terra, o ar e as águas, criamos muuita riqueza e muita miséria para chegarmos ao século 21 com o futoro das gerações futuras ameaçado e a própria sobrevivência da humanidade em cheque.” Finalizemos com as citações do grande f´sico brasileiro Marcelo Gleiser: “Quanto mais aprendemos, melhor dimensionamos nossa ignorância.”

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